Jornal: Valor Econômico
Título: “Como obter o máximo em ganhos”
Data: 11/07/2006
Crédito: Karina Faria
Mello, da Fator: “Os custos do Tesouro Direto são menores do que nos fundos”
O que é melhor: comprar títulos da dívida pública federal por conta própria, pelo sistema chamado Tesouro Direto, ou fazê-lo por meio de algum fundo de investimento? A resposta a essa pergunta varia de caso a caso, de modo que é melhor ir por partes.
Em primeiro lugar, deve-se consultar o próprio bolso. Para quem não tem muito dinheiro para aplicar, os especialistas recomendam a via direta. Como as operações do Tesouro Direto oferecem uma transparência bastante razoável, mesmo investidores sem muita informação sobre o mercado financeiro, como em geral são os pequenos, podem acompanhar de perto o desempenho de seus papéis. Já para os abonados, a recomendação é que procurem um fundo.
Em segundo, deve-se avaliar o prazo pretendido para a aplicação, aspecto que ganha importância por envolver custos. O Tesouro Direto não é uma boa opção para quem pretende fazer retiradas freqüentes, porque seus papéis têm liquidez apenas semanal, enquanto nos fundos a liquidez é diária. Nas duas modalidades, sempre que fizer algum resgate antes do vencimento o investidor terá perda de rentabilidade. Mas perderá menos nos fundos, que conseguem atenuar o efeito com suas negociações diárias.
Em terceiro, deve-se olhar o panorama em torno. Quando o cenário tende a uma maior instabilidade, por questões políticas ou econômicas, os fundos constituem uma alternativa melhor. É que seus gestores, além de maior agilidade na compra e venda, podem montar a carteira de ativos com uma pitada de títulos privados, em geral mais rentáveis e que não estão disponíveis para compra direta pelo investidor. De acordo com Carlos Otero diretor da Bradesco Asset Management, BRAM, os gestores têm uma margem de manobra de cerca de 20% para melhorar a rentabilidade dos fundos de renda fixa, o que reduz riscos em situações de instabilidade. “Além disso, no fundo há uma equipe completa de economistas, analistas e gestores, além das áreas de controle de risco e jurídica, trabalhando para avaliar o melhor investimento, dentro do perfil do investidor e do cenário em questão”, explica.
Em quarto, devem ser cotejados os custos diretos de cada alternativa. As administradoras de recursos que respondem pelos fundos, por mobilizarem uma enorme equipe na tarefa de gestão, obviamente precisam cobrir essa sua despesa. Para tanto, cobram a chamada taxa de administração, que pode variar de 0,5% a até 5% sobre o patrimônio e é apropriada diariamente. O tamanho da taxa é determinado pelo volume da aplicação. “Quanto maior o valor da aplicação, menor é a taxa de administração cobrada. Há casos em que ela é quase zero”, explica o consultor financeiro Marcelo D’Agosto, do site Fortuna. Do outro lado, a única taxa que as instituições podem cobrar para os investimentos feitos no Tesouro Direto é a de custódia, que varia de 0,2% a 0,4%. Somando-se a ela a taxa cobrada pelo governo para essa modalidade de aplicação, que é de 0,4%, o custo total fica abaixo de 1%. “Por essa razão, para os pequenos investidores o Tesouro Direto é a melhor alternativa”, diz Luís Eduardo Mello, diretor da Fator Corretora. Outra vantagem oferecida pelo sistema é que os investidores podem escolher seu agente de custódia. “Obviamente que, quanto menor o custo do agente, tanto melhor será o rendimento esperado”, diz Antonio Marcos Duarte Jr., professor e diretor acadêmico do Ibmec/RJ. Mas a escolha também pode ser feita pelo critério dos serviços oferecidos pelo agente. Há instituições que oferecem um serviço de aconselhamento ao investidor para ajudá-lo na compra do papel.
Por fim, em quinto e último lugar, o investidor deve comparar as rentabilidades de uma e de outra modalidade. Os fundos, como têm agilidade para recompor posições em carteira, tendem a otimizar os ganhos, apesar de cobrarem às vezes taxas salgadas por seus serviços. Mesmo assim, como sua flexibilidade é restrita conforme o tipo e o prazo de suas operações, a natureza da carteira pode determinar desempenhos bastante diferentes da média de 18,9% do universo total de fundos de renda fixa, levantada pela Anbid para o período de 12 meses encerrado em março passado (leia quadro). Esse desvio de meta pode ser ainda maior no caso da compra pelo Tesouro Direto, porque os títulos públicos oferecem rentabilidades variadas, dependendo de seu indexador e da forma de remuneração, se pré ou pós-fixada.
Para fazer transações via Tesouro Direto, os interessados devem entrar no site www.tesourodireto.gov.br, adquirir uma senha com um dos agentes de custódia cadastrados no mesmo endereço eletrônico e iniciar a aplicação nos títulos públicos de sua escolha, depois de analisar os itens importantes para não perder remuneração – e também de digerir a profusão de siglas que dão nome aos títulos: LTN, NTN-F, NTN-C, NTN-B, NTN-B Principal e LFT.
D’Agosto, do Fortuna: “Quanto maior o valor da aplicação, menor é a taxa de administração”
Mas é simples entender: a letra inicial “L” ou “N” significa Letra ou Nota, o “T” é sempre para definir Tesouro e o “N”, Nacional. A letra que aparece depois do hífen explica qual é a série do título. Já a palavra ‘Principal’ de uma das NTN-B significa que esta não paga os chamados cupons semestrais das outras, por procurar compensar essa falta com um acréscimo de rentabilidade. Em seguida, basta entender que cada papel tem um tipo de correção: a LFT segue a taxaSelic; a LTN é um papel prefixado, isto é, você sabe na hora da compra exatamente o que vai receber, assim como a NTN-F; a NTN-C acompanha a variação do IGP-M (Índice Geral de Preços); e a NTN-B segue o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).
O investimento mínimo é de 200 reais, e o máximo, de 400 000 por Cadastro de Pessoa Física, CPF. No site do Tesouro, o investidor encontra ainda informações sobre todos os títulos oferecidos, incluindo vantagens e desvantagens, rentabilidade média, preços, a que perfil de investidor cada papel se destina e o balanço das vendas do último mês de negociação. Daí em diante, o gestor do capital é o investidor, que terá de dedicar tempo e atenção para a tarefa de acompanhar o desempenho de seus papéis. Quanto mais atento for o investidor, melhor gerida a carteira será. “Minha sugestão é que, neste caso, o investidor acompanhe suas aplicações pelo menos semanalmente”, diz Duarte Jr.
De acordo com o último balanço divulgado pelo Tesouro, a maioria dos investidores vem preferindo os títulos indexados pelo IPCA, adotado pelo governo como índice de inflação oficial do país. “Trata-se de fato do melhor índice”, aprova Francis Brode Hesse, diretor da consultoria Planejadores Associados. Dos 76,99 milhões de reais negociados em fevereiro, os títulos baseados no IPCA responderam por 39,72% do total.
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