Jornal: Folha de São Paulo
Título: “Novo papel de longo prazo atrai investidor via internet”
Data: 31/07/2006 – 09h23
Crédito: Adriana Aguilar
Os pequenos investidores que buscam rentabilidade garantida no longo prazo para a aposentadoria, sem o risco da renda variável, têm à disposição um título público criado em agosto do ano passado: a Nota do Tesouro Nacional Série B Principal, mais conhecida como NTN-B Principal.
Trata-se de uma variação da NTN-B. Enquanto esta paga juros a cada seis meses, sendo necessário o reinvestimento da remuneração recebida a cada semestre para conseguir a rentabilidade prometida no contrato, a NTN-B Principal paga os juros de uma vez só, no vencimento do título. Assim, o investidor não precisa se preocupar com as reaplicações.
Tanto a NTN-B como seu "filhote", a NTN-B Principal, tiveram muita demanda por parte de pequenos investidores no primeiro semestre deste ano. Para ter uma idéia, o estoque da NTN-B Principal, que era de R$ 14,27 milhões em janeiro, passou para R$ 36,36 milhões em 30 de junho. O aumento foi de 154,8%. No caso da NTN-B, a evolução do estoque foi de 48,5% no programa Tesouro Direto. Nesse quesito, bateram qualquer outro título.
"O ano de 2006 consolida o crescimento consistente no estoque de NTN-B Principal", diz o coordenador-geral de operações da dívida pública do Tesouro Nacional, Manuel Augusto Alves Silva.
A NTN-B Principal só pode ser adquirida por meio do Tesouro Direto, site direcionado apenas às pessoas físicas com intenção de comprar títulos da dívida pública via internet. O valor mínimo de aplicação é de R$ 200. Para operar o sistema, o investidor tem de estar cadastrado, com o número do CPF, em alguma corretora.
Somente as pessoas físicas podem comprar a NTN-B Principal. Já bancos, corretoras, gestoras de recursos e fundos de pensão têm de adquirir NTN-B por meio de leilões, realizados pelo Tesouro somente aos investidores institucionais.
A NTN-B oferece, no momento da compra, juros de cerca de 10% ao ano mais a variação da inflação anual pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). A característica dela é ter prazo longo de vencimento: 2010, 2015, 2024, 2035 e até 2045.
Ganhos
"Ao comprar a NTN-B que oferece 10% de juros ao ano, a pessoa terá um ganho líquido de 8%, ou seja, o imposto de renda (IR) está descontado e há o acréscimo da inflação pelo IPCA. Portanto, se o investidor aplicar no título, ele verá o capital dele dobrar em oito anos", diz o diretor de Investimentos da Multi Bank DTVM, Otávio de Magalhães Coutinho Vieira.
O importante é que a pessoa faça a aplicação e deixe o dinheiro render juros sobre juros até o vencimento do contrato -2015, 2024, 2045. O diretor da Positiva DTVM, Marcos Carneiro da Silva, afirma que uma aplicação de R$ 216 mil na NTB-Principal, por exemplo, resultaria em R$ 1,73 milhão em um prazo de 18 anos, considerando uma taxa de juros de 9% ao ano e projeção média do IPCA de 3% ao ano por todo o período, por exemplo.
"A NTN-B Principal acrescenta renda. Havendo planejamento de longo prazo, a pessoa pode usar a aplicação para comprar o imóvel próprio, pagar a faculdade, comprar um carro ou, quanto maior o prazo do papel, deixar para a aposentadoria", afirma o diretor da Positiva DTVM.
Vale ressaltar que o ganho líquido fixo de juros de 9% ao ano mais IPCA, por mais de dez anos, fica interessante quando se leva em conta que o mercado trabalha com projeções de redução da taxa básica de juros (Selic) ao longo dos anos.
Turbulência
Devido à atrativa rentabilidade do papel e à isenção de IR oferecida aos estrangeiros, muitos deles adquiriram a NTN-B com vencimento de longo prazo. Em maio, a aversão ao risco gerada pela expectativa de maior aperto nos juros americanos levou investidores estrangeiros a resgatarem títulos públicos e a remeter os recursos para fora.
Com a pressão de venda dos estrangeiros, a taxa da NTN-B com vencimento em 2045, que chegou a ter juros de 7,5% no começo do ano, oscilou entre 10% e 12% no dia 24 de maio. Os estrangeiros que se desfizeram dos papéis no país a qualquer preço tiveram perda do principal entre 20% e 30%. Quem ficou com o papel em carteira não teve tamanho prejuízo.
Coutinho Vieira sugere que os pequenos investidores usem a estratégia de comprar a NTN-B a cada três meses, por exemplo. Assim, terão uma remuneração média durante toda a aplicação. O importante, de acordo com ele, é evitar a compra e venda de curto prazo do papel, já que se trata de um investimento de longo prazo.
Especial
Leia o que já foi publicado sobre os NTN-Bs
|