|
Jornal: Jornal Valor Econômico
Título: “Tesouro e bolsa iniciam incentivos para atrair investidor de ação pra
renda fixa”
Data: 06/04/2009
Crédito: Catherina Vieira
O Tesouro Direto, sistema eletrônico de negociação de títulos públicos, e a BM&FBovespa
começam a colocar em prática os incentivos conjuntos acertados para tentar
atrair investidores de ações também para papéis de renda fixa. Começou
ontem a vigorar a mudança na cobrança de taxas de custódia pela bolsa.
Antes, o investidor tinha de pagar 0,4% ao ano pela guarda dos papéis na
Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC). Isso quer dizer que, se o
investidor comprasse um título com prazo de cinco anos, ele pagaria 0,4% ao ano.
Agora, a tarifa foi desdobrada. A primeira é a taxa de negociação no Tesouro
Direto, de 0,1%, cobrada apenas no momento da compra do papel.
A segunda é a taxa de custódia, que passa a ser de 0,3% ao ano, com cobrança
proporcional ao período da aplicação e efetuada a cada semestre ou na venda do
papel.
À primeira vista, pode parecer que não há diferença no bolso do investidor, mas
com essa mudança, os custos ficam menores, uma vez que a partir do segundo ano,
por exemplo, o investidor paga apenas 0,3% e não 0,4% como anteriormente. Além
disso, a cobrança fica proporcional ao tempo que ele fica com título. O objetivo
é tornar o custo mais competitivo para o investidor de longo prazo e mais
flexível para os que precisarem vender em prazo menor que um ano.
Outra medida prevista no plano de incentivo ao Tesouro Direto é a integração
do sistema de venda de títulos públicos ao home broker, ambiente de negociação
de ações da BM&FBovespa. Para isso, a bolsa criou um plano para as corretoras
que aderirem à integração, já que isso vai demandar alguns investimentos. Esses
incentivos devem ocorrer em duas etapas. Primeiro, haverá o desenvolvimento de
um kit de integração tecnológica das duas plataformas. A ideia da bolsa é tornar
esse kit disponível até o fim de maio, de acordo com o cronograma divulgado em
ofício para as corretoras. A segunda etapa prevê a concessão de um subsídio de
R$ 50 mil para dez agentes de custódia que concluírem a integração do sistema no
prazo previsto e se inscreverem no programa de incentivo. O período de
integração dos sistemas previsto no cronograma vai até o fim de outubro. A bolsa
também estabeleceu outros critérios para escolher as corretoras que receberão o
subsídio. Os agentes que cobram taxas de administração mais baixas ganham mais
pontos, assim como aqueles que têm maior participação no sistema Tesouro Direto
e no mercado de renda variável para pessoas físicas.
O secretário-adjunto do Tesouro, Paulo Valle, está animado com as
possibilidades de crescimento do sistema por meio do plano de incentivo.
"Estamos apostando muito no potencial dessa parceria com a BM&FBovespa", disse.
Para ele, a junção dos sistemas beneficia tanto o investidor, que passa a ter
mais facilidades. A unificação tende a manter os aplicadores mais fiéis, uma vez
que eles passarão a ter na mesma tela opções de títulos de renda fixa e
variável.
|