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Jornal: Jornal do Brasil On-line
Título: “Aplicar em títulos públicos requer paciência”
Data: 29/12/2008
Crédito: Priscila Dadona
Aplicar em títulos públicos requer paciência SÃO PAULO, 29 de dezembro
de 2008 - Com a derrocada da Bolsa de valores - a BM&FBovespa perdeu mais de 40%
em 2008 -, os investimentos em títulos públicos se mostraram como alternativa
interessante para o pequeno investidor, por serem tidos como "portos seguros",
já que a chance do Brasil não honrar suas dívidas é hoje em dia muito remota.
Entretanto, a aplicação requer cuidados como observar os prazos dos papéis, pois
vender antes do vencimento pode representar prejuízo.
"É preciso ter paciência e muita calma na hora de investir", ensina Mauro Calil,
educador financeiro. Para Calil, o investidor tem que ter consciência do tipo de
título e adequá-lo ao seu perfil. "Tem que ser observador. Ver a característica
de cada um dos papéis e ter horizonte de aplicação", completa.
De acordo com Calil, o investimento em título público vale à pena, pois, com
certeza, estes papéis sofrem menos oscilações que outras aplicações. Para ele,
os títulos pré-fixados são boa pedida neste momento, pois tendem a render mais,
já que a tendência dos juros baixarem é grande. Quem adquiriu um título com um
preço pré-estabelecido este ano vai receber mais que o juros vigentes no
vencimento do papel em 2 ou 3 anos.
Segundo o consultor de investimentos da Coinvalores, Antenor Ramos Leão, os
títulos atrelados aos índices de inflação - Índice de Preços ao Consumidor Amplo
(IPCA) e Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) - são também uma das melhores
opções "pois além de recebermos, a correção da inflação no período, teremos
sempre um juro real, já contratado no início do investimento", completa.
Calil acredita que o recorde de vendas no Tesouro Direto em 2008 se deu, não só
pela crise, mas porque o investidor buscou alternativas à bolsa de valores e a
facilidade do sistema [que funciona pela internet] ajudou. "Muitos se
perguntaram: por que vou pagar taxa de administração em um fundo, por exemplo,
se posso comprar direto do Tesouro?", informa.
Leão acredita que o principal motivo foi a maior divulgação pela imprensa, pois
quando o aplicador passou a acompanhar a rentabilidade dos títulos, passou a se
interessar muito mais.
Segundo acredita Calil, embora o cenário seja de crise, muita gente que se
endividou tende a poupar, trocando o consumo pela poupança. "Muitos investidores
chegaram à conclusão que não vale à pena pagar juros mas, sim, receber os
juros", pondera.
Como recomendação, o especialista pede ao investidor que se informe muito antes
de investir, para saber as diferenças entre os papéis, o tipo de rendimento que
pagam e, principalmente, o prazo de vencimento. "Leia, entre no site do Tesouro,
faça cursos, se informe com consultores ou gerentes de bancos", ensina Calil.
http://jbonline.terra.com.br/extra/2008/12/29/e291217059.html
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