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Jornal: Valor Econômico
Título: “Momento pode ser de oportunidade para garantir taxa maior ”
Data: 09/07/2007
Crédito: Mara Luquet


Este é um momento particularmente interessante para comprar papéis do governo por meio do Tesouro Direto (www.tesourodireto.gov.br), sistema de negociação via internet de títulos federais. Nas últimas semanas, esses papéis vêm refletindo o nervosismo observado no mercado futuro de juros o que provocou um aumento nas taxas, principalmente nos papéis mais longos. Para quem já tem esses papéis na carteira, o momento foi de perdas, pois o preço de alguns títulos teve queda. Mas os analistas observam que essa variação negativa é momentânea e a curva de juro nesses papéis deve retomar a trajetória. Portanto, eles recomendam: o momento não é de venda, mas de compra desses papéis. 

"Essa não é a primeira vez que as taxas nos títulos púbicos abrem", diz George Wachsmann, sócio da Bawn Investimento, empresa de gestão de fortunas. "E o que observamos é que sempre que isso ocorreu foi uma oportunidade de compra", acrescenta. 

Wachsmann cita como exemplo o movimento dos papéis com vencimento em 2045. Em janeiro de 2006, esse título era negociado a uma taxa de 9% mais a variação da inflação medida pelo IPCA. Em fevereiro, a taxa despencou para 7% mais o IPCA. O movimento ocorreu na época refletindo um forte aumento na procura por esses papéis, principalmente por investidores estrangeiros. Quando a demanda aumenta, o preço do papel sobe e a taxa de retorno cai. Nos papéis de renda fixa, taxa e preço percorrem caminhos opostos, quando um sobe o outro cai. 

Quase três meses depois, o mercado de juro voltou a sentir um estresse e a taxa subiu para 9,34% mais a variação do IPCA. Em junho, voltou a cair para cerca de 8% e virou o ano de 2006 para 2007 abaixo de 7,5% mais IPCA. No último mês de maio, a taxa já estava a 5,80% mais a variação do IPCA e agora, depois desse estresse no mercado de juro, o papel fechou a semana passada negociado acima dos 6% mais a variação da inflação. 

Wachsmann diz que nos papéis mais curtos, com vencimento em dez anos, a variação foi mais expressiva. O papel com vencimento em 2017, que era negociado em maio a uma taxa de 5,89% mais a variação da inflação, estava sendo negociado na semana passada a 6,40%. "Teoricamente essa taxa tem de voltar a ceder", diz Wachsmann. "Portanto, podemos dizer que é uma boa oportunidade de compra", acrescenta. 

Segundo Wachsmann, o movimento no mercado de juro em junho e neste início de julho de abertura de taxas foi reflexo de três eventos: a discussão de meta de inflação, a própria inflação mais alta e um aumento da oferta de títulos mais longos no mercado. 

Na quinta-feira, a manchete do Valor mostrava que o mercado financeiro aumentara em quase 0,5 ponto percentual os juros exigidos para comprar títulos públicos, impondo ao governo um prêmio maior para cobrir os riscos inflacionários. A taxa de inflação embutida nos papéis prefixados do Tesouro Nacional subiu de 3,36% para 3,82% em junho, segundo estimativas de analistas. 

Desde que o CMN estendeu para 2009 a meta de inflação de 4,5% que já vigorava para 2007 e 2008 (analistas até então acreditavam que a meta ficaria mais baixa), o mercado de juro mudou de humor. Duas notícias contribuíram para aumentar o estresse no mercado de juro: o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou uma produção industrial acima das expectativas. Ela cresceu 1,3% em maio em relação a abril e avançou 4,9% sobre o mesmo mês de 2006. O IPC-Fipe fechou junho em alta de 0,55%, igualmente acima das previsões, entre 0,45% e 0,52%. O índice sobe mais do que se imaginava por causa de um choque agrícola de oferta e de uma demanda interna aquecida que afeta os preços dos produtos não comercializáveis, os que não se beneficiam da apreciação cambial. 

Mas, como diz Wachsmann, assim como ocorreu em momentos anteriores no passado, a trajetória de queda nas taxas de juro não deve ser afetada e este estresse deve ficar concentrado num movimento de curto prazo. Neste caso, então, esta é uma oportunidade de garantir uma taxa maior. 



     

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 ÍNDICE             VALOR
....................................
> IPCA(Out/08) 0,45%
> IGPM(Out/08) 0,98%
> SELIC............13,64%
 > Demais




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