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Título: “Investidores do Tesouro Direto optam pelo longo prazo”
Data: 20/07/2009
Nunca o investidor do Tesouro Direto pensou tanto no longo prazo. Pelo menos, é
o que mostra a evolução do estoque de títulos públicos. Os últimos dados
divulgados, referentes a maio, indicam que a parcela de papéis com vencimento
superior a cinco anos atingiu o maior porcentual histórico - acima de 32%. Ao
contrário, os papéis curtos, com vencimento menor do que um ano, têm
participação decrescente no estoque de títulos. A mudança do cenário
macroeconômico, com Selic menor, fez com que o investidor valorizasse o peso do
Imposto de Renda no retorno líquido, já que a alíquota é decrescente com o
tempo. “Antes, comprar títulos curtos e pagar IR maior não fazia tanta diferença
porque o juro era elevado”, afirma o gerente de relacionamento com o investidor
do Tesouro Nacional, André Proite. Com o recuo da taxa, a alíquota decrescente é
crucial.
Em
2004, quando o Tesouro Nacional passou a divulgar o vencimento dos títulos em
estoque, tanto os papéis com vencimento longo como os curtos tinham participação
de 25%. Em maio deste ano, enquanto os longos batem recorde de alta, os curtos
estavam na faixa de 25%, após terem recuado para 20% em abril – o menor patamar
histórico de participação no total. Outro indicativo de que a participação dos
títulos longos está crescendo é o resultado de vendas. Os títulos com prazo
acima de cinco anos representaram 53,6% do total em maio, maior porcentual desde
o início da divulgação desses dados, em 2007.
“O prazo da dívida do Tesouro Direto é mais longa do que o da dívida
[pública] total”, compara Proite. No estoque da dívida, títulos com vencimento
acima de cinco anos representam 21,33%, enquanto os papéis com prazo inferior a
um ano, 26,71%. Por ter participação de apenas 0,20% no estoque da dívida do
governo, o Tesouro Direto, que tem um perfil mais longo de vencimento, não tem
impacto no perfil da dívida pública.
Pensamento no longo prazo
“O cenário de juros reais menores no Brasil parece estar cada vez mais sendo
entendido como definitivo”, diz o diretor de operações da corretora Petra,
Ricardo Binelli. A partir dessa visão, o Tesouro Direto também está sendo mais
procurado por aqueles que investem para aposentadoria.
“Os títulos de inflação, os mais longos oferecidos e que protegem o investidor
da variação dos preços, pagam 6% mais IPCA, a meta atuarial dos fundos de
pensão”, exemplifica Binelli. Com a queda dos juros, o receio é de que os fundos
de pensão não consigam atingir essa meta. O próprio governo, inclusive, estuda
revê-la (Veja
aqui)
A questão da volatilidade também influencia. “Em prazos menores, o título já
está com o preço muito próximo ao que ele vai pagar do vencimento”, avalia um
analista. “Para especuladores, títulos longos oferecem maiores possibilidades de
ganho.” Segundo o especialista, os investidores aos poucos estão percebendo esse
tipo de característica e aqueles que querem assumir maior risco tem optado pelos
prazos longos.
Outro fator que impulsionou a venda de títulos longos em prol dos curtos foi
a mudança do perfil da oferta no início ano. Em março, o Tesouro Direto diminui
a quantidade de vencimentos dos papéis de 24 para 11, excluindo muitos de curto
prazo. “Ouvindo investidores percebemos que eles se confundiam com uma oferta
excessiva de títulos. Em alguns casos, havia uma sobreposição de vencimentos”,
diz Proite. (Veja
aqui) Agora, quando o título está a oito ou nove meses do vencimento, é
excluído do quadro de ofertas.
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