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Revista: Época
Título: “O Caminho do Tesouro”
Data: 29/05/2009
Crédito: Thiago Cid



Desde 2006, o número de pessoas que têm títulos do governo triplicou – mas ainda é pequeno. Por que o Tesouro Direto pode ser atraente para você

Nas últimas semanas, milhões de brasileiros com cadernetas de poupança tiveram de recorrer às calculadoras para saber se – e quanto – terão de pagar Imposto de Renda sobre suas economias a partir de 2010. Um grupo menor, com recursos em fundos de renda fixa, como os DI, monitora a trajetória descendente da taxa básica de juros, a Selic, que vem encolhendo seus ganhos. Enquanto isso, um número cada vez maior de pequenos investidores está descobrindo um novo destino para colocar seus recursos. Trata-se do Tesouro Direto, cujo número de clientes triplicou nos últimos três anos (leia o quadro). Os títulos vendidos pelo Tesouro Direto exigem um investimento mínimo de R$ 100 e no longo prazo têm apresentado ganhos médios superiores aos da poupança, dos fundos de renda fixa e até dos CDBs. Por serem garantidos pelo Tesouro Nacional, são considerados pelos analistas uma das aplicações de menor risco. Não têm, por exemplo, a instabilidade das ações, que sofrem fortes chacoalhadas conforme o humor do mercado. E, embora paguem IR, esses papéis são submetidos a taxas de custódia (cobradas pelo Tesouro Nacional) e, eventualmente, de administração (pelas corretoras) inferiores às aplicadas pelos bancos sobre os fundos de investimentos.

Segurança e boa rentabilidade são as duas características que, quando aliadas, soam como canção de ninar para qualquer um, ainda mais em tempos de crise financeira. Foi isso que levou a administradora de empresas Maria da Glória Freitas, de 43 anos, de São Paulo, a comprar os títulos em abril, depois de ler uma notícia no jornal. “Eu tenho algumas ações e estava apavorada com a desvalorização”, diz. “Quando vi que os títulos pagavam bem e não havia muitos riscos, decidi comprá-los, de olho em minha aposentadoria.” Maria da Glória, que aplicou R$ 3.500, se encaixa no perfil da maioria dos adeptos do Tesouro Direto. Dos investidores que compraram os papéis em abril, 64% estavam na faixa de aplicação dos R$ 100 a R$ 5 mil.

Apesar de ter sido lançado em 2002, o Tesouro Direto ainda é desconhecido pela maioria da população. Atualmente, apenas 156 mil pessoas possuem títulos do governo. Na poupança, há 577 vezes mais gente: 90 milhões. Mas a expectativa do Tesouro Nacional é que o ritmo de crescimento de sua carteira de clientes pessoas físicas continue acelerado nos próximos anos. Para o governo, o dinheiro captado pelo Tesouro Direto ajuda a financiar uma pequena parte de sua dívida pública. O grosso dos títulos está nas mãos de bancos e fundos. “Nosso verdadeiro objetivo é estimular o brasileiro a economizar, oferecendo um investimento vantajoso”, afirma Otavio Ladeira, coordenador-geral de Planejamento Estratégico da Dívida Pública, do Tesouro Nacional.

Esse estímulo seria mais eficaz se o governo encontrasse uma maneira de simplificar a vida dos que querem ingressar no Tesouro Direto. “Comprar títulos vai exigir paciência e um pouco de conhecimento do investidor”, diz Marcos Amaral, diretor da corretora Spinelli. Há duas complicações. A primeira é de natureza burocrática. Antes de partir para as compras, o investidor precisa se cadastrar em uma corretora, que pode cobrar uma taxa de administração de até 0,5% (algumas não cobram nada, por isso vale a pena pesquisar). Depois de se cadastrar, o cliente recebe uma senha e pode comprar ou vender os títulos pela internet. Parece um roteiro simples, mas ele afugenta muita gente acostumada com a simplicidade – pelo menos até o final deste ano – da poupança.

O segundo problema é saber qual dos cinco papéis disponíveis se encaixa na estratégia de cada investidor. É preciso levar em conta, entre outros fatores, o prazo que o dinheiro vai ficar investido e a tendência dos juros e da inflação (leia abaixo os conselhos do colunista de ÉPOCA Mauro Halfeld). Os títulos do Tesouro se dividem em duas categorias: os prefixados, cujos ganhos futuros são estabelecidos na hora da compra, e os pós-fixados, no qual o investidor só saberá quanto ganhou na hora de resgatar o dinheiro. Há dois indexadores para os pós-fixados. Um é o IPCA, que mede a inflação oficial. Quando vinculados ao IPCA, os títulos têm correção monetária e pagam juros, que oscilam conforme o mercado. A outra categoria de título pós-fixado está atrelada à Selic.

Quem não quiser ficar com o título até seu vencimento poderá vendê-lo às quartas-feiras no site do Tesouro Direto. Mas talvez não seja um bom negócio. É possível que os indicadores financeiros da hora reduzam o lucro do investidor, pois o valor dos títulos varia de acordo com o mercado. Por isso, os investidores não devem ser impressionar com extratos negativos. “Em cenários muito ruins, se o investidor esperar a data do resgate, ele não vai perder dinheiro, mas seus ganhos serão menores”, diz Halfeld.


 



     

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 ÍNDICE             VALOR
....................................
>IPCA(Jan/12) 0,56%
>IGPM(Jan/12) 0,25%
> Taxa Selic Diária............ 10,4 %
 > Demais




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