XV PRÊMIO TESOURO NACIONAL – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco

POLÍTICA FISCAL E SUSTENTABILIDADE DO CRESCIMENTO

 

 

ARCOVERDE, Bruno de Medeiros.  Os Incentivos Fiscais no Contexto da Extrafiscalidade Ambientalmente Orientada: parâmetros conceituais e experiências empíricas de um importante instrumento de concretização do desenvolvimento sustentável. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Política Fiscal e Sustentabilidade do Crescimento. Brasília (DF).

Resumo: Assunto de grande relevância nos dias atuais, principalmente em razão de seu intrínseco relacionamento com a manutenção das condições de vida humana e o próprio desenvolvimento da humanidade, o meio ambiente tem-se revelado preocupação permanente dos mais variados setores do conhecimento, inclusive do operador do direito, que passou a vislumbrar a utilização de instrumentos jurídicos como forma de concretização de políticas públicas ambientais. O confronto aparente do binômio crescimento econômico x preservação ambiental apresenta-se latente neste contexto, conduzindo os mais variados segmentos da sociedade ao estudo de alternativas que visem minimizar a potencial tensão existente entre estes valores constitucionalmente tutelados, objetivando-se, com este proceder, encontrar a equação usualmente idealizada na adoção de um parâmetro sustentável de desenvolvimento. Neste panorama, ao se valer de instrumentos jurídicos, cada vez mais as políticas públicas adotam uma concepção holística da questão ambiental, o que passa necessariamente pela adoção de uma visão interdisciplinar do direito, concebido enquanto um todo integrado. Celebrando esta perspectiva mais ampla da questão ambiental e trazendo à baila a função premial da norma jurídica, o vertente labor estudará os parâmetros conceituais e experiências empíricas da utilização dos incentivos fiscais, no contexto da extrafiscalidade tributária, enquanto indutores do crescimento econômico sustentável. Adotando-se por norte metodológico um caminho jurídico-político de sentido crítico, analisar-se-ão, nas linhas vindouras, os contornos do que se vem designando, na doutrina, de extrafiscalidade ambiental, centrando-se as atenções, posteriormente, no estudo do manejo dos incentivos fiscais em prol do desenvolvimento sustentável e sugerindo-se, em conclusão, algumas novas propostas de utilização do mecanismo de política fiscal em análise, passíveis de serem aplicadas nos três níveis de governo – União, Estados e Municípios, com vistas a se atingir um meio ambiente ecologicamente mais equilibrado e consequentemente um standard mais sustentável de crescimento econômico.

 

AWAZU, Luís Alberto de Fischer.  Breves Apontamentos Acerca da Intervenção do Estado no Domínio Econômico como Meio de Promoção do Crescimento Econômico. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Política Fiscal e Sustentabilidade do Crescimento. São Paulo (SP).

Resumo: O Estado possui um papel fundamental para o fomento do desenvolvimento econômico. O objetivo deste trabalho é articular a teoria que embasa a intervenção do Estado no domínio econômico - como agente promotor do desenvolvimento, regulador e redutor das desigualdades sociais – com a evolução histórica do desenvolvimento econômico nacional no século XX. Neste sentido, ressalta-se que o Estado passou em determinado momento de nossa história a se articular como o grande agente econômico do país, passando a atuar na unificação do mercado interno, como estímulo ao incremento da base industrial e agente normatizador da economia. Se for verdade que o Estado pode atuar no domínio econômico para suprir as falhas de mercado, por outro lado, cabe este agir dentro dos ditames da lei, em especial o que está disposto na Constituição Federal, em especial de acordo com um projeto nacional de desenvolvimento. A grande questão que se coloca atualmente na possibilidade de o Brasil alcançar um crescimento econômico sustentável, que incorpore distribuição de renda, sustentabilidade ambiental e que se faça dentro dos limites da boa política fiscal, a fim de que não verifiquemos o quadro observado nos anos e início dos 90. Para isto, é necessário que se construa um novo parâmetro de Estado, em todos os níveis da federação, onde se privilegie a eficiência, a adoção e métodos de gestão democráticos que conduzam a atuação estatal transparente passível de aferição por meio do controle social. Por fim, cabe ao Estado se articular para que no século XXI possa ver surgir um estilo de desenvolvimento nacional, baseado na intervenção inteligente do setor público para promoção do crescimento econômico sustentável.

 

 BARRETO, Rafael Siqueira.  Dívida Mobiliária Federal: uma análise para obtenção de uma carteira ótima de endividamento. Brasília: ESAF, 2010. Monografia premiada com o terceiro lugar no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Política Fiscal e Sustentabilidade do Crescimento. Brasília (DF).

Resumo: O presente trabalho tem como objetivo a obtenção de uma composição ótima para a dívida mobiliária federal – DMF, a qual proporcionaria a minimização dos juros pagos e de sua volatilidade. Particular ênfase foi conferida à análise da sensibilidade da estruturação ótima da dívida a variações na ponderação entre volatilidade e juros, combinados em uma função perda hipotética do Governo Federal. Neste contexto, buscou-se evidenciar em que medida  alterações significativas nos percentuais dos papéis componentes da dívida pública (indexados à inflação, juros ou pré-fixados) ensejam variações em sua estrutura, que possam ser tomadas como correlações positivas ou negativas. Os resultados indicam que uma estruturação ótima da DMF pode, consistentemente, reduzir os encargos da dívida em um amplo escopo de cenários simulados por meio do emprego de análise de sensibilidade e simulações estocásticas. Uma restrição imposta foi que esta composição ótima não poderia afetar negativamente as condições para obtenção de superávit primário. Desta forma, a estruturação ótima da DMF seria um fator complementar ao superávit primário para se alcançar a sustentabilidade da dívida. A composição ótima obtida a partir de uma ampla gama de simulações indica a necessidade de um aumento na parcela indexada ao IPCA, representada pelos títulos NTN-B, e uma redução no montante vinculado à Selic, correspondente aos papéis LFT. Finalmente, o presente trabalho conclui pela relevância do estudo da composição da DMF, especialmente em cenários de baixa inflação e maior estabilidade macroeconômica como o atualmente vivenciado no Brasil, para minimização dos custos de rolagem da dívida.

 

BRUNET, Júlio Francisco Gregory; BERTÊ, Ana Maria de Aveline; BORGES, Clayton Brito.     Proposta Metodológica de Análise de Equidade da Regionalização do Orçamento Estadual. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Política Fiscal e Sustentabilidade do Crescimento. Porto Alegre (RS).

Resumo: Este trabalho tem por objetivo propor uma metodologia de análise da equidade na receita e no dispêndio total, incluindo as desonerações fiscais, dos recursos públicos dos orçamentos estaduais, em escala regional, tomando como objeto de análise o Orçamento Estadual do Rio Grande do Sul em 2009. A justificativa reside no fato de que, ainda que a responsabilidade da correção dos desequilíbrios verticais e horizontais entre os entes federativos recaia, sobremodo, à União, não se pode negligenciar a influência dos orçamentos estaduais, dada sua proporção nas economias locais. No primeiro capítulo, é apresentada uma síntese da influência do setor público sobre a economia, considerando suas três principais funções: a estabilizadora, a alocativa e a distributiva. No segundo capítulo, são abordadas questões referentes à regionalização do orçamento e sua importância, com foco no Rio Grande do Sul, e a definição das unidades geográficas, denominadas Conselhos Regionais de Desenvolvimento – COREDEs, utilizadas para analisar a equidade na arrecadação e dispêndio dos recursos do Orçamento Público Estadual. No terceiro capítulo, descreve-se a aplicação da metodologia na análise da equidade dos recursos do Orçamento Estadual do Rio Grande do Sul em 2009, considerando que, em relação à equidade, proporcionalmente, a arrecadação deve ser maior nos COREDEs mais ricos e haver maior despesa nos COREDEs mais pobres, e os níveis de riqueza medidos por meio do PIB per capita. O método utilizado para medir a equidade em relação aos recursos orçamentários do RS baseia-se na aplicação da Curva de Lorenz e do Índice de Gini, calculado pela Fórmula de Brown. No quarto capítulo, é realizada a análise qualitativa dos recursos do orçamento estadual.No quinto capítulo, mostra-se que, embora a discricionariedade para distribuição de recursos seja limitada em função dos critérios de repartição da receita e de vinculações da despesa, é possível melhorar a equidade entre as regiões por meio de políticas públicas orientadas para esse fim.Dos resultados obtidos, por meio da aplicação do método, observa-se que: 1. O orçamento estadual tem maior foco na função alocativa do que na distributiva. 2. A receita orçamentária não é proporcional à renda das regiões, devido à natureza não progressiva da base de incidência do principal imposto do orçamento estadual – o ICMS. 3. Pelo lado da despesa, os gastos tendem a acompanhar o tamanho da população, independentemente de sua renda, devido às principais funções exercidas pelo governo estadual: educação, saúde, segurança e justiça, embora haja uma concentração expressiva na região do município da capital. 4. As transferências de receitas aos municípios, embora menos significativas em relação ao dispêndio total do orçamento, têm como principal critério para sua distribuição o valor adicionado da renda das regiões, reforçando o caráter não distributivo da repartição. 5. Assim, tanto pela natureza da receita, como da despesa, a esfera estadual não é eficaz na promoção da equidade, não obstante a orientação constitucional. 6. Apesar da baixa eficácia na função distributiva, há espaço para políticas públicas, por meio do orçamento estadual, que influenciem em favor da equidade na distribuição dos recursos às regiões.

 

CASTRO, Graziella Magalhães Candido de.  Ampliação do Modelo de Crescimento Endógeno de Barro: a inclusão da tributação indireta. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Política Fiscal e Sustentabilidade do Crescimento. Rio de Janeiro (RJ).

Resumo: O presente trabalho tem como objetivo aprimorar o modelo de crescimento endógeno desenvolvido por Barro (1990), através da inclusão e análise do impacto dos diferentes tipos de tributação indireta, e utilizá-lo para construir cenários prospectivos para o País. Supõe-se que o uso da receita tributária para o investimento público em capital e para aquisição de bens de consumo afeta o crescimento no longo e no curto prazo, e que a natureza da receita está correlacionada com o tipo de gasto. Como representantes da tributação direta e indireta, foram utilizados, respectivamente, os impostos sobre a remuneração dos ativos privados e sobre o consumo. Para avaliar como a tributação indireta afeta o crescimento no modelo de crescimento econômico endógeno aqui desenvolvido elaborou-se simulações do desempenho futuro da economia em um contexto de análise contra-positiva, onde um cenário normativo para a economia brasileira que foi comparada com o desempenho efetivo da economia brasileira, entre os anos de 1977 a 2005.

 

CUNHA, Pedro Maia da.  Análise da Evolução Recente do Endividamento Público Brasileiro. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Política Fiscal e Sustentabilidade do Crescimento. Rio de Janeiro (RJ).

Resumo: O trabalho é dividido em três vetores principais. O primeiro trata da análise do perfil ótimo da dívida pública brasileira atual e do sucesso da recente atuação da Secretaria do Tesouro Nacional no gerenciamento do endividamento nacional. Para tal avaliação a correlação extraída dos resíduos de um VAR (Vetor Autorregressivo) entre as principais variáveis indexadoras da Dívida Pública e uma análise da evolução dessas correlações rolantes ao longo do tempo apontam justamente para a política de redução da exposição da Dívida à moeda estrangeira e aumento da emissão de títulos pré-fixados. O segundo é uma abordagem dos problemas recentes de política econômica brasileira, como a construção de reservas internacionais excessivas e a capitalização de instituições financeiras oficiais, cujo impacto fiscal, às vezes ignorado, tem ganhado importância afetando, de forma decisiva, o tamanho do atual estoque de dívida e a forma como os analistas devem avaliar o endividamento público. Por fim, uma análise dos cenários de longo-prazo é feita através de uma simulação de Monte Carlo para cada um dos cenários de concretização provável. O resultado chama a atenção para o perigo da continuidade da política fiscal vigente durante os últimos anos, cuja conseqüência seria um quadro de crescimento ritmado do estoque da dívida.

 

DINIZ, Carlos Augusto de Oliveira.   A Reforma Econômica da era Fernando Henrique Cardoso e sua Importância para o Fortalecimento do Estado e Erradicação da Pobreza. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Política Fiscal e Sustentabilidade do Crescimento. Parnaíba (MS).

Resumo: O tema do presente trabalho é: A REFORMA ECONÔMICA DA ERA FERNANDO HENRIQUE CARDOSO E SUA IMPORTÂNCIA PARA O FORTALECIMENTO DO ESTADO E ERRADICAÇÃO DA POBREZA. E tem como objetivo demonstrar a importância da reforma econômica realizada no governo de Fernando Henrique Cardoso para o Estado, pois sem economia estruturada não há como garantir os direitos sociais e individuais, bem como erradicar a pobreza e promover a distribuição de renda. A metodologia escolhida foi a de pesquisa bibliográfica. Para que se entenda o objetivo deste trabalho é importante que se tenha noção de como estava a economia nacional antes de Fernando Henrique Cardoso chegar ao Ministério da Fazenda. Por meio de levantamento bibliográfico, os problemas crônicos foram encontrados e apontados nesta monografia. O Brasil vivia um momento muito delicado, a inflação corroia todos os dias parte do valor da moeda. Ocorre que muitos foram os que tentaram controlar a inflação, porém essas tentativas não atacavam a raiz do problema. Fernando Henrique Cardoso foi o Ministro da Fazenda, apoiado por uma competente equipe econômica, que detectou que a crise vivida pelo país era de Estado e não somente na economia. Dessa maneira era necessário que se promovessem reformas no Estado. Em períodos anteriores havia uma política de substituição de importações quando o Estado havia expandido sua máquina para intervir diretamente na economia. Ocorre que essa política somente é eficaz enquanto o Estado tem recursos para manter uma grande máquina. O Estado brasileiro tinha perdido sua capacidade de investimento, logo, não tinha como manter aquela política, os déficits começaram a aparecer, as contas do Estado saíram do controle e o principal problema gerado foi a inflação, o Estado perdera sua capacidade de intervir de maneira eficaz na economia. Com isso o Estado estava indo para a ruína apoiado em uma estratégia esgotada de desenvolvimento. Portanto reformas eram importantíssimas para garantir a sobrevivência do próprio Estado. Reformas que trariam de volta a capacidade de intervenção, o que lhe permitiria retomar o controle da economia. Os resultados encontrados revelam que as reformas foram essenciais para evitar que o Estado mergulhasse no caos. E dessa forma garantiu a efetividade do ordenamento jurídico nacional. Além disso lançou as bases para que o governo posterior tivesse condições de promover a redução da pobreza via distribuição de renda. Hoje segundo dados do IPEA cerca de 13 milhões de pessoas saíram da condição de pobreza extrema. Ademais hoje o Brasil devido a sua economia ocupa posição de destaque e importância no cenário mundial.

 

FORNAZARI, Danilo.  A Conjuntura Pública Rumo ao Crescimento Econômico. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Política Fiscal e Sustentabilidade do Crescimento. Iguatemi (MS).

Resumo: A promoção do crescimento econômico é um dos principais papéis do Poder Público enquanto é basicamente voltado para investimento em infraestrutura ou meios de produção que demandam grandes investimentos que na grande maioria das vezes representam grandes montantes de recursos e baixo retorno imediato. Esse é o papel do Setor Público, atuar onde a iniciativa privada não tem interesse ou mesmo recursos para investir. Dentro desse princípio é preciso fortificar e desenvolver condições para que os municípios sejam os grandes representantes do setor público e os promotores desse desenvolvimento, principalmente porque estão exatamente na ponta da linha de frente, ou seja, estão onde o desenvolvimento realmente acontece. É preciso que o setor público se modernize, vença a ineficiência de sua própria burocracia, liberte o espírito empreendedor de sua mão-de-obra para alcançar o crescimento econômico sustentável que vislumbramos estar no caminho. O Brasil vive hoje, apontado pelos estudiosos da economia, o melhor momento para concentrar todo esforço no caminho do crescimento para alcançá-lo com o menor esforço e o melhor meio para isso é investir nos municípios.

