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Jornal: Valor Econômico
Título: “Tesouro Direto já atrai 70 mil investidores”
Data: 22/11/2006


O Tesouro Direto, programa de venda de títulos públicos via internet, pode ser uma boa alternativa para o pequeno investidor fugir das taxas de administração cobradas pelos fundos referenciados ao CDI. Mesmo exigindo do aplicador maior conhecimento do mercado, os ganhos que o sistema proporciona podem ser compensadores.

O número de investidores cadastrados sobe mês a mês: atingiu 69,4 mil em outubro de 2006 - 48% acima do número registrado em outubro de 2005, e mais que o dobro dos registrados em janeiro do ano passado.

Os analistas apontam o Tesouro Direto como opção vantajosa porque, além de permitir aplicação mínima de R$ 200, o investidor paga taxas muito abaixo das cobradas pelos fundos.

Enquanto em um fundo as taxas de administração podem ser de 2% a 5%, no Tesouro Direto há uma taxa de 0,4%, a ser paga para a Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC). E, outra, de serviço, cobrada pelo agente de custódia, de 0,5%, no máximo.

"Não é difícil constatar que uma parte considerável dos rendimentos de um fundo vai para o bolso do administrador por meio de taxas", diz o consultor Marcos Silvestre, coordenador-executivo do Centro de Estudos de Finanças Pessoais e Negócios (CEFIPE). Segundo ele, em um fundo de investimento, a cobrança de uma taxa de administração de 3% pode reduzir em até 20% a rentabilidade líquida real.

Para Silvestre, a maior desvantagem em recorrer ao Tesouro Direto é que o aplicador passa a ser o próprio gerente de seu dinheiro. "A escolha dos títulos pode gerar complicações, por isso o investidor deve saber o que cada papel oferece", considera.

Michel Campanella, gerente de homebroker da corretora Socopa, afirma que a procura tende a aumentar. "Há uma certa popularização do Tesouro Direto. Temos observado uma mudança no perfil do investidor, com o crescimento da procura por parte dos pequenos aplicadores."

Em alguns casos, as corretoras, agentes de custódia nas operações do Tesouro Direto, deixam de cobrar pelo serviço.

Criado em janeiro de 2002, o Tesouro Direto ultrapassou em outubro a marca de R$ 2 bilhões em vendas, com um estoque de títulos de R$ 1,03 bilhão.

A demanda por títulos pré-fixados aumentou fortemente nos últimos meses. Em outubro, representou 69% das vendas. Os títulos pré-fixados do tipo Letras do Tesouro Nacional (LTN) tiveram uma participação de 58% no total das vendas.

No dia 17 de novembro, por exemplo, os títulos federais com vencimento em janeiro de 2007 haviam acumulado rentabilidade bruta de 14,7% nos primeiros dez meses do ano. Já as Notas do Tesouro Nacional (NTN) da série F, com vencimento em 2010, ofereciam rentabilidade de 19,7%.

Criado pelo Tesouro Nacional em conjunto com a CBLC, o Tesouro Direto surgiu com o objetivo de aumentar a transparência da dívida pública e incentivar a poupança de longo prazo. De fato, são os títulos com datas de vencimento mais longas que oferecem as melhores taxas.



     

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