 

 GERARDO, José Carlos.  Receitas Atípicas e Restos a Pagar: implicações sobre o resultado primário do governo central.  Brasília: ESAF, 2010. Monografia premiada com o segundo lugar no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Política Fiscal e Sustentabilidade do Crescimento. Brasília (DF).

 Resumo: O objetivo desta monografia é avaliar se o resultado primário obtido é consistente, onde o termo “consistente” significa que a economia orçamentária primária de fato realizada (resultado primário ajustado) situa-se no mesmo patamar do superávit primário divulgado. Para avaliar a consistência na geração do superávit primário calcula-se o Resultado Primário Ajustado (RPA) do Governo Central, que abrange o Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social para o período 1995-2009. A apuração do RPA consiste em subtrair do resultado primário divulgado pela Secretaria do Tesouro Nacional, as receitas primárias atípicas e o float dos restos a pagar. As receitas primárias atípicas são caracterizadas pela sua natureza não recorrente ao longo dos anos. O float dos restos a pagar é obtido pela diferença entre o valor das despesas primárias inscritas em restos a pagar no final do ano e a soma do valor dos restos a pagar que são pagos no exercício financeiro com o montante de restos a pagar cancelados referentes ao total dos inscritos. Ao descontar o float e as receitas atípicas do resultado primário divulgado apura-se as o resultado fiscal por competência, com o posicionamento de receitas e despesas no exercício financeiro ao qual pertencem. Em síntese, pretende-se apurar o Resultado Primário que, de fato, o Governo Central obteve, com correção de receitas e despesas que distorcem a real magnitude desta variável fiscal e cotejá-lo com o resultado primário divulgado pelo Tesouro Nacional para avaliar a consistência na geração do superávit primário. A importância do tema decorre das implicações que a obtenção do Resultado Primário – que consiste nas Receitas Primárias (total das receitas deduzidas as receitas financeiras) subtraídas das Despesas Primárias (despesas totais deduzidas das despesas financeiras) – na capacidade do governo em pagar a Dívida Pública. Caso o governo não seja capaz de pagar as suas obrigações financeiras os credores se absterão de financiar o governo, restando a opção da emissão de moeda e elevação do patamar inflacionário. Ademais, conforme se sustenta ao longo do trabalho, enquanto o governo se utilizar de receitas atípicas e fizer uso indiscriminado dos restos a pagar, não será possível estabelecer mecanismos críveis de incentivos que aumentem a qualidade do gasto público. Para o período 1995-2009 o Resultado Primário divulgado foi de, em média, 1,69% do PIB. Já o Resultado Primário Ajustado foi de, em média, 0,88% do PIB, ou pouco mais da metade do Resultado Primário divulgado pelo Tesouro Nacional, demonstrando que a geração do Resultado Primário foi inconsistente no período. É possível afirmar que houve benefícios contábeis e econômicos, no curto prazo em os policimakers se mostrarem condescendentes com a tendência de crescimento das receitas atípicas(em média de 0,43% do PIB no período) e do float (em média de 0,38% do PIB)  no período de 1995-2009. Estes benefícios, no entanto, tiveram como efeito colateral, a redução da qualidade na execução orçamentária, e a conseqüente piora da qualidade na alocação dos gastos públicos.

 GOBETTI, Sérgio Wulff.  Dívida Líquida e Dívida Bruta: o efeito da estrutura patrimonial sobre a taxa de juros implícita e a trajetória do endividamento. Brasília: ESAF, 2010. Monografia premiada com o primeiro lugar no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Política Fiscal e Sustentabilidade do Crescimento. Brasília (DF).

Resumo: Esta monografia apresenta uma metodologia, até onde sabemos inovadora, de decomposição e análise da trajetória do endividamento brasileiro a partir da estrutura de ativos e passivos do setor público. Essa abordagem desagregada pareceu apropriada num contexto de mudança na estrutura patrimonial como a que vivemos recentemente, caracterizada pela aquisição de ativos internos e externos e expansão simultânea da dívida mobiliária, principalmente por meio de operações compromissadas. Enquanto a maioria das análises recentes sobre o assunto se resume a apontar a diferença entre as trajetórias da dívida bruta do governo geral e líquida do setor público, procuramos nesta monografia construir um modelo determinístico e matricial que inova ao endogeneizar a taxa implícita de juros sobre o endividamento. Esta taxa depende não só da evolução das distintas taxas que remuneram ativos e passivos do governo como também das modificações na composição patrimonial. Um resultado importante da análise empreendida é o de que a queda na dívida líquida deve ocorrer de forma mais lenta do que o usualmente projetado. A continuidade da atual estratégia de administração patrimonial (e as restrições à expansão da base monetária) possivelmente produzirá um taxa implícita crescente nos próximos anos, a menos que a taxa de juros básica caia substancialmente. Para dar um exemplo, o modelo determinístico padrão, baseado numa taxa implícita exógena fixa e superávit primário de 3,3% do PIB, projeta uma queda na dívida líquida dos atuais 40% para -9,45% do PIB em 20 anos. Contudo, assumindo que a taxa endógena cresce com a acumulação de ativos (mesmo com Selic constante) e impondo que 30% do superávit não pode ser utilizado para resgatar títulos públicos, como hoje, o endividamento cairia apenas para 35,82% do PIB até 2030; ou seja, permaneceria praticamente estabilizado no patamar atual. Além de projetar melhor, por derivar a taxa de juros implícita de maneira endógena, tal modelo permite estimar e comparar os custos fiscais associados às políticas macroeconômicas e às escolhas realizadas no âmbito da gestão patrimonial e das políticas fiscal e monetária. Por exemplo, a acumulação de 1,5% do PIB em reservas internacionais ao ano equivale aproximadamente, em termos de trajetória de longo prazo do endividamento (20 anos), a uma redução do superávit primário de 0,5 ponto porcentual do PIB. Da mesma forma, a esterilização de 30% do superávit primário para fins de política monetária (enxugamento da base monetária) custa, também em termos de trajetória de endividamento, cerca de 1% do PIB de esforço fiscal adicional ao ano. Por fim, vale destacar que esta monografia implicou um considerável trabalho de desagregação e reagrupamento de dados disponibilizados pelo Banco Central, de modo a construir uma base para comparação intertemporal da dívida bruta do governo geral e dos passivos do setor público, visto que hoje essas informações não encontram-se consolidadas na fonte. Esse esforço inicial, que exigiu também que retroagíssemos a metodologia atualmente aplicada pelo BC na contabilidade da dívida bruta, foi crucial para mostrar como evoluiu nos últimos anos a situação patrimonial do setor público.

 

MARQUES JÚNIOR, Karlo; CORREIA, Fernando Motta.  Inflação e Mecanismos de Transmissão do Risco da Dívida. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Política Fiscal e Sustentabilidade do Crescimento. Curitiba (PR).

Resumo: O objetivo do trabalho é estudar a coordenação entre políticas monetária e fiscal em uma economia com regime de metas de inflação em um contexto em que o risco de default é o mecanismo que pode levar à existência de desequilíbrios macroeconômicos. O resultado do modelo nos leva a um importante corolário sobre a coordenação de políticas econômicas, objetivando estabilizar o prêmio de risco ao longo do tempo e, simultaneamente, deixando de ser necessária a elevação da taxa de retorno sobre os títulos públicos com o intuito de conter uma possível fuga de capital e financiar a dívida pública.

 

MESSENBERG, Roberto Pires.  Estabilização de Preços, Ajustamento Externo e Crescimento Econômico. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Política Fiscal e Sustentabilidade do Crescimento. Rio de Janeiro (RJ).

Resumo: Com uma perspectiva keynesiana, o presente texto avalia criticamente os objetivos, os resultados e as possibilidades da política econômica brasileira, desde a estabilização de preços em meados da década de 1990. Infere-se, então, uma debilidade persistente nos fundamentos econômicos do país, como subproduto da operação reiterada dos mecanismos utilizados para a repressão inflacionária. Esta fragilidade tem estimulado o compromisso prioritário da política econômica com a estabilidade provisória das taxas de juro, de câmbio e de inflação na economia, em detrimento da associação positiva entre o crescimento econômico sustentável a estabilidade monetária no longo prazo. Tal combinação requer um rearranjo explícito dos instrumentos de política econômica, com a preponderância da política fiscal sobre a monetária.

 

RODRIGUES, Antonio Alves.  Estabilização e Crescimento Econômico. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Política Fiscal e Sustentabilidade do Crescimento. Belo Horizonte (MG).

Resumo: OS OBJETIVOS são lançar mais luz sobre o tema Estabilidade e Crescimento Econômico, incluindo um “approach” sobre Meio Ambiente que sempre repercutiu sobre este tema e quanto mais passa o tempo, mais ele repercute. OS LIMITES para fazer este trabalho não são de grande monta. Temos uma estrutura eletrônica moderna, um “file” de quadros, gráficos e anotações instalados. Temos acesso a grandes bibliotecas e dois centros de pesquisa. Já fazemos trabalhos semelhantes para quintanistas e para empresas (no que se refere a pesquisa de mercado). Não temos mais patrão e há mais de dez anos somos “home work”. Portanto os limites para fazer esses trabalhos são poucos. A METODOLOGIA foi a da pesquisa na biblioteca do Estado de Minas Gerais (Belo Horizonte) e no Centro de Pesquisa  no 3 º andar da referida biblioteca. Pesquisa na Biblioteca do “campus” da UFMG (área de Ciências Econômicas), Belo Horizonte, incluindo a grande parte dos Anuários Estatísticos da Mineiriana. Biblioteca do CORECON ( Conselho Regional de Economia, 10 ª Região, Belo Horizonte. IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Hemeroteca, junto à Biblioteca (prédio 1). Centro de digitação sênior (anexo à biblioteca. Jornais de São Paulo e Minas (dos domingos, eventualmente de outros dias). Revistas diversas, sendo algumas técnicas (como Conjuntura Econômica), outras não (como Veja). Foi usada também uma modesta biblioteca própria.Foram utilizados recursos eletrônicos tais como e-mail, Google e internet.                                             

 

 SANTOS, Darcy Francisco Carvalho dos.  Situação Financeira dos Estados em Dez Anos da Lei de Responsabilidade Fiscal. Brasília: ESAF, 2010. Monografia premiada com menção honrosa no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Política Fiscal e Sustentabilidade do Crescimento. Porto Alegre (RS).

Resumo: Esta monografia analisa a situação financeira dos estados brasileiros após o advento da Lei de Responsabilidade Fiscal, abrangendo o período 2000-2009, tendo como base, principalmente, o arquivo Execução Orçamentária dos Estados 1995-2009, da Secretaria do Tesouro Nacional [STN 2010]. Inicialmente, foi procedida a uma análise global e sintética,  para depois fazer uma análise com mais detalhamento dos doze principais estados, considerados como tais os de maior receita corrente líquida (RCL) média no último triênio. Tomou-se como principal indicador para avaliação a margem para investimentos, assim entendida com a diferença entre a RCL e a soma das despesas sem os investimentos. Nela, constatou-se que os estados em conjunto apresentaram melhora na sua situação financeira, mesmo que em 2009 tenha havido uma piora, em decorrência da queda da arrecadação em virtude da crise financeira internacional. O resultado primário do conjunto dos estados também cresceu na segunda metade do período considerado em relação à primeira, com o que foi possível cobrir parcelas significativas do serviço da dívida, superando em 100% nos anos de 2007 e 2008. Mas essa melhora, além dos efeitos da Lei de Responsabilidade Fiscal e do acordo da dívida do final da década de 1990, decorreu principalmente do crescimento da arrecadação ocorrida na segunda metade do período em análise. Esse aumento foi acompanhado de um crescimento não proporcional do serviço da dívida, constituindo-se no item que mais contribuiu para o ajuste e também dos investimentos, que, como sempre, são a variável de ajuste. Estes, que na primeira metade da série eram realizados com financiamento de receitas de capital ou com a ocorrência de deficits orçamentários, passaram a ser realizados mediante grande participação de recursos próprios correntes, o que contribuiu para a redução do endividamento. Já a despesa com pessoal, principalmente,  mais as outras despesas correntes (ODC) cresceram num ritmo quase igual ao da RCL, devido a dois fatores: vinculação da receita e rigidez da despesa. Pelos critérios da LRF, a dívida consolidada líquida caiu 48,5% em relação à RCL, tendo havido uma redução de 50% a 92% em 20 estados. Por fim, dos doze estados selecionados, todos estão saneados, mas a maioria obteve essa situação mais pelo crescimento da receita do que pela redução de despesas, propriamente, com exceção do Espírito Santo e São Paulo, que já estavam ajustados no início da série, e de Minas Gerais, que saiu da pior situação entre todos os estados para uma das melhores. A principal conclusão é a de que os estados estão ajustados, embora muitos ainda de forma tênue, com mínimas margens para investimentos e suscetíveis à influência de eventuais quedas de arrecadação, devido ao crescimento vegetativo da folha de pagamento, para cuja redução necessita uma nova reforma da previdência. A permanência de arrecadação alta vai depender do crescimento econômico, tendo em vista a dificuldade de transferir parcela da receita que cabe à União numa eventual reforma, pelas razões analisadas, e na impossibilidade de aumento de carga tributária, por já ser muito alta.

 

SILVA, Júlia Oliveira e.  Extrafiscalidade: efetividade da tributação ambiental na conquista do direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Política Fiscal e Sustentabilidade do Crescimento. Goiânia (GO).

Resumo: Este trabalho trata da tributação ambiental sob o enfoque da extrafiscalidade, abordando-a como instrumento viável para alcance da garantia constitucional de um meio ambiente ecologicamente equilibrado através de estímulo e desestímulo de condutas. Com base em pesquisa bibliográfica, por meio de livros, revistas, jornais, dissertações, monografias e publicações eletrônicas diversas, observou-se que o Estado vem assumindo no final do século XX e início do XXI uma postura interventiva sobre a atividade dos particulares, com intuito de assegurar cada vez mais relevância às questões ambientais. Assim, busca-se demonstrar que sob a diretriz do desenvolvimento sustentável, a atuação do poder público através de mecanismos tributários é capaz de traçar caminhos para que práticas econômicas, bem como o cotidiano da população em geral, sejam compatíveis com o resguardo do meio ambiente ecologicamente equilibrado, garantindo qualidade de vida para as presentes e futuras gerações. Constatou-se que a tributação voltada para o estímulo de práticas ambientalmente favoráveis, que já é realidade em vários países da OCDE, Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, há décadas, ainda caminha a passos lentos no Brasil. Aqui, experiências de tributação ambiental são desenvolvidas de forma bastante tímida e pouco eficiente, a exemplo, como abordado, do IPTU progressivo no tempo. Apesar disso, buscou-se abordar que a doutrina aponta a viabilidade desse mecanismo. Cita-se projeto de Emenda à Constituição Federal através do qual se propõe instituição ampla da tributação ambiental no Brasil como instrumento que represente eficácia de políticas públicas para o desenvolvimento sustentável. Ao final, referência à postura do Brasil no cenário internacional Pós Kyoto, em confronto com a postura interna do governo brasileiro na área ambiental. Propõe-se, com base na análise desenvolvida, tributação mais onerosa sobre produtos que representem grandes prejuízos ambientais, os chamados produtos “sujos”, a partir do que o mercado consumidor tenderá a adaptar-se em direção àqueles menos onerosos, produzidos em padrões de respeito a condições ambientais, os ditos produtos “limpos”. Assim, com a devida ressalva sobre não se tratar de medida capaz de, isoladamente, solucionar a problemática ambiental, conclui-se que a tributação ambientalmente orientada é eficaz para garantia de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. A extrafiscalidade do tributo, portanto, sem significar aumento de arrecadação pura e simplesmente, serviria primordialmente ao estímulo e desestímulo de condutas através de benefícios ou estímulos fiscais. A respeito dos aspectos metodológicos, o tema foi desenvolvido através de pesquisa bibliográfica, sendo utilizado texto em forma de livros, revistas, jornais e publicações eletrônicas diversas, além de referência a textos constitucionais e legais. Dessa forma, foi feita análise geral do tema com posterior abordagem de situações específicas, sendo utilizado, portanto, método dedutivo.Como referencial teórico foram utilizadas de forma especial as obras de Paulo Afonso Leme Machado e Eduardo Sabbag, os artigos de Lídia Ribas e Valbério Carvalho, Omara Oliveira de Gusmão e José Marcos Domingues de Oliveira e a dissertação de Gilson César de Almeida.

 

SILVA, Viviane Aparecida da.   Déficit Público e Taxa de Juros: uma análise de simulação de fluxos e estoques com fatos estilizados das finanças públicas do Brasil. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Política Fiscal e Sustentabilidade do Crescimento. Brasília (DF).

Resumo: Este artigo analisou a possível relação entre o déficit público e as taxas de juros, utilizando um modelo de consistência entre fluxos e estoques (SFC), que segue aquele apresentado em Godley e Lavoie (2007, Cap. 5). Os valores iniciais das variáveis e os parâmetros utilizados para simulação de trajetórias para as variáveis de interesse foram definidos com base em fatos estilizados das finanças públicas do Brasil no período recente. Embora o déficit público seja comumente apontado como responsável pela elevação das taxas de juros em vários estudos, analisando os dados do Brasil no período que vai do ano de 2000 até início de 2010, por meio da contraposição do resultado primário do governo com a taxa de juros de longo prazo real ex ante, não evidenciamos relação positiva entre o déficit do governo e as taxas de juros. A análise feita a partir do modelo simulado também não evidenciou relação positiva entre essas duas variáveis. Por meio da imposição de choques nos gastos do governo e na alíquota de tributação, avaliamos quais seriam os novos comportamentos das trajetórias geradas pelo modelo com relação àquela simulada conforme o cenário básico, em que os gastos do governo e os tributos, bem como outras variáveis, foram balizados nos fatos estilizados das finanças públicas do Brasil atuais. As alterações na política fiscal resultaram em déficit público maior nos períodos subseqüentes ao choque comparativamente ao verificado no cenário básico. As trajetórias geradas, contudo, não mostraram qualquer alteração na taxa de juros de longo prazo, confirmando a visão da teoria keynesiana, que dá suporte a este trabalho, de que não há razões para que o déficit público por si provoque elevações nas taxas de juros. Embora nossa análise tenha se baseado na simulação de um modelo, utilizando fatos estilizados da economia brasileira, a análise empreendida foi essencialmente teórica. O objetivo foi avaliar exclusivamente a relação entre o déficit público e taxa de juros, considerando os aspectos financeiros. A partir dessa análise pode-se questionar o postulado de que o déficit público é um entrave para o crescimento sustentado da economia. Destaca-se que não se pretendeu aqui explorar os efeitos macroeconômicos do déficit público, nem tampouco questões relacionadas à possibilidade de o déficit público provocar crowding-out do investimento privado, mas com base na análise empreendida reafirma-se a validade de uma política fiscal ativa, quando a economia está abaixo do pleno emprego.

 

SIMONASSI, Andrei Gomes; ARRAES, Ronaldo de Albuquerque; ARAÚJO, Denise Xavier; MENEZES, Francisca Lívia.  Reação Fiscal e Solvência das Administrações Públicas Municipais no Brasil. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Política Fiscal e Sustentabilidade do Crescimento. Fortaleza (CE).

Resumo: Considerando duas metodologias tradicionais em sustentabilidade da política fiscal, o estudo contribui com o debate sobre a solvência das administrações públicas municipais incorporando às duas propostas os avanços da econometria com estrutura de dados em painel e desagregando as análises em grupos regionais. Para investigar uma eventual adequação das prefeituras à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), ou ainda expurgar influências da mudança político-ideológica da União sobre o desempenho fiscal na esfera municipal, os exercícios empíricos são repetidos em uma sub-amostra com dados pós-2002. Para cada proposta teórica, um exercício empírico foi realizado. A primeira fundamenta-se no atendimento à Restrição Orçamentária Intertemporal (ROI) das prefeituras e envolve dois testes de raiz unitária em painel de acordo com as propostas de Levin et.al. (2002) e Im et. al. (2003), enquanto a segunda é baseada na proposta de Bohn (1998), que incorpora a importância do comportamento intertemporal da administração pública para consecução do equilíbrio fiscal. Para esta são estimadas funções de reação fiscal com dados em painel para as finanças municipais. Ambas as verificações são ainda especializadas segundo cinco regiões brasileiras e, para as três regiões economicamente maiores, ao nível de seis mesorregiões. Os resultados dos testes de raiz unitária corroboram o atendimento à ROI tanto para o total dos 3939 municípios analisados, como em todas as desagregações definidas e nos dois períodos amostrais, já os resultados para as funções de reação estimadas sugerem que: i) no período 2000-2008 apenas as prefeituras das regiões Norte, Centro-Oeste e Sul praticam uma política fiscal ativa de geração de superávit primário ao aumento da dívida pública; ii) no mesmo período, na região Sul, a mesorregião que não inclui as regiões metropolitanas das capitais determina a solvência regional; iii) há que se distinguir efeitos diferenciados entre mesorregiões quando se incluem as capitais: a situação de insolvência no Nordeste advém das mesorregiões que incluem suas capitais; iv) para o subperíodo 2003-2008, as administrações municipais das regiões Norte e Sul possuem uma política fiscal ativa e; v) dentre as mesorregiões, entre 2003 e 2008 novamente a que não compreende as capitais do Sul e a das capitais do Sudeste satisfazem esta condição de solvência da segunda abordagem. O acentuado crescimento econômico do período recente mostra-se como o responsável pela evolução fiscal das prefeituras das regiões metropolitanas na região Sudeste no período mais recente e a combinação dos resultados obtidos sugere que a sustentabilidade da política fiscal independe do tamanho econômico dos municípios, pois as regiões e mesorregiões que atendem às duas condições de solvência propostas compreendem prefeituras de pequeno e médio porte.

 

SOUSA, Liliane Amaral.  Estado Brasileiro Agente do Crescimento Econômico: com a nova ordem de progresso. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Política Fiscal e Sustentabilidade do Crescimento. Salvador (BA).

Resumo: O objetivo desta obra cientifica é pesquisa aprofundada, por meio da observação, a respeito da anormalidade da função da política fiscal brasileira. A qual vem inibindo os investimentos, devido á coesão da demanda agregada e da retenção de boa parte da renda dos brasileiros. E de contra partida apresenta teorias sobre outros modelos de política fiscal, as quais segregam a função da política fiscal da monetária enfocando a importância da política fiscal ativa é voltada para  o acumulo de capital, cujo objetivo é elevar os financiamentos do crescimento econômico. Incentivando a poupança domestica e o acumulo do capital físico das empresas, priorizando as atividades individuais de cada unidade federativa do Brasil, com auxilio de instituições como os bancos de investimentos e os bancos desenvolvimentos.

 

 

XV PRÊMIO TESOURO NACIONAL – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco

QUALIDADE DO GASTO PÚBLICO

 

 

ABREU, Welles Matias de.  Gestão Estratégica para a Qualidade Total no Serviço Público:  “estudo de caso da Secretaria de Orçamento Federal – SOF”. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Qualidade do Gasto Público. Brasília (DF).

Resumo: A presente monografia visa responder o seguinte problema: qual o papel estratégico do planejamento, planos, planejadores e do design organizacional com vistas a promover a qualidade total na Secretaria de Orçamento Federal - SOF? Para tanto, fixaram-se objetivos no sentido de Identificar e analisar os papéis dos planos, dos planejadores e do design organizacional da SOF com vistas a desenvolver a qualidade total no processo orçamentário, verificando as relações entre o planejamento, o comprometimento, a mudança, a política e o controle, conforme modelo de planejamento estratégico essencial da “escola do design”. As metodologias adotadas foram de pesquisas bibliográficas, em livros, artigos e documentos, disponíveis, principalmente, nos acervos bibliográficos e documentação do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão – MP, bem como a de questionário de pesquisa. Sobre os resultados desse estudo da SOF, destacam-se os históricos levantados da gestão estratégica, a identificação e a análise das partes da organizacional, inclusive sob a ótica do design, com a caracterização da forma atual: “descentralização vertical limitada (paralela)”. Pode-se concluir pela necessária evolução da SOF para uma forma de design organizacional de “descentralização vertical e horizontal seletivas”, com a observação para a fixação da direção, a focalização dos esforços, a definição da organização e prevenção da consistência (com igualdade e ordem, além de criatividade) em sua gestão. Por fim, como um instrumento para gestão estratégica para a SOF, apresenta-se um modelo de gestão estratégico, utilizando como referência o ciclo de PDCA, idealizado por Shewhart (na década de 20) e divulgado por Deming (após II Grande Guerra), com vistas a colaborar com o aperfeiçoamento contínuo dos processos de trabalho da organização, incluindo ciclos constantes de avaliações do processo orçamentário, disseminando a cultura da qualidade total para obter maiores ganhos de eficiência e, consequentemente, maior qualidade no gasto público. Portanto, o aprimoramento da gestão estratégica no processo orçamentário deve ser estimulado para contribuir na melhoria da qualidade do gasto público.

 

AMORIM, Camila Colares Soares de Andrade.  A Concretização do Direito Fundamental Social à Educação a partir da Qualidade dos Gastos Orçamentários e da Legitimidade do Poder Judiciário. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Qualidade do Gasto Público. Recife (PE).

Resumo:  Este estudo teve como objeto de investigação a efetividade do dever fundamental à educação, possuindo como fator principal de observação o dever do Estado e o direito dos cidadãos que compõe a base da sociedade. Procurou-se investigar o Poder Judiciário e sua legitimidade para tomar decisões acerca do orçamento destinado ao Direito Fundamental Social à educação. Cumpre, ademais, observar os resultados de tal interferência judicial enquanto políticas públicas e sua real eficácia para tal direito. Buscou-se, assim, observar e questionar como a educação está sendo respeitada enquanto dever estatal por meio de sua concretização nos diversos setores da sociedade, procurando compreender de que forma uma atuação integrativa dos poderes estatais no paradigma democrático podem contribuir para uma maior eficácia ao direito à educação na realidade periférica.  Trata-se de um estudo com coleta de dados secundários, obtidos na página oficial da internet, do Supremo Tribunal Federal. Os dados de argumentos doutrinários foram obtidos nas páginas oficiais da internet do Portal de Periódicos da CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior e do Conselho Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Direito – CONPEDI. Têm-se, portanto, a realização de uma pesquisa documental associada a um levantamento bibliográfico. Observou-se, a partir da leitura dos artigos científicos que os autores defenderam, em sua maioria, a ausência de efetividade das normas constitucionais sociais. Pôde-se constatar também haver uma dualidade em relação à interferência do Poder Judiciário no orçamento destinado às políticas públicas educacionais, sendo um grupo favorável e outro contrário. No que concerne às decisões dos Tribunais Superiores, estes demonstraram, em sua maior parte, a possibilidade de o Poder Judiciário determinar o uso do orçamento público nas políticas públicas definidas pela própria Constituição. Parcela do gerenciamento dos recursos públicos está sendo feito por uma instituição, o Poder Judiciário, que tem acesso apenas ao micro universo da política de educação. O judiciário não está em contato com o macro ou mesmo com o meso universo da política pública educacional, nada obstante, tem afetado a receita pública deste campo por meio de suas decisões. O que se questiona é a própria eficiência do Poder Público frente à judicialização a partir de situações fáticas. O uso equivocado do orçamento público destinado ao direito social à educação constitui instrumento que pode ameaçar o adequado desenvolvimento do país neste setor. Tal uso inadequado pode comprometer uma série de outras políticas públicas destinadas à educação, uma vez que tais recursos são limitados. É preciso repensar o exercício da atividade jurisdicional, tendo em vista a missão do Poder Judiciário de guarda da Constituição. Questões constitucionais que envolvem a materialização dos planos de governo merecem um juiz capaz de dar-se conta do conjunto de mazelas que assola a sociedade. Atualmente o judiciário tem acesso apenas ao micro universo da política de educação, não sendo possível que o mesmo realize a administração de parcela importante dos recursos referentes a tais políticas públicas.

 

BACETI, Camila Moraes.  Qualidade do Gasto Público: entre a flexibilidade e a responsabilização. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Qualidade do Gasto Público. São Paulo (SP).

Resumo: O presente trabalho visa abordar o tema da qualidade do gasto público em face de duas quesões principais, a flexibilidade e a responsabilização. A flexibilidade diz respeito à execução orçamentária e é questão polêmica, principalmente no tocante à relação entre os Poderes Legislativo e Executivo, pois os mecanismos de flexibilidade orçamentária têm sido vistos como subterfúgio utilizado pelo Poder Executivo para desrespeitar a vontade do Poder Legislativo, manifestada no momento do voto do orçamento. Já a responsablização consiste na evolução das formas de controle das finanças públicas, com vistas à apuração dos resultados obtidos pelo emprego dos recursos públicos, efetivando-se a gestão orientada para os resultados e a lógica de performance, evoluções buscadas pela nova gestão pública. Nesse sentido, procuramos demonstrar que a flexibilidade orçamentária não é necessariamente nociva à qualidade do gasto público. Pelo contrário, desde que acompanhada da devida responsabilização dos gestores, fundada nos resultados, sem no entanto abandonar o controle de regularidade do gasto público, a atribuição de mais flexibilidade aos gestores públicos pode contribuir ao atingimento das metas previamente estabelecidas, eis que os gestores poderão decidir com mais liberdade sobre a forma como se dará a execução orçamentária, visando os resultados almejados e buscando otimizar a aplicação dos recursos públicos, adaptando-a às circunstâncias existentes no momento da execução.  Para demonstrar nosso ponto de vista, analisaremos os mecanismos de flexibilidade existentes, nos interessando à doutina, jurisprudência e legislação sobre o assunto. Além disso serão analisados os mecanismos de controle existentes atualmente. Em seguida, precederemos à análise da doutrina e legislação estrangeiras, principalmente da França, a fim de apreender como tais questões são tratadas em outros países. Por fim, faremos algumas proposições de mudanças, que poderiam contribuir para um tratamento mais adequado das questões da flexibilidade e da responsabilização, para o fim de atribuir uma maior qualidade ao gasto público. Entre as proposições que serão apresentadas destaca-se a atribuição de um papel mais atuante ao Poder Legislativo, a efetivação de um orçamento por programas no interior do qual haja fungibilidade assimétrica entre os créditos atribuídos aos programas de uma mesma missão e a responsabilização dos gestores públicos pelos resultados obtidos, todas essas proposições podendo ser adotadas por ocasião do voto dos projetos de Lei de Qualidade Fiscal, atualmente em trâmite no Congresso Nacional.

 

 BAPTISTELLA, Juliana Carolina Frigo.  Os Impactos dos Programas de Transferência Condicionada de Renda na Desigualdade do Rendimento Domiciliar Per Capita nas Macro-Regiões Brasileiras Pós 2000. Brasília: ESAF, 2010. Monografia premiada com o terceiro lugar no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Qualidade do Gasto Público. Campinas (SP).

Resumo: Este trabalho analisa a importância dos programas de transferência monetária na composição do rendimento domiciliar per capita do Brasil e de suas macro-regiões entre 2001 e 2006 e sua contribuição para a recente queda da desigualdade de renda. Para isso, mede a participação dessa fonte de rendimento na composição da renda domiciliar per capita e a sua razão de concentração, obtidas através da técnica de decomposição do índice de Gini, a partir dos dados das PNAD’s – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2001 a 2006. O estudo mostra ainda a evolução da pobreza e da distribuição de renda no Brasil pós 2000 e as disparidades entre as suas regiões. Apresenta brevemente um histórico das políticas brasileiras de transferência monetária, destacando o Programa Bolsa Família e suas especificidades. Verifica-se expressivo aumento da participação do componente “transferências condicionadas de renda” na formação do rendimento domiciliar per capita em todas as macro-regiões do Brasil, especialmente no Norte e Nordeste onde, em média, essa participação é mais elevada. Além disso, registra-se notável colaboração desse componente para a redução da disparidade de renda nas macro-regiões, seguindo a tendência do país. A despeito da queda do índice de Gini entre 2001 e 2006, as transferências condicionadas de renda tiveram um papel importante, especialmente na Região Nordeste onde essa fonte de renda foi a principal responsável pela redução do Gini. No Norte e Centro-Oeste o componente contribuiu com a segunda maior parte dessa queda, seguindo a tendência do Brasil, e no Sudeste e Sul com a terceira maior parcela. Sugere-se que o Bolsa Família, dada sua magnitude na esfera dos programas de transferência condicionada de renda, teve participação especial na recente queda da disparidade de renda das macro-regiões brasileiras, especialmente após a ampliação da cobertura e focalização de seus beneficiários. Enfim, o estudo colabora com a identificação dos principais determinantes da redução da disparidade de renda no país e contribui para avaliar as políticas sociais adotadas no período, verificando que os recursos gastos com essas políticas estão gerando efeitos significativos sobre a desigualdade brasileira.

 

BARROS, Fabio Henrique Granja e; SAWAYA NETO, Melchior.  Como Avaliar o Programa e Políticas Públicas: estudo de caso do Programa Universidade para Todos (ProUni).  Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Qualidade do Gasto Público. Brasília (DF).

Resumo: O presente trabalho objetiva apresentar uma sistemática de monitoramento e avaliação de políticas e programas com vistas a aperfeiçoar a qualidade do gasto público. Nesse sentido, o arcabouço teórico apresenta questões que devem ser consideradas tanto na formulação de políticas como nas análises realizadas para verificar a eficiência e a eficácia de programas já em execução. Além disso, o trabalho apresentará em sua metodologia um estudo de caso sobre o Programa Universidade para Todos (Prouni). A principal limitação do trabalho foi a falta de publicações a respeito do referido programa.  Utilizou-se no estudo de caso análises quantitativas e qualitativas das bases do Prouni, do Enem e da Pnad. Como resultado das análises do estudo de caso se identificou oportunidades de aperfeiçoamento do sistema de acompanhamento e controle de resultados do ProUni, em especial a confecção da matriz composta por indicadores de eficiência e eficácia.  A primeira análise, a de desenho, avaliou a relevância do problema atacado pelo ProUni e, também, aspectos relativos a custo e eficiência do programa. Constatou-se, utilizando a Pnad, que existe no Brasil uma baixa taxa de participação de estudantes no nível superior e que esse fenômeno está inserido em um quadro de desigualdade de oportunidade de acesso. Segundo as evidências apresentadas esse quadro é gerado, entre outros fatores, porque existe uma ínfima oferta de vagas em instituições de ensino superior (IES) públicas e porque existe baixa capacidade das famílias, em geral, de arcar com custos em IES privadas.  Complementarmente a isso, avaliou-se a relação entre o custo do programa e a oferta de vagas. Dessa forma, observou-se que a subfunção nível superior tem baixo retorno de vagas ofertadas em comparação ao ProUni. A subfunção nível superior teve um orçamento de R$ 11,1 bilhões, em 2007, e permitiu, entre outras coisas, a oferta de 155.040 vagas em instituições públicas. O ProUni, com uma renúncia de receita estimada em 126 milhões, em 2007, gerou uma oferta de vagas a grupos mais carentes de 105.000 vagas. Além disso, foi constatado, com o cruzamento de dados do programa, que existe um número de vagas ociosas muito significativo, aproximadamente 35%, em 2009.  Na segunda parte do estudo de caso analisou-se os controles do ProUni voltados para o acompanhamento da gestão. As evidências permitiram concluir que a sistemática atualmente utilizada para monitorar o ProUni é incapaz de garantir informações adequadas e suficientes para os tomadores de decisões. Assim, entendeu-se ser necessário propor um sistema de monitoramento e avaliação que incorpore indicadores de eficiência e eficácia que forneçam informações para acompanhar o cumprimento de objetivos relacionados às principais dimensões dos programas.  Nesse sentido, as contribuições do trabalho referem-se a apresentação de metodologia de avaliação do contexto social e econômico em que o programa se insere, bem como de montagem de uma matriz de indicadores e de metas, como a que foi apresentada para o ProUni.

 

 COSTA, Edward Martins; RAMOS, Francisco de Sousa; SOUZA, Hermíno Ramos de. Mensuração de Eficiência Produtiva das Instituições Federais de Ensino Superior – IFES. Brasília: ESAF, 2010. Monografia premiada com o segundo lugar no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Qualidade do Gasto Público. Natal (RN).

Resumo: Este trabalho discute um importante ponto que faz parte do arcabouço da educação superior brasileira, tendo como ênfase as Instituições Federais de Ensino Superior (IFES). Examina a fronteira de eficiência da educação superior pública federal através de uma metodologia não paramétrica denominada Análise Envoltória de Dados (DEA). Foram estimadas as fronteiras estáticas de cada ano e a fronteira dinâmica, bem como foi avaliado o índice de Malmquist, que verifica a produtividade através de painéis. A mensuração foi realizada através de alguns indicadores educacionais de gestão (os inputs e os outputs do processo produtivo) fornecidos pelas próprias instituições, cujo período se estendeu de 2004 a 2008. O conjunto total das IFES (49) foi dividido em dois subconjuntos – o grupo A contendo 28 instituições e o grupo B contendo 21 – a fim de minimizar a heterogeneidade existente no setor. Os resultados das estimações das fronteiras de eficiência do modelo estático e do modelo dinâmico apontaram semelhanças, podendo ser consideradas em sua grande maioria fronteiras níveis de scores de eficiência elevados.  Por outro lado, a variação de produtividade das IFES em cada painel mostrou queda de produtividade para a maioria das IFES. Esses resultados mostram que apesar das fronteiras apresentarem baixos scores de ineficiência, houve um deslocamento da fronteira técnica de eficiência para um nível inferior, indicando que pode estar havendo deterioração do produto educacional ao longo do tempo.

 

DIAS, Rodrigo Hitoshi.  Eficiência da Atenção Primária à Saúde nos Municípios Brasileiros. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Qualidade do Gasto Público. Brasília (DF).

Resumo:  O Sistema Único de Saúde (SUS) surgiu em 1988 com a promulgação da Constituição Federal, visando à universalização, equidade e integralidade no acesso aos serviços de saúde. A atenção básica possui um papel importante na reorganização do sistema de saúde e no alcance dos objetivos propostos pela Carta Magna, sendo o único nível de prestação de serviços de saúde disponível em todos os municípios brasileiros. Para avaliar a eficiência na prestação de serviços da atenção básica pelos municípios brasileiros utilizou-se a metodologia Data Envelopment Analysis – DEA. Com o objetivo de gerar estimativas mais robustas dos índices de eficiência, foi aplicado um procedimento para detecção e remoção de outliers, conhecido como Jackstrap. Em seguida, foi utilizada uma análise de regressão para avaliar a influência de fatores externos à prestação de serviços da atenção básica. Estavam associados a melhores índices de eficiência municípios das regiões Norte e Nordeste, assim como municípios com melhores índices de desenvolvimento municipal, maiores portes populacionais, melhores saneamentos, maiores proporções de crianças na população municipal e com a escala dos estabelecimentos. Por outro lado, características como proporção de população idosa, maior relação de profissionais médicos para enfermeiros e ser capital estavam associados a menores índices de eficiência. A cobertura de planos de saúde e a presença de hospitais nos municípios não apresentaram significância. Apesar de apontar para características municipais que podem estar associadas a uma prestação de serviços mais eficiente, esses resultados devem ser vistos com cautela, pois uma oferta de serviços mais eficiente não significa necessariamente uma prestação de qualidade nem uma distribuição equitativa de recursos de saúde.

 

LÉO, Felisberto Antonio.  Como Saber Quanto Gasta um Serviço Público Instalado num Prédio do Governo Federal: uma utopia ou um direito e uma ação decisiva da sociedade brasileira?  Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Qualidade do Gasto Público. Rio de Janeiro (RJ).

Resumo: O Brasil tem dinheiro para fazer do seu povo uma verdadeira nação ? Bem educada, com muita saúde, com trabalho digno e uma habitação simples mas que possa ser melhorada pela própria pessoa, segundo suas posses, sem endividamento ? A resposta é positiva. A voracidade da arrecadação dos impostos, os encargos sociais sobre a folha de pagamento e as outras taxas indiretas integrantes do chamado custo Brasil, não deixam dúvida. Este país tem muito, muito mesmo dinheiro, mas tem uma péssima administração dos seus bens e direitos. Os bens, dentre outros são todos os imóveis, as estradas abandonadas, as ferrovias desativadas, os prédios do antigo D N E R ( Departamento Nacional de Estradas de Rodagem ) abandonados pelo Brasil inteiro que junto com os terrenos da extinta RFFSA – Rede Ferroviária Federal, com a sua área junta, se estivesse num só lugar, quase que daria para formar um novo estado brasileiro de tão grande, tão imensa. E quando falamos de valores não recolhidos aos cofres públicos e cujas ações judiciais de cobrança, resultaram em sequestro dos bens ou de arresto judicial, podemos concluir que ai está outra aberração. São terrenos, casas e apartamentos invadidos, ocupados irregularmente por pessoas não autorizadas. Se formos então listar os bens que estão com ordem de busca e apreensão e são escondidos, ou quando aprisionados  são colocados num local sem nenhuma proteção e são amplamente utilizados por pessoas não autorizadas ou simplesmente beneficiadas por padrinhos que autorizam seu uso, indevido e incorreto, são os exemplos mais gritantes e revelados no dia a dia dos jornais e das ações policiais, promovidas pelo Ministério Público. Daí, podemos concluir algumas coisas : A máquina fazendária brasileira arrecadadora voraz, poderia ser mais branda, se tudo o que é de direito do Tesouro Nacional, estivesse dentro do seu cofre. Muitas coisas são proteladas e deixadas de lado, pois há muito dinheiro em jogo e as autoridades movimentam muitos interesses. Estamos falando de um patrimônio imenso e de valores altos, tudo abandonado. Durante vários anos, fica muito claro que a sociedade brasileira não participar, não ter instrumentos identificadores da gestão pública, onde ninguém tem responsabilidade sobre nada, pois tudo é “ muito difícil “ de resolver, não tem jeito, sempre foi assim e etc. É preciso ter coragem para exigir de nossos políticos, principalmente estes que estão assumindo o poder agora. È preciso exigir que daqui para frente nenhum imóvel ou direito que represente valor para os cofres do Tesouro Nacional, não seja abandonado ou colocado de lado. É preciso que o cidadão comum, entre na internet, vá num telefone público ou faça uma petição ao Ministério Publico e peça providencias simplesmente dizendo : não aceito que um prédio seja invadido por marginais imobiliários em detrimento do caixa da previdência social que paga mal aos seus segurados e bate nos idosos do nosso Brasil.  Os brasileiros precisam assumir a direção da qualidade do gasto público. Precisam, imediatamente.

 

LIMA, Lara Cristina Caixêta Machado de; LIMA, Diana Vaz de.  O Papel da Receita Própria das Universidades Públicas Federais para a Manutenção e o Cumprimento da sua Função Social: um estudo de caso na Fundação Universidade de Brasília. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Qualidade do Gasto Público. Brasília (DF).

Resumo:  Estudos no âmbito do ensino superior têm apontado para um fenômeno global que é a descapitalização da universidade pública gratuita em decorrência da menor disponibilidade de recursos públicos e do aumento dos custos. Para equalizar a situação, universidades públicas federais brasileiras têm captado recursos no mercado para complementar o orçamento do Governo Federal/MEC que tem sido insuficiente para a manutenção e o atendimento de demandas que fazem parte da sua função social. Este trabalho tem como objetivo analisar, no período de 2005 a 2008, o papel da receita própria dessas instituições, em especial da Fundação Universidade de Brasília, objeto do estudo de caso, para a manutenção, a universalização do acesso, a permanência do estudante carente na instituição e a prestação de serviços gratuitos à sociedade. Para a realização do estudo, foram analisados os recursos orçamentários destinados pelo Governo Federal/MEC, em comparação com a receita própria gerada por essas instituições. O trabalho mostra que foram destinados às universidades, na subfunção Ensino Superior, R$ 9,3 bilhões, em média, no quadriênio. Embora seja um volume expressivo de dinheiro público, tais recursos têm sido insuficientes para financiar integralmente o custo corrente dos mais de 600 mil estudantes matriculados em cursos de graduação presenciais. O estudo apontou que no caso específico da FUB, a proporção da receita própria em relação ao total do orçamento de custeio e de investimentos destinados pelo Governo Federal/MEC na fonte 112 foi de, respectivamente, 309,6% e 622,8%. Conclui que, apesar da relevância, somente em 2010 aumentou a liberdade das universidades para a gestão das receitas próprias, e que há muito a explorar nessa fonte de recursos para que essas instituições, a exemplo do que vem acontecendo na FUB, possam cumprir seu papel social.

 

MEDEIROS, Eliane Balvedi.  Proposta de Eficácia do Gasto Público. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Qualidade do Gasto Público. Caçador (SC).

Resumo: Para garantir um equilíbrio na economia política é necessário colocar em pratica as idéias que dão certo no papel, com objetivo de propiciar o entendimento do processo econômico da economia política, visando a qualidade da reforma e todo o mecanismo, a fim de não errar analisamos países que acharam o plano adequado na administração. O objetivo principal é o equilíbrio anual fiscal junto do processo informatizado e a reestruturação , o ajuste fiscal de orçamento, de anual para trimestral; sabemos que ganhar bem é também saber gastar adequadamente, nossos déficits externos exigem maiores pagamentos de juros e o investimento interno fica cada vez mais aguardar, a dinâmica da valorização cambial permite que o capital interno cresça, mas os gastos sociais acompanham; propormos uma retomada da soberania nacional, transitando uma vendas per capita  mais voltada ao mercado interno e a população de média renda.  Com as privatizações e rupturas de monopólios públicos, o estado escolheu ainda mais o investimento perdendo a capacidade de conduzir as principais políticas setoriais e regionais; é indispensável reestruturar as dividas internas e externas, para desafogar a critica situação das finanças publicas e do balanço de pagamentos, visando em tempo real o controle de fluxo de capitais, entretanto nesta transição a implantação de uma política emergencial de abastecimento e posteriormente uma política estratégica de segurança. Para atingir nossos objetivos, temos que nos libertar do nepotismo. Colocar em funcionamento todo um projeto e a formular as políticas de curto, médio e longo prazo; é agilizando e reabilitando o funcionalismo público e priorizando o gasto público.  O grande propósito do gasto público é melhor qualidade de vida dos cidadãos. Devemos ainda ter o comprometimento do poder público (união, estado, municípios)  em usar somente o limite de recursos agregados a uma determinada aquisição seja em  caráter normal ou emergencial; entretanto o gasto deve ser priorizado com o objetivo central e definido. Todo e qualquer esforço, reforça a confiança na solvência do setor público, e em decorrência possibilita menores custos de financiamento, criando um ciclo virtuoso de crescimento; a enorme diversidade existente entre os estados faz com que sugestão no sentido de redistribuir encargos e receita, somente possa ser feita depois de uma minuciosa análise do impacto que teria nas diferentes administrações. Sendo assim o maior objetivo de por em prática, todo o processo de ajuste fiscal e criar condições de aceleração do crescimento econômico de forma sustentada e real.

 

MOTA, Maria José Rodrigues Duarte.  Qualidade do Gasto Público: eficácia e qualidade do investimento público no Brasil. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Qualidade do Gasto Público. Umirim (CE).

Resumo: Este artigo tem por objetivo primordial analisar sobre quais são os gastos públicos atuais e do passando. Bem como observar quais tem sido as propostas de melhorias apresentadas  e as ações de planejamento e de controle do uso dos recursos visando à melhoria do investimento público em infra-estrutura no Brasil. Para tanto foram levantados os critérios legais e operacionais que o Estado deveria seguir para que atingisse eficientemente os seus objetivos na aplicação desses recursos, no intuito de promover o crescimento econômico do país. Classificação dos gastos públicos segundo a finalidade, natureza e agente (classificação funcional e econômica) a classificação funcional da despesa é composta por um rol de funções e subfunções pré-fixadas, agregando os gastos públicos por área de ação governamental, nas três esferas. Por ser de aplicação comum e obrigatória no âmbito dos municípios, dos estados e da união, a classificação funcional permitirá a consolidação nacional dos gastos do setor público. As funções têm subfunções atreladas, mas as subfunções podem ser combinadas com diferentes funções daquelas as quais estejam vinculadas.o que se constatou foi um grande desperdício na aplicação das despesas em investimentos, causando um impacto negativo nas finanças públicas nacionais. Falar em gasto público é discorrer sobre a utilização da receita orçamentária do Estado brasileiro. É de correntia sabença que o Estado Fiscal sobrevive às expensas dos tributos, portanto, de receita derivada na linguagem do Direito Financeiro. Destarte, não é nenhum absurdo retórico afirmarmos que o gasto público é em última análise: o gasto do tributo arrecadado.Assim, percebe-se a necessidade de se conhecer mais sobre os gastos públicos já que o mesmo será responsável por todo investimento feito em nosso país. Alem de a implementação dos mecanismos de fortalecimento do planejamento e do controle dos gastos públicos contribuirá para elevar a eficiência dos dispêndios em infra-estrutura no Brasil. Diante dessa situação encontrada foram elaboradas propostas para a melhoria da qualidade dos gastos públicos, após a utilização de análises de demonstrativos contábeis governamentais e de relatórios de fiscalização elaborados por órgãos de controle da administração pública.

 

PEDROZA, Samuele Gomes.  Programa de Aceleração do Crescimento.  Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Qualidade do Gasto Público. Brasília (DF).

Resumo: O Programa de Aceleração do Crescimento retomou o planejamento e unificou ações do Estado com a iniciativa privada. O PAC tem como meta estimular o crescimento da economia promovendo uma maior distribuição de renda, que visa a redução da pobreza e a inserção do povo brasileiro ao mercado de trabalho. O PAC inova ao estabelecer investimentos na área social e urbana, pois isso não era comum de acontecer em planos de crescimento econômico. O objetivo do PAC é elevar a taxa de crescimento do Brasil para cerca de 5% ao ano durante a vigência do programa, sem crescimento da inflação e sem endividamento do setor público. As medidas do PAC estão organizadas em cinco Blocos: Estímulo ao crédito e financiamento, melhoria do ambiente e investimento, desoneração e administração tributária, medidas fiscais de longo prazo e consistência fiscal. Dentre os investimentos divulgados estão compreendidos a soma dos investimentos públicos diretos, investimentos das estatais, financiamentos dos bancos oficiais e investimentos privados para atingir o total previsto de R$ 656,5 bilhões entre o período de 2007 e 2010. O PAC não leva em consideração aspectos essenciais para o crescimento econômico de médio e longo prazo do Brasil, falta investimentos na melhoria da educação no país, estímulo a pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias, redução dos custos de transação para investimentos produtivos e a simplificação do sistema tributário. Observa-se que o programa precisa de aperfeiçoamento considerando o grande volume de recursos aplicados, deve-se melhorar a alocação e a administração dos recursos, tornando mais eficiente e transparente. Uma das maiores deficiências do PAC é a falta de gestão do governo, a maioria dos projetos que foram realizados foram conduzidos pelas empresas, principalmente pela Petrobrás. Outro fator que merece destaque é a dificuldade que o governo tem em avaliar o programa, não existe uma base de dados única que permita o adequado acompanhamento das ações no âmbito do PAC no que diz respeito aos gastos das Estatais. O SIAFI (Sistema Integrado de administração Financeira) registra somente a execução das ações pertencentes ao Orçamento Fiscal e de Seguridade Social, esse sistema não permite o acompanhamento por empreendimentos e não contempla os dados de execução física. Os resultados apresentados no décimo balanço do PAC demonstram que apenas 46,1% das ações foram concluídas, confirmando que o programa tem sido pouco eficiente para buscar um novo padrão de qualidade do gasto público no Brasil. É necessária a criação de mecanismos de gestão que permitam a avaliação de resultados e sugestões de medidas que visem a implantação das ações estabelecidas no programa de aceleração de crescimento, promovendo uma maior participação da sociedade sobre o acompanhamento das contas públicas.

 

PEREIRA, Ana Lucia Pretto.  Propostas de Realização do Princípio da Eficiência Administrativa: a satisfação das necessidades humanas em um contexto de recursos públicos limitados a partir de uma perspectiva jurídico-constitucional. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Qualidade do Gasto Público. S.J. Pinhais (PR).

Resumo: A Constituição brasileira de 1988 cobra dos poderes constituídos a realização de políticas públicas orientadas à satisfação das necessidades sociais. Para a criação e execução de tais políticas, é necessário o gerenciamento de recursos públicos escassos. Essas necessidades sociais são constantes, e infinitas, ao passo que os recursos públicos são limitados. Por isso, o manejo adequado de ferramentas jurídicas é imprescindível à boa elaboração e execução do orçamento público. Umas dessas ferramentas é o princípio da eficiência. Por isso, no presente estudo, apresentam-se propostas de realização do princípio da eficiência, com olhos voltados para o ordenamento jurídico brasileiro. Antes, porém, é feita uma delimitação acerca do que são as necessidades humanas a serem satisfeitas pelos Poderes Públicos, e quais os limites jurídico, econômico e político a essa satisfação. Em seguida, apresentam-se as propostas de realização do princípio da eficiência administrativa, nas perspectivas de otimização e de controle. Como percurso metodológico foi utilizado pesquisa teórica, jurisprudencial e legal, posteriormente analisada e sistematizada. Os objetivos do trabalho podem ser assim resumidos: i) identificar qual é o campo das necessidades humanas, e quais são as necessidades humanas fundamentais que não podem aguardar para serem atendidas; ii) mostrar como o ordenamento jurídico cobra dos poderes constituídos o atendimento dessas necessidades; iii)  mostrar que há limitações jurídicas, econômicas e políticas à realização de tais necessidades; iv) relacionar o atendimento dessas necessidades com uma melhor operabilidade do princípio da eficiência administrativa; v) propor caminhos para a realização do princípio da eficiência administrativa dentro de um espaço democrático. Durante as pesquisas, houve a dificuldade de encontrar textos que tratassem especificamente sobre a abordagem que se pretendeu dar ao tema. Após esse percurso, concluiu-se, sucintamente, que: i) existem limitações jurídicas, econômicas e políticas que fazem com que as necessidades humanas (não fundamentais) sejam atendidas apenas progressivamente no tempo; ii) essas limitações cobram dos agentes políticos maior eficiência no manejo dos recursos públicos escassos, que compõem as dotações orçamentárias; iii) a cobrança pelo agir eficiente leva à releitura de postulados clássicos do direito, como a legalidade e o princípio da separação dos poderes; iv)  o agir eficiente do administrador depende de uma atuação conjunta com os demais poderes, seja no que diz respeito à otimização do princípio, seja no que diz respeito ao controle sobre sua operabilidade. No espaço democrático, também a sociedade é chamada a participar do gerenciamento dos recursos escassos, e a contribuir para a realização da justiça social. Finalmente, o trabalho pretende contribuir para o debate acerca dos limites e possibilidades do agir administrativo no gerenciamento de recursos públicos, com ampla participação e controle dos demais poderes, mas, também, por igualmente relevante, da sociedade civil, que tem sua parcela de responsabilidade, além de ser diretamente interessada na atuação eficiente dos poderes constituídos.

 

PEREIRA FILHO, Oliveira Alves.  Orçamento por Resultados na Prática: uma proposta de indicadores para a alocação de recursos no setor de segurança pública. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Qualidade do Gasto Público. Brasília (DF).

Resumo: Esta monografia propõe uma aplicação prática do conceito teórico de orçamento por resultados, sugerindo um método transparente e funcional para a alocação dos fundos públicos ao setor de segurança, aplicável tanto às particularidades dos orçamentos dos entes subnacionais quanto às decisões de descentralização do Governo Federal (despesas discricionárias do Fundo Nacional de Segurança Pública e do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania e obrigatórias do Fundo Constitucional do Distrito Federal). Assim, as determinações de crescimento, de redução ou de repartição federativa nesses orçamentos passariam a ser condicionadas ao desempenho dos outcomes (resultados) oferecidos à sociedade pelo ente público responsável por tais serviços, aqui avaliados por 3 (três) indicadores coerentes com o conceito de efetividade, ou seja, em consonância com os resultados e com os impactos da atividade pública sobre os cidadãos beneficiários. De posse desses indicadores, os quais podem ser considerados práticos (fácil cálculo e averiguação), abrangentes (cobrem todo o território nacional de 2001 a 2008), confiáveis e, principalmente, flexíveis, defendemos que o gestor de políticas públicas pode então decidir sobre a aplicação (ou não) de diversos critérios técnicos para o crescimento, a redução ou a repartição (no caso de transferências) desses valores orçamentários, sejam essas resoluções pautadas pelo mérito (entes com melhores índices de efetividade receberão mais recursos como prêmio pelo seu desempenho), pela equidade (entes com maiores taxas ou menores volumes financeiros aplicados em segurança serão beneficiados como forma de estímulo à sua melhora) ou ainda por critérios mistos que considerem combinações entre o juízo puro de excelência em resultados/impactos e aqueles baseados no reforço de cunho mais assistencial, emergencial e/ou humanístico. Tal iniciativa se justifica na medida em que no setor de segurança pública brasileiro (Federal e Subnacional) predominam, assim como em outras searas públicas, alocações de recursos e repartições federativas baseadas em diversos critérios (eficácia financeira, incrementalismo e decisões midiáticas e/ou populistas) que, em resumo, não levam em consideração os impactos e os resultados de tais decisões sobre a população beneficiária (público alvo), agravando-se com isso a nociva heterogeneidade federativa há muito predominante no país. Assim, a fim de romper com tal sistemática nosso primeiro indicador preocupa-se em captar os resultados à população por meio do nível ou do patamar da taxa de homicídios, o que significa dizer, em outras palavras, mapear entes que desagradam seus cidadãos na medida em que em seus territórios predominam a desordem social e perdas significativas de capital humano. O segundo indicador enuncia a contabilização dos esforços governamentais, mesmo que marginais, via averiguação dos resultados oriundos das variações na taxa de homicídios (tendências de queda ou de elevação, descontando-se o “efeito patamar”). Por fim, o terceiro indicador contribui com a feitura de um orçamento por resultados ao mensurar o custo-efetividade relativo das políticas de segurança, tornando-se ferramenta valiosa para nortear decisões gerenciais que busquem parâmetros de racionalidade e qualidade no gasto público em segurança.

 

QUEIROZ, Maria de Fatima Medeiros de.  Qualidade do Gasto Público em Saúde: um estudo de caso no município de Parnamirim/RN (2001/2007). Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no  XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Qualidade do Gasto Público. Parnamirim (RN).

Resumo: Analisa a qualidade do gasto publico em saúde, no que se refere à eficiência e a distribuição espacial e social dos recursos no município de Parnamirim, localizado na Região Metropolitana de Natal, estado do Rio Grande do Norte. O gasto público é um tema que tem estado presente nas agendas políticas das diversas esferas governamentais, isto é, União, estados e municípios. O estudo realizado mostrou que, apesar dos municípios fazerem parte do mesmo ambiente institucional e estarem submetidos às mesmas leis, aos mesmos controles, ostentam distintos desempenhos quanto à qualidade do gasto. Diante disto, formulou-se a seguinte questão de pesquisa: o aumento do gasto público no município de Parnamirim determinou uma melhoria qualitativa proporcional aos recursos recebidos, ou ao contrário, mais dinheiro não significou, necessariamente, maior eficiência no gasto público em saúde? Que fatores explicam este comportamento? O pressuposto básico que norteou este trabalho admite que a qualidade do gasto público na função saúde está associada a um conjunto de fatores, entre os quais se sobressaem a alocação de recursos e a qualidade da governança. Para o alcance desse objetivo, combinou-se dois métodos de análise: o “Índice de Qualidade do Gasto público (IQGP)”, e a Incidência de Beneficio (“Benefit Incidence”). Como esses métodos não possibilitam diagnosticar a distribuição espacial dos recursos públicos, adicionou-se a metodologia abordada por MARQUETTI (2003). Dessa forma, o modelo de análise desta monografia ficou então composto da seguinte forma: GP = EFICIÊNCIA + DISTRIBUIÇÃO SOCIAL + DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL. Os resultados indicam que em Parnamirim houve qualidade do gasto público em saúde embora, tenha variado no período em análise; o gasto incide simetricamente entre os diversos grupos sociais e observa-se a existência da descentralização dos estabelecimentos de saúde pública. Logo, a eficiência do gasto público deve-se não somente ao aumento do recurso destinado a função saúde, mas principalmente, a prática da boa governança na gestão pública.

 

SANTANA, Andréa Vieira de.  Orçamento Participativo de Camaçari de 2005 até 2008. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Qualidade do Gasto Público. Camaçari (BA).

Resumo: O estudo sobre o Orçamento Participativo de Camaçari de 2005 até 2008 tem como objetivo avaliar as transformações dessa experiência no Município, analisar o processo de implantação, identificar, assim como suas repercussões, alcances e empecilhos. O método foi o hipotético-dedutivo, cujo problema foi: Existem obstáculos que inviabilizam que Camaçari alcance o(s) objetivo(s) do OP? Para responder a esta questão levantou a hipótese de que o Orçamento Participativo nem sempre alcança os objetivos estabelecidos, uma vez que não há uma participação efetiva da população no controle da implantação. Para o desenvolvimento deste trabalho foi realizada revisão bibliográfica sobre o assunto, levantamento de dados diretamente junto aos órgãos da Prefeitura de Camaçari e pesquisa documental na Coordenação do OP desse município. A sistematização de informações foi realizada em quadros e tabelas estruturados especialmente para esta pesquisa. A partir destes se evidenciaram os fatos relevantes que fundamentam as análises e considerações levantadas por este trabalho, confirmando-se a hipótese. Em conclusão, percebe-se a necessidade da Sociedade participar de todas as etapas do Orçamento Participativo, a fim de assegurar o cumprimento do estabelecido entre a população e a gestão.

 

 SANTOS, Eduardo Martins dos.   Restos a Pagar não Processados: um estudo da viabilidade de uso como indicador de desempenho dos gestores públicos. Brasília: ESAF, 2010. Monografia premiada com o primeiro lugar no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Qualidade do Gasto Público. Brasília (DF).

Resumo: Este estudo tem como objetivo avaliar a viabilidade de utilização dos dados referentes aos Restos a Pagar não Processados como base de um indicador de desempenho da gestão orçamentária dos entes públicos. A pesquisa tomou por base os valores constante dos demonstrativos de contas públicas disponibilizados pela Secretaria do Tesouro Nacional, bem como extrações efetuadas no portal Siga Brasil, gerenciado pelo Senado Federal, referentes aos exercícios de 2001 a 2009, com um total de 19.064 unidades gestoras analisadas. A relevância dos valores inscritos em Restos a Pagar não Processados no exercício de 2009 pode ser observada pelo valor absoluto dessa inscrição – R$ 68 bilhões, valor superior ao orçamento do Ministério da Saúde para o exercício de 2010. Definiram-se como orçamento gerenciável, para avaliação de desempenho da gestão, os recursos orçamentários referentes aos grupos de natureza de despesa 3-outras despesas correntes, 4-investimentos e 5-inversões financeiras. Apurou-se, ainda, que as liberações de recursos orçamentários no segundo semestre dos exercícios financeiros analisados tem um alto grau de interferência nos montantes inscritos em Restos a Pagar não Processados, sendo, contudo, possível excluir os efeitos dessa interferência para utilizar o indicador de desempenho proposto no estudo. Por fim constatou-se que as alterações no reconhecimento dos Restos a Pagar não Processados como elementos do passivo, promovidas pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN) não interferem na apuração do indicador e tendem a trazer maior grau de confiabilidade aos registros contábeis; demonstrou-se a fórmula do indicador de desempenho com base nas inscrições de Restos a Pagar não Processados, aplicou-se a metodologia nas unidades gestoras constantes da amostra e concluiu-se ser viável a utilização dos registros contábeis referentes aos Restos a Pagar não Processados como base para um indicador de desempenho da gestão, desde que observados a interferência das liberações de recursos orçamentário no segundo semestre e no quarto trimestre.

 

SANTOS, Paulo Sérgio Almeida dos; LAVARDA, Carlos Eduardo Facin.  Inter-Relações entre os Indicadores Socioeconômicos e Orçamentários dos Estados Brasileiros entre 2000 e 2008. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Qualidade do Gasto Público. Blumenau (SC).

Resumo: A teoria dos bens públicos e das externalidades visa analisar a eficiência na utilização dos recursos pelo setor público. Se por um lado os bens privados são rivais e excludentes, os bens públicos podem ser usufruídos por várias pessoas sem que ocorra prejuízo a qualquer uma delas. Dessa forma, os gestores públicos enfrentam dificuldades quase insuperáveis na consecução de níveis ótimos de bens públicos. Sendo assim, corrobora-se que os bens públicos são produtores das externalidades, sejam elas positivas ou negativas. Neste contexto, este estudo objetivou identificar a existência de inter-relações entre os indicadores socioeconômicos e orçamentários dos estados brasileiros entre 2000 e 2008. O referencial teórico utilizado versou sobre teoria microeconômica dos bens públicos e das externalidades, bem como sobre orçamento público. A metodologia deste estudo quanto aos objetivos foi descritiva, quanto aos procedimentos foi documental e no que se refere à abordagem do problema considerou-se como sendo de cunho quantitativo. Foram trabalhadas seis variáveis, sendo que três foram variáveis dependentes, relativas aos indicadores socioeconômicos e três foram explicativas, referentes aos indicadores de eficiência orçamentária. Após ter-se trabalhado os dados por meio das estatísticas descritivas e, em seguida da técnica multivariada de análise de dados de correlação canônica, os resultados apontaram que no período entre 2000 e 2008 a média de IDH dos estados brasileiros foi igual a 0,76, o mínimo correspondeu a 0,65, enquanto que o máximo foi de 0,90. O PIB per capita médio dos estados brasileiros no mesmo período foi equivalente a 8,89 mil, enquanto que o máximo atingido foi de 42,32 mil e o mínimo de 1,62 mil. No período, 25% dos estados apresentaram déficits financeiros, a metade deles conseguiu apresentar equilíbrio orçamentário e 25% deles obtiveram superávits em seus orçamentos. Adicionalmente, por meio do indicador orçamentário corrente, verificou-se que grande parte dos estados demonstrou superávit corrente; ao contrário, por meio do indicador orçamentário de capital, os mesmos apresentaram déficits financeiros de capital. A técnica multivariada de dados de correlação canônica, a qual foi utilizada para responder a questão de pesquisa deste estudo, estabeleceu três correlações lineares entre as variáveis estudas, sendo que apenas uma foi significante estaticamente a um nível de 5%. Tal resultado corrobora que os indicadores socioeconômicos, IDH e PIB per capita, bem como a qualidade de vida dos estados brasileiros no período de 2000 a 2008 são explicados pelo desempenho dos indicadores orçamentários. Concluiu-se que o equilíbrio orçamentário é um indicador de eficiência da gestão pública, porém, o déficit financeiro no período também se demonstrou como sendo um indicador de eficiência, ou seja, aqueles estados, cujos resultados orçamentários demonstraram equilíbrio e déficit, foram aqueles que melhor se destacaram quanto aos seus IDHs e PIBs per capita, bem como de alguns deles estarem representados por meio de suas capitais no ranking da Mercer Quality of Life, como sendo uma das melhores cidades do mundo para se viver.

 

SILVA, Anderson Soares; LEAL, Rodrigo Barreiros; BAPTISTA, Aline Neves.  Avaliação de Desempenho sob as Perspectivas Financeira e Não-Financeira: a gestão estratégica de uma organização prestadora de serviços da Marinha. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Qualidade do Gasto Público. Rio de Janeiro (RJ).

Resumo: Nos últimos anos, o tema da eficiência do Estado vem assumindo, cada vez mais, um papel de relevância dentro da nossa sociedade. Nesse sentido, o fenômeno da globalização contribuiu para o surgimento de questionamentos sobre a administração pública por parte de um cidadão cada vez mais informado e, por conseguinte, exigente. Assim, entra em cena a questão da qualidade do gasto público, onde a eficiência da administração pública faz-se primordial, dada à necessidade de redução de custos e de aumento da qualidade dos serviços prestados aos cidadãos. A Marinha do Brasil (MB), alinhada com tal preocupação, adotou um modelo de gestão denominado Sistema das Organizações Militares Prestadoras de Serviços (OMPS). O referido sistema apresenta como um de seus pilares a utilização das informações oriundas do emprego da Contabilidade de Custos. Em conjunto com as informações gerenciais proporcionadas pela Contabilidade de Custos adotadas nas referidas organizações, o Cresumar (OMPS-Industrial da MB) colocou em prática o conceito de gestão estratégica na condução de suas atividades administrativas e operacionais. Com isso, buscou-se a melhoria de seu planejamento e controle, com vistas a facilitar a avaliação e a tomada de decisão de seus gestores, utilizando aspectos econômico-financeiros e não financeiros. Dessa forma, o objetivo final deste estudo foi verificar se a adoção de um Plano de Gestão Estratégica (PGE) por uma OMPS-I, ao considerar aspectos financeiros e não financeiros na avaliação de seu desempenho, trouxe benefícios à sua gestão. Para tanto, foi realizada uma análise detalhada das principais características do Sistema OMPS, bem como nos PGE e relatórios de avaliação de desempenho referentes aos anos de 2007 a 2010 (1º semestre) elaborados pela OMPS unidade de estudo. Dos resultados encontrados, foi possível depreender que os preceitos teóricos da gestão estratégica adotados no PGE da OMPS proporcionam um incremento na qualidade da sua gestão, uma vez que servem como instrumentos de planejamento, controle e avaliação com características globais, ou seja, considerando aspectos financeiros e não financeiros para tomada de decisão. O emprego dos mencionados preceitos teóricos apresentou-se como uma ferramenta adequada ao contribuir para revelar com maior clareza os pontos que devem ser acompanhados, propiciando, por exemplo, a preocupação com a produtividade, qualidade de seus produtos e serviços, bem como com aspectos de satisfação de sua tripulação. Ademais, as exigências tratadas pelos diplomas legais, em especial, as trazidas pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) que prevê ações planejadas e transparentes à gestão pública, foram percebidas na gestão estratégica adotada pelo Cresumar. Por fim, recomenda-se a replicação deste estudo em períodos posteriores, inclusive em outras organizações que adotaram a gestão estratégica em seu planejamento, com o intuito de ratificar os resultados ora encontrados.

 

SILVA, Cleber Rodrigues da; MARCIANO, Maryellen Renata dos Santos.   Desenvolvimento de Método para Redução de Custos e Melhoria da Qualidade no Transporte Escolar da Prefeitura Municipal de Cruzeiro/SP. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Qualidade do Gasto Público. Cruzeiro (SP).

Resumo: O presente trabalho tem como abordagem principal a elaboração de Metodologia para a Redução de Custos e Melhoria da Qualidade em empresa Pública Municipal, especificamente o Setor de Transporte Escolar. Os resultados esperados foram definidos com base em diagnóstico empresarial, com foco naquele Setor e em suas rotinas pormenorizadas.  Para alcance dos objetivos-macro e das metas elencadas por meio do diagnóstico, utilizou-se o método de pesquisa bibliográfica para extrair informações e posicionamentos de autores, que de forma estratégica, visualizaram o serviço de transporte escolar como meio direto para a Administração Pública viabilizar o ensino do educando, por meio de transporte seguro, eficiente e efetivo.  Para tanto, o desenvolvimento de Metodologia mostrou-se definitivamente necessário, uma vez que a demanda para esse tipo de prestação de serviço vem aumentando consideravelmente e, certamente, uma Matriz fundamentada em método assegurará condições para o Gestor obter informações, visualizar cenários e tomar decisões.  A monografia investigou aspectos ligados à redução de custos, não desfocando a oportunidade de atingir melhor qualidade, onde foram levantados os pontos fortes e fracos do Sistema existente e quais as possibilidades de alcançar um Projeto que, ao ser implantado, fosse viável do ponto de vista legal, estrutural e econômico para a Administração Pública Municipal.  Com a aplicação de ferramentas de Administração foi possível desenvolver tal Metodologia, que de forma sintetizada pôde apontar um Norte para o fortalecimento da Matriz existente e, justificadamente, deixou subsídios para o estudo de novas Plataformas, sempre com o objetivo maior do Setor Público, que é o gerenciamento dos recursos, a fim de atender ao interesse maior: o da coletividade.

 

SILVA, Ellen Ruth Ribeiro da.  O Papel da Controladoria na Gestão Pública Municipal. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Qualidade do Gasto Público. Timon (MA).

Resumo: Este estudo tem como foco a importância do papel da controladoria municipal, enquanto órgão administrativo no setor público. Investiga a atuação da Controladoria no auxílio à administração no processo de tomada de decisão, buscando identificar as dificuldades enfrentadas por esse órgão no exercício de suas funções. Adotou-se como metodologia uma abordagem qualitativa e quantitativa, através de observação e aplicação de questionários ao Controlador e alguns funcionários da Controladoria Geral do Município de Timon. Desse modo, realizou-se a princípio uma pesquisa bibliográfica, buscando na literatura pertinente uma fundamentação teórica que ajudasse a responder os questionamentos levantados na problemática do tema em estudo. Na análise dos dados e discussão dos resultados fez-se um levantamento das respostas coletadas e discorreu sobre a mesma em forma de texto. O que se pode inferir com essa pesquisa, é que a controladoria enquanto unidade administrativa é de fundamental importância para a gestão pública municipal, tendo em vista que a mesma busca tornar a administração transparente, reduzir os gastos públicos e promover a eficiência e eficácia das atividades da prefeitura.

 

SILVA, Jonathas de Melo Cristovão.  A Eficiência dos Gastos Municipais na Geração de Bem Estar: o caso da Região Metropolitana de São Paulo. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Qualidade do Gasto Público. São Paulo (SP).

Resumo: Este artigo tem como finalidade analisar a eficiência dos municípios da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) na geração de bem-estar no período de 2000. As técnicas empregadas na avaliação do desempenho dos municípios concentram-se no uso de um modelo de análise baseada na aplicação de DEA – Data Envelopment Analysis, onde a eficiência é obtida através da razão da soma ponderada dos insumos (in put) e pela soma ponderada dos produtos (out put). Assim os produtos (out puts) são: o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e o Multidimensional Index of Quality of Life (MIQL); e os insumos (in-puts) são as despesas que são provenientes das receitas e transferências tributárias para os municípios. E, para verificar a interferência dos mecanismos de incentivos em termos de bem-estar, foi realizada uma análise de regressão múltipla. A hipótese inicial é que os gastos públicos auferidos dos municípios da RMSP são não eficientes, em termos de melhor geração de bem-estar social.

 

TURRA, Aydil Luciane Sydney Fonseca.  Gestão Biodinâmica para a Qualidade do Gasto Público. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Qualidade do Gasto Público. Curitiba (PR).

Resumo: Da transição da Sociedade Industrial à Sociedade do Conhecimento – no lugar do Capital -, a informação surge como a principal fonte de riqueza. Diante dessa premissa, à esteira das transformações ocorridas inicialmente com a iniciativa privada, cumulativamente com o surgimento dos chamados Direitos Fundamentais Informacionais, também os governos tiveram de se adaptar aos contornos da nova era, marcada pela utilização de uma arquitetura em rede, o que para o ente público, representou transcender os limites da sua organização interna, para vir a proporcionar, cada vez mais, à sociedade e aos cidadãos, a prestação de serviços públicos e o acesso a informações, de forma cada vez mais célere e eficiente. Neste momento estavam lançadas as bases do que se convencionou chamar de Governo Eletrônico ou e-governança, em última análise, lançadas as diretrizes de uma nova forma de se governar. Conquanto tenha tido como marco inicial a Reforma Gerencial do Estado, que marcou um período de Gestão Governamental orientado à práticas gerenciais similares às da iniciativa privada, face à expansão dos serviços em rede e à consolidação dos princípios da transparência,  da responsabilização, da participação popular, do alargamento do espaço público e do empoderamento social, sobretudo, face à possibilidade do exercício de um modelo de democracia participativa ou “deliberativa” por intermédio da utilização das tecnologias da informação e da comunicação, em verdade se passou a estar diante de um novo tipo de gestão – a Gestão Biodinâmica -, baseada na interconectividade, na interdependência, na dinâmica das trocas e dos relacionamentos. Como o pressuposto do trabalho foi apresentar uma fundamentação teórica para o atingimento da qualidade do gasto público, mediante a utilização desta nova forma de gestão, encerram-se entre suas principais estratégias na administração dos recursos públicos:  o incentivo à participação popular no controle das contas públicas, a promoção da interação Estado-cidadão - mediante as formas de governança eletrônica -, o incentivo à inovação, a pesquisa tecnológica, o investimento em energias renováveis, a visão sistêmica, a ação local e, a adoção de um conjunto de medidas com vistas ao atingimento de um desenvolvimento sustentável, tanto de natureza econômica quanto social. Ainda que nem todos estejam conscientes desse processo, a revolução biodinâmica é um fato que vem acontecendo bem diante dos nossos olhos, e que, num futuro não muito distante, poderá representar um salto evolutivo na direção da disseminação de uma cultura de crescimento, progresso e qualidade de vida para todos.

 

 

 

XV PRÊMIO TESOURO NACIONAL – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco

POLÍTICA FISCAL E A CRISE ECONÔMICA INTERNACIONAL

 

 

ALMEIDA, Daniel Melo; ALMEIDA, Maria Josilane Gomes da Silva Melo.  A Influência das Políticas Públicas no Mercado de Ações das Estatais Brasileiras. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Política Fiscal e a Crise Econômica Internacional. Belém (PA).

Resumo: Este trabalho discorre entre as obras intelectuais sobre como as políticas públicas influenciam as empresas estatais no mercado de capitais, objetivando-se identificar, comprovar e demonstrar essa forte influência, impactante no valor das ações dessas empresas comercializadas na bolsa de valores. Apresentamos o cenário brasileiro, a abordagem sobre a política econômica e a variação do valor das empresas pesquisadas (Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e PETROBRAS), aos profissionais da área financeira e demais interessados na Gestão Pública de forma a proporcionar a dimensão na qual as políticas públicas atuam, com efeito positivo ou negativo, conforme observações dos fatos, perspectivas e especulações dos agentes do mercado de capitais presentes no Sistema Financeiro Nacional. A pesquisa bibliográfica e documental orientou o foco de abordagem deste trabalho contribui para a discussão a respeito das finanças públicas.

 

ALMEIDA, Rogério Braz de. Política Fiscal e Crise Econômica. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Política Fiscal e a Crise Econômica Internacional. Niterói (RJ).

Resumo: Dada a gravidade da crise financeira internacional, iniciada com o colapso do mercado de subprime nos EUA, em agosto de 2007, gerando queda do crédito, aumento do desemprego e retração da produção mundial, este trabalho procurou colaborar para a discussão sobre a crise em destaque, bem como sobre as medidas adotadas para a recuperação da economia, com especial ênfase para a política fiscal. A pesquisa tem por objetivo ressaltar o papel da política fiscal na retomada do crescimento econômico, contribuindo para o entendimento da sua importância para a recuperação da confiança dos agentes econômicos, em momentos de incerteza, tendo como cenário a economia brasileira diante da crise financeira mundial iniciada no segundo semestre de 2007 nos EUA. Para o alcance do objetivo pretendido nesta pesquisa, primeiramente são abordados, com base na literatura atual, os fatos antecedentes relevantes à crise financeira para, em seguida, apontar sua origem e suas formas de propagação. Em seguida, por meio de consultas aos órgãos oficiais, responsáveis por divulgarem as estatísticas econômicas e sociais do Brasil e mundiais, são apresentados os impactos da crise na economia global e na economia doméstica, ressaltando as medidas tomadas pelas autoridades brasileiras, com ênfase nas medidas fiscais e nos resultados alcançados com sua implementação. A pesquisa demonstra que ocorreu redução do consumo final das famílias, da produção, das vendas na indústria e dos saldos das exportações, além do aumento do desemprego, permitindo inferir que, ainda que em menor magnitude se comparado aos EUA e aos países da zona do euro, o Brasil também sofreu os efeitos da crise em 2008, notadamente com impactos mais agudos no último trimestre de 2008 e no primeiro trimestre de 2009. Com vistas a promover a recuperação da economia, diversas medidas fiscais, conjuntamente com medidas monetárias foram adotadas, gerando efeitos positivos e contribuindo para a retomada da produção e do emprego já no segundo trimestre de 2009, permitindo denotar a importância da política fiscal na retomada do crescimento econômico e na superação dos impactos negativos da crise financeira, atuando como instrumento fundamental na recuperação da crise.

 

 ASSUNÇÃO, Matheus Carneiro. Incentivos Fiscais e Desenvolvimento Econômico: a função das normas tributárias indutoras em tempos de crise. Brasília: ESAF, 2010. Monografia premiada com menção honrosa no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Política Fiscal e a Crise Econômica Internacional. São Paulo (SP).

Resumo: O presente estudo busca analisar a relação entre a concessão de incentivos fiscais e a promoção do desenvolvimento econômico no Brasil, dentro do contexto da crise internacional que atingiu o país em 2008. Pretende-se identificar a ligação entre os objetivos constitucionais que autorizam a intervenção do Estado sobre o domínio econômico e as normas tributárias indutoras editadas durante o auge dos efeitos negativos da crise, quando a onda de incertezas financeiras gerou fortes retrações na produção e no consumo interno. Partindo da premissa de que existe comunicação sistêmica entre o direito e a economia, especialmente no que tange à análise dos arranjos e ferramentas jurídicas capazes de promover o desenvolvimento de forma eficiente e sustentável, o estudo avalia as características da extrafiscalidade e as formas como se manifesta, bem como a interpretação e os critérios de controle das normas tributárias indutoras, relacionando os impactos das medidas anticíclicas adotadas pelo Governo Federal no federalismo fiscal brasileiro. O intento é firmar, ao final, referenciais teóricos acerca das possibilidades de utilização e parâmetros de controle de normas tributárias indutoras destinadas a fomentar o desenvolvimento econômico nacional.

 

CASA, Carlos Alberto Lanzarini. Estado, Moeda e Política Fiscal: a reestruturação das finanças públicas à luz do paradigma da realocação da poupança interna. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Política Fiscal e a Crise Econômica Internacional. Porto Alegre (RS).

Resumo: A Teoria da Realocação da Poupança Interna é uma teoria de determinação e de distribuição de renda que corresponde à construção de uma ponte metodológica entre a Teoria do Circuito Monetário de Lavoie e Moore e as teorias cartalistas da moeda de Knapp, Abba Lerner, e Randall Wray.  A Teoria do Circuito Monetário trabalha no intuito de descrever o processo de criação da moeda ociosa ao longo do processo de agregação do valor, enquanto que as teorias cartalistas da moeda descrevem a moeda como o poder estrito de soberania para o Estado, em que este é o responsável mor pela atribuição do valor à moeda, tendo como referência os trabalhos originais de Knapp como sendo a base de refutação ao metalismo e aos respectivos dogmas estabelecidos pela Teoria Quantitativa da Moeda no início do século XX. Para o propósito de confluência de objetivos teóricos e normativos, entre estas duas vertentes teóricas, é promovido um entrelaçamento teórico com teorias keynesianas afins, a exemplo de Haavelmo (Teorema do Orçamento Equilibrado), Kaldor e Victoria Chick, dentre outros. A Teoria da Realocação da Poupança Interna, resultante deste entrelaçamento teórico, é responsável pela construção de um sistema de autofinanciamento para o Estado a partir da sua própria moeda, vindo a representar a formalização das Finanças Públicas a partir da integração entre o Tesouro Nacional e o Banco Central, e visando à criação de um modelo de desenvolvimento em que a redistribuição da renda tenha origens na reestruturação dos canais de circulação da moeda, no que passa a ser concebido como realocação da poupança interna. A poupança interna passa a ser o fluxo real da economia que materializa o processo de agregação de valor tanto para o setor público, quanto para a esfera privada, oriundo das transformações de renda advindas das transformações de ordem monetária e tributária a serem operadas pelos instrumentos normativos da Teoria da Realocação da Poupança Interna. A Teoria da Realocação da Poupança Interna também pode ser entendida como a teoria da alavancagem comandada pelo Tesouro Nacional, em contraponto à alavancagem tradicional comandada pelo sistema financeiro, a qual fora responsável pela crise internacional de 2007-2008. A denominação de “alavancagem comandada pelo Tesouro Nacional” implica o fato de que comando da geração de receitas e de poupança para o Estado, a partir da realocação da moeda ociosa para os setores produtivos planejados, com fins à geração de ganhos de produtividade, também cumpre o papel de mitigar a alavancagem tradicional comandada pelos bancos. De tal modo, este novo modelo de alavancagem planejada pelo Tesouro Nacional vem a estabilizar o sistema bancário-monetário-financeiro por promover a integração planejada entre o provimento de recursos para as Finanças Públicas e o gerenciamento da liquidez.

 

 DIAS, Eric Lisboa Codo. Crise Econômica de 2008 e o Sistema Financeiro Nacional na Perspectiva Pós-Keynesiana. Brasília: ESAF, 2010. Monografia premiada com o terceiro lugar no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Política Fiscal e a Crise Econômica Internacional. Belo Horizonte (MG).

Resumo: Este trabalho visa a entender como se deu a crise de 2008, à luz da teoria keynesiana – a fim de explicar a realidade contemporânea no Brasil. Para análise do cenário que se desenhou, a presente abordagem conduzir-se-á à apreciação estritamente ao nível lógico-teórico. No capítulo inicial, aprofundaremos a discussão da teoria pós-keynesiana acerca da teoria da firma bancária, preferência pela liquidez e sua abordagem no que tange ao comportamento dos bancos e seus efeitos sobre a oferta de crédito e moeda. Posteriormente, abordaremos a hipótese de instabilidade financeira de Minsky e sua relação com a gênese da crise. No último capítulo, trataremos da crise com foco no Brasil e mostraremos sua relação com a política fiscal e regulação. Por fim, concluiremos que a crise não deixou o Brasil “de joelhos” devido ao desenho e regulação do Sistema Financeiro Nacional. Destarte, a crise em estudo levou o mundo tanto a repensar o próprio papel do Estado na economia quanto à necessidade de re-regular os sistemas financeiros domésticos, reestruturar o sistema financeiro mundial e intervir na economia através de políticas econômicas, sobretudo as fiscais, sendo o Brasil a prova empírica de tais afirmações. Contudo, é mister ter em mente que a regulação deve-se preocupar em diminuir a instabilidade na economia sem aumentar os custos de transação de forma significativa.

 

 GOUVÊA, Raphael Rocha; SCHETTINI, Bernardo Patta. Resultado Fiscal Estrutural: um passo para institucionalização de políticas anticíclicas no Brasil. Brasília: ESAF, 2010. Monografia premiada com o segundo lugar no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Política Fiscal e a Crise Econômica Internacional. Brasília (DF).

Resumo: Esta monografia desenvolve um modelo de estimação do balanço fiscal ajustado ao ciclo econômico para o Brasil a partir da metodologia padrão do Fundo Monetário Internacional (FMI) e de adaptações sugeridas em Marcel et al. (2001) com base na experiência chilena. Esta metodologia, além de balizar as metas fiscais da maioria das economias desenvolvidas, permite que se decomponham os resultados fiscais convencionais entre componente cíclico e componente estrutural, de modo que se possa avaliar corretamente quais variações decorrem de fatores exógenos e quais podem ser atribuídas a políticas discricionárias, expansionistas ou contracionistas. No modelo aplicado ao Brasil, ajustamos diversas séries trimestrais das receitas fiscais tanto pelo ciclo econômico quanto pelas flutuações cíclicas nos preços do petróleo. As estimações das tendências de médio prazo do PIB e do petróleo Brent foram feitas com filtro HP, enquanto as estimativas das elasticidades das receitas se basearam em modelos lineares e não-lineares apropriados para lidar com as quebras estruturais que marcam a economia brasileira, o que constitui um diferencial em relação a outros estudos aplicados. No caso do petróleo, também desenvolvemos uma regra determinística baseada nos preços para estimar o componente estrutural das receitas de royalties e participações especiais. As despesas com seguro-desemprego, a exemplo do Chile, não sofreram ajustes, uma vez que as mesmas têm apresentado comportamento pró-cíclico. Os ajustes realizados permitem limpar a série de superávit primário do governo central e das administrações públicas dos desvios cíclicos ocorridos entre 1997 e 2010 e, dessa forma, obter a evolução efetivamente estrutural do resultado fiscal. Em resumo, as estatísticas indicam que o período analisado foi marcado por dois grandes ciclos de política fiscal: um primeiro de contração fiscal, que se prolongou até o final de 2005, e outro de expansão fiscal, a partir de 2006. Os cálculos realizados com as elasticidades mais conservadoras também mostram que a expansão fiscal de 2009, durante a crise, teria sido de aproximadamente 0,7% do PIB na esfera federal e 0,2%-0,4% do PIB no consolidado da administração pública. O fato de a expansão global ser menor do que na esfera federal evidencia que estados e municípios teriam respondido de forma pró-cíclica à crise para compensar a perda de receitas e que, portanto, a reação anticíclica teria sido apenas da União. Os resultados parciais de 2010, por sua vez, indicam que a expansão fiscal na administração pública sofreu um impulso neste ano (de 0,2%-0,4% para 0,8%-09% do PIB). Desta vez, entretanto, são principalmente os governos regionais que puxam o resultado fiscal estrutural para baixo, provavelmente em função da proximidade das eleições. Por fim, é importante destacar que a metodologia aqui proposta constitui uma ferramenta indispensável para aprimorar a política fiscal no Brasil, tornando-a menos pró-cíclica. Tanto é assim que, atualmente, o próprio FMI divulga suas estatísticas para o Brasil e outros países baseados no resultado estrutural e não mais nas estatísticas convencionais.

 

MESQUITA, Patrícia Laurentino de; MORAES, Ricardo José Nunes Pereira; ALVARENGA, Gustavo Varela. Redução do IPI Automóveis em 2009: uma Análise Global. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Política Fiscal e a Crise Econômica Internacional. Brasília (DF).

Resumo: Este trabalho tem como objetivo avaliar o impacto fiscal de uma das medidas que fez parte do conjunto de ações anticíclicas adotadas pelo Governo Federal para amenizar os reflexos da crise internacional de 2008. A estratégia da equipe econômica naquele momento foi atuar no sentido de perseguir a política novo-desenvolvimentista que havia sido adotada antes mesmo da consolidação da crise: fortalecer o mercado de consumo interno, que já se configurava em expansão, e garantir crédito, praticamente indisponível fora do país. O governo brasileiro reduziu temporariamente as alíquotas de IPI para automóveis, entre outras medidas de estímulo ao consumo. A proposta desse trabalho é extrapolar o cálculo tradicional da eficácia de políticas fiscais semelhantes a essa, em que são feitas considerações acerca da arrecadação do tributo perdido pela União. No caso em questão, o desafio foi revelar como as contabilização de outros tributos impactou nos balanços não só da União, como também de estados e municípios e qual teria sido o resultado consolidado para a federação. As estimativas produzidas mostraram que a desoneração contribuiu com um aumento nas vendas da ordem de 428 mil veículos, ou seja, 17,3% do que foi vendido em 2009. A partir dessa estimativa, levando-se em consideração apenas a renúncia fiscal em termos de IPI, o custo da política foi de R$ 1.521 milhões. Porém, se considerarmos a arrecadação adicional em outros impostos e contribuições federais devido ao maior volume de vendas derivada da política, chega-se ao valor superavitário de R$ 61 milhões para a União. Uma análise tradicional encerraria a avaliação nesse ponto. O aspecto inovador deste trabalho é avançar a partir das estatísticas estabelecidas e calcular os custos e retornos fiscais, em termos de arrecadação, ao longo dos outros dois níveis da Federação. Ao acrescentar os demais entes federados – estados e municípios, observa-se um resultado significativamente distinto sob a ótica fiscal, com um saldo de R$ 434 milhões para toda a federação. Os números apurados reforçam a hipótese de que é preciso levar em conta as relações entre os entes federados e a distribuição dos recursos arrecadados entre os vários tributos para avaliar mais precisamente o impacto de uma medida econômica dessa magnitude. Além da introdução, este trabalho tem outras seis seções. A seção dois traz uma breve visão do conceito de novo-desenvolvimentismo e como ele é desenhado em momentos de crise. A seção três detalha como foi estimada a redução do IPI sobre automóveis, seus prazos e alíquotas. A seção quatro mostra o cálculo do impacto da medida sobre a indústria, o emprego e a arrecadação da União. A seção cinco explicita as estimações feitas para derivar o custo da desoneração para estados e municípios. A seção seis faz um balanço da distribuição do custo para as três esferas de governo e finalmente a última seção traz a conclusão.

 

 MOREIRA, Tito Belchior Silva; SOARES, Fernando Antônio Ribeiro. A Crise Financeira Internacional e as Políticas Anticíclicas no Brasil. Brasília: ESAF, 2010. Monografia premiada com o primeiro lugar no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Política Fiscal e a Crise Econômica Internacional. Brasília (DF).

Resumo: A crise do mercado de hipotecas americana, também conhecida como crise do subprime, começou a ter forte repercussão sobre a economia americana e depois sobre a economia mundial a partir de 2007.  A forte integração do sistema financeiro internacional ajudou a propagá-la. Os impactos sobre as economias avançadas e demais economias – emergentes e em desenvolvimento – não foram uniformes. Neste trabalho procurou-se discutir as origens e as repercussões dessa primeira grande crise do século XXI, além de ser feita uma descrição da literatura acerca do tema. Ademais, foi analisado o impacto da crise especificamente sobre a economia brasileira. Para tanto, descreveu-se as principais medidas anticíclicas implementadas pelas autoridades governamentais. Tem destaque a avaliação das medidas fiscais, monetárias e creditícias, tanto em nível agregado como em nível setorial. Uma vez contextualizada a crise e seus efeitos sobre Brasil e o mundo, foi realizada uma série de testes empíricos para avaliar a eficácia das políticas anticíclicas adotadas na economia brasileira. Com base em regressões que mediram os efeitos das políticas monetária, fiscal e creditícia sobre o consumo das famílias, a formação bruta de capital fixo (investimentos) e a demanda agregada, procurou-se detectar quais políticas foram mais eficazes. Da mesma forma, procurou-se avaliar a eficácia das políticas anticíclicas direcionadas a alguns setores, como o automobilístico, da construção civil e de móveis e eletrodomésticos. A análise empírica revelou que a política creditícia expansionista foi determinante para aumentar o consumo das famílias e o produto agregado durante o período da crise. A política monetária expansionista também foi importante para aumentar o produto agregado da economia durante o período da crise. Vale ressaltar que os dispêndios relativos aos investimentos não se mostraram sensíveis às políticas anticíclicas – monetária, creditícia e fiscal. Tal resultado pode ser explicado pelo elevado grau de incerteza no período da crise e pelas expectativas negativas sobre a economia, o que possivelmente foi determinante para que os empresários adotassem uma postura mais cautelosa e conservadora, suspendendo grande parte dos investimentos em andamento e cancelando novos projetos. Dessa forma, do ponto de vista da demanda agregada as políticas monetária e creditícia foram importantes na recuperação da economia brasileira. Como uma nota destoante, temos que a política fiscal foi ineficaz para reativar os negócios no País. É importante ressaltar que, além de a política fiscal ter gerado possivelmente um benefício mínimo, ele proporcionou um elevado custo, com a elevação da dívida pública resultante do maior déficit fiscal nominal. Os resultados empíricos da análise setorial mostraram que as políticas anticíclicas obtiveram resultados bem mais modestos. No entanto, a política monetária expansionista foi importante na recuperação do setor de construção civil e da indústria automobilística. Vale ressaltar que algumas séries de variáveis relevantes de política econômica apresentam algumas restrições como, por exemplo, variáveis fiscais como a incidência do IPI sobre o setor de móveis e eletrodomésticos.  Não há uma série especifica para essa variável, obrigando ao uso de proxies. Esse tipo de restrição se constitui numa limitação do trabalho.

 

PAULA, Cleber Ribeiro de. Visão Holística da Crise Financeira Mundial. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Política Fiscal e a Crise Econômica Internacional. São Paulo (SP).

Resumo: Este trabalho visa atender ao XV concurso do Tesouro Nacional - Joaquim Nabuco. Tem como escopo o subitem 3.1 – Política Fiscal, Finanças Públicas e a Crise do Sistema Financeiro Internacional do tema 3 - POLÍTICA FISCAL E A CRISE ECONÔMICA INTERNACIONAL. Seu título “Visão Holística da Crise Financeira Mundial”, representa bem nosso objetivo. Analisamos alguns aspectos da economia que geram renda, com uma visão não convencional. Nossa preocupação, nessa linha, é de que a falta de geração de riqueza implica a não remuneração do capital. E, a falta de remuneração do capital induz ao fim do capitalismo financeiro. Fica claro, em passagens do trabalho, que existiram fatores de geração de renda que foram fortes nos últimos oitenta anos e que já não estão presentes, nos dias de hoje. Mostramos que a geração de riqueza é quem cria o lucro global. O lucro gerado dessa forma é distribuído entre as entidades ou empresas que operam nesse mercado. A qualidade de administração de cada empresa permite que ela tenha uma maior ou menor parte desse lucro. Assim, geração dessa riqueza global é um item que é prioritário em relação à qualidade administrativa das empresas, quando se trata dos resultados ou lucros obtidos por tais entidades. Por essa razão, entendemos que o uso apenas da política monetária não é suficiente para substituir os fatores geradores de renda que não estão mais presentes. E, mais, algumas medidas tomadas recentemente estão piorando a situação da crise quando deveriam melhorar. Usamos muitos dados internacionais de locais onde a crise está mais avançada, bem como, de locais onde há uma melhor divulgação de tais dados. Mas, concluímos o trabalho com dados referentes ao Brasil. Não desenvolvemos equações e não sofisticamos nossas análises. Não fizemos estudos estatísticos para comprovar a nossa idéia, a qual é inédita. Assim agimos devido ao fato de que tais desenvolvimentos e pesquisas demandariam tempo e dinheiro os quais estão fora do escopo desse trabalho.

 

 

XV PRÊMIO TESOURO NACIONAL – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco

TÓPICOS ESPECIAIS DE FINANÇAS PÚBLICAS

 

AMORIM, Erick Elysio Reis.  Eficiência e Equidade na Tributação do Consumo Residencial de Eletricidade no Brasil: uma análise de micro-dados.  Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Tópicos Especiais de Finanças Públicas. Brasília (DF).

Resumo:  Esta pesquisa tem como objetivo principal estimar um modelo capaz de captar como mudanças nas alíquotas dos tributos que incidem sobre a energia elétrica afetam o bem-estar dos domicílios de diferentes classes de renda e consumo. A metodologia utilizada para o trabalho foi inspirada em Halvorsen (2009) e tem uma abordagem microeconométrica, com base nos microdados da Pesquisa de Orçamento Familiares (POF) de 2002-2003, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A vantagem deste modelo é a possibilidade de analisar as variações de bem-estar, devido a um aumento de tributação, a partir de uma estimação de um sistema demanda linear individual (LES). Buscou-se compreender o funcionamento do setor elétrico, em especial suas características regulatórias e tributárias. No entanto, devido à complexidade legal do setor elétrico, várias simplificações foram feitas no momento de estimar o modelo. Desse levantamento, percebeu-se que os encargos e tributos são os itens mais significativos na conta de luz paga pelo consumidor residencial, e que a legislação vigente não observa plenamente os princípios de um sistema tributário ótimo, gerando distorções, como a regressividade do imposto.  O estudo também revelou que a energia elétrica é um bem essencialmente inelástico, sendo que quanto maior a renda menor a sensibilidade à mudanças de preços. Cabe ressaltar que a inelasticidade do bem faz com que muitos entes da federação tributem a energia com alíquotas elevadas, resultando que muitos desses entes possuem uma dependência dos recursos arrecadados desse setor. Quando analisado a variação de bem-estar, as simulações feitas indicam que, em uma situação de aumento do tributos, os consumidores mais afetados são aqueles que consomem mais 100 kWh por mês, sendo os de menor renda os que terão a maior perda. Esse resultado é influenciado pela política nacional de subsídio para os consumidores baixa renda (que consomem menos de 100 kWh por mês), a qual aparentemente está cumprindo o objetivo. Ao longo do trabalho, conclui-se que a legislação tributária do setor elétrico pode ser aperfeiçoada, implicando em um menor custo aos consumidores.

 

ARAÚJO, Isabela Canhoto de.  A Lei de Responsabilidade Fiscal e o Limite de Despesa com o Serviço de Terceiro.  Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Tópicos Especiais de Finanças Públicas. Bandeirantes (PR).

Resumo:  Trata-se de uma contribuição ao estudo da Lei de Responsabilidade Fiscal, sobretudo no que atine à imposição de limites para os gastos realizados pelo Poder Público que tenham suporte fático no item "pessoal do serviço público". Dentre este item, o presente estudo visa discutir a polêmica contratação de serviços de terceiros, e a relação do limite imposto pela LRF com os limites estabelecidos por outras normas e dispositivos. Isto porque a LRF invade as esferas administrativas na busca de metas e resultados a qual se destina: equilíbrio orçamentário e gestão responsável e transparente.

 

BARROSO, Rafael Mendes Cunha.  Impactos do Gasto Social dos Municípios Cearenses sobre os Indicadores Socioeconômicos de suas Populações.  Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Tópicos Especiais de Finanças Públicas. Fortaleza (CE).

Resumo: O federalismo brasileiro, marcado por profundas desigualdades inter e intra-regionais, vem experimentando mudanças no sentido de aumentar a autonomia financeira e o papel desempenhado por suas esferas inferiores de governo, especialmente os municípios, na provisão de bens e serviços públicos, principalmente, aqueles de áreas sociais estratégicas como o ensino básico e assistência básica à saúde. O problema é que esse processo tem sido feito sem se avaliar a capacidade administrativa e financeira dos municípios, pois a capacidade de arrecadação tributária é muito desigual entre eles, até mesmo entre aqueles de um mesmo estado, de modo que existem municípios extremamente dependentes de transferências constitucionais, como o Fundo de Participação dos Municípios. Além disso, ainda há muitos municípios com estruturas políticas marcadas por comportamentos do tipo rent-seeking e logrolling e prefeituras cujos funcionários são pouco escolarizados e qualificados: todos estes fatores contribuem para uma maior ineficiência das políticas públicas municipais. Apesar disso, são poucos os trabalhos que analisam a evolução do gasto social e, ao mesmo tempo, buscam “quantificar” a capacidade dos municípios em melhorar seus indicadores socioeconômicos. O objetivo deste trabalho é contribuir para este debate. Para isto, primeiramente, é feita uma análise do sistema de transferências constitucionais no Brasil, como modo de dar uma caracterização geral do atual federalismo brasileiro. Em seguida, é feita uma análise da evolução do gasto social dos municípios cearenses, e de suas funções, comparando-o com o gasto social dos municípios brasileiros e com o das esferas superiores de governo. Para finalizar, é apresentado o Índice de Desenvolvimento Social (IDS) e, logo depois, usando Regressão com Dados em Painel e o Teste de Causalidade de Granger, analisa-se a capacidade do gasto social dos municípios cearenses em melhorar os indicadores socioeconômicos de suas populações. Os resultados mostram que o gasto social dos municípios cearenses tem aumentado significativamente nos últimos anos e que, apesar do impacto do gasto social sobre os indicadores ser positivo e estatisticamente significante (pelo menos no se refere a um dos indicadores que formam o IDS), tal impacto é decrescente, indicando um aumento de ineficiência do gasto à medida que ele vai aumentando.

 

BREGMAN, Daniel.  Reforma Tributária e Mudança no Critério de Distribuição da Cota-Parte do ICMS: compatibilidade e impacto nos orçamentos municipais. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Tópicos Especiais de Finanças Públicas. Rio de Janeiro (RJ).

Resumo:  Os municípios recebem 25% do ICMS recolhido em seu estado. Esta transferência foi a principal fonte de recursos dos municípios brasileiros em 2007, com 21,02% da receita orçamentária total. Atualmente 75% dos recursos da cota-parte do ICMS são distribuídos de acordo com o valor adicionado fiscal do município e 25% de acordo com a legislação estadual. Este trabalho pretende discutir os critérios de distribuição da cota-parte do ICMS através de duas questões principais: (i) a compatibilidade com a possível migração da cobrança do ICMS para o estado de destino; (ii) a concentração das transferências em municípios com determinadas características. A cota-parte do ICMS foi concebida como uma devolução tributária na década de 1960, ou seja, o município receberia de acordo com sua contribuição para a arrecadação. Como o ICMS era recolhido no estado de origem, ficou estipulado que o repasse aos municípios seria determinado pelo seu valor adicionado fiscal. O projeto de reforma tributária de 2008 propõe a migração da cobrança do ICMS para o estado de destino. Portanto, para que a lógica da devolução tributária seja obedecida, o critério de distribuição da cota-parte do ICMS deve se modificar. Os atuais critérios da cota-parte do ICMS levam a uma concentração de recursos em municípios que abrigam grandes plantas industriais e esta questão influenciou a proposta formulada pelas três grandes entidades municipalistas (ABM, FNP e CNM): a criação de um sistema de pisos e tetos (SPT). Os critérios atuais seriam mantidos, mas os municípios de cada estado receberiam no mínimo metade e no máximo quatro vezes a média per capita estadual ao fim do período de transição. A simulação da aplicação do SPT foi realizada com os dados de 2007: cem municípios, em sua maioria com grandes plantas industriais, cederiam em média 15,1% de sua receita orçamentária a 1.064 municípios (em sua maioria periferias de grandes centros urbanos ou pequenos municípios com economia pouco dinâmica), que incrementariam sua receita em 2,8% em média, considerando um aporte de R$ 314 milhões da União para enquadrar alguns municípios ao piso estadual. A aplicação do SPT representaria uma grande mudança no padrão da despesa pública municipal, o que traria implicações para os gastos estaduais e federal. O trabalho realizou, ainda, uma simulação do impacto do SPT nas transferências com uma metodologia que poderia ser adaptada a qualquer mudança na distribuição dos recursos municipais. A metodologia define: (i) um conjunto relevante de transferências, (ii) uma variável proxy para a demanda por serviços públicos, (iii) um indicador de dispersão que defina a adequabilidade entre (i) e (ii). Com exceção do Acre, aonde o SPT não modificou a distribuição da cota-parte do ICMS, houve melhora da distribuição de recursos em todos os estados, especialmente na Bahia, em Sergipe, em Pernambuco, no Maranhão e no Piauí. Nos cinco estados supracitados – que apresentam elevados níveis de pobreza – a migração de recursos públicos de municípios com grandes unidades industriais para municípios muito pequenos e periferias de grandes centros urbanos deve ser mais intensa.

 

CHAGAS, Leonardo Lima.  Objetivos e Políticas de Investimentos de Fundos Soberanos e o Caso Brasileiro. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Tópicos Especiais de Finanças Públicas. Brasília (DF).

Resumo:  Fundos Soberanos são veículos de investimento estatais. Existem atualmente quase 50 desses fundos no mundo, com diferentes objetivos. De maneira geral buscam obter retornos superiores aos que são obtidos pelos bancos centrais com a aplicação de suas  reservas internacionais. Podem ser classificados como fundos de estabilização; fundos de poupança; e fundos de financiamento de políticas públicas. De acordo com o objetivo do Fundo Soberano em questão, elabora-se uma estratégia de investimentos e busca-se a carteira de ativos que otimiza sua relação risco-retorno. Este trabalho analisa esta relação entre objetivos e estratégias de investimentos e aplica as recomendações da literatura e da teoria de diversificação de carteiras ao Fundo Soberano do Brasil - FSB. O FSB tem componentes de fundo de poupança e de fundo de estabilização. Dados seus objetivos, a carteira recomendada inclui ativos de maior risco, como ações, derivativos e investimentos em private equity, assim como ativos de risco moderado, como títulos privados. A recomendação é de que os recursos sejam investidos no exterior e que contemplem ativos de países que apresentem desempenho econômico com correlação negativa em relação aos preços das commodities exportadas pelo Brasil. Finalmente, dado o alto custo de oportunidade do Tesouro Nacional, o simples resgate de parte da Dívida Pública pode se constituir em parte da estratégia do Fundo Soberano Brasileiro.

 

COSTA, Pâmela Carrasco.  Reconhecimento da Receita Tributária no Brasil de Acordo com o Princípio da Competência. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Tópicos Especiais de Finanças Públicas. Brasília (DF).

Resumo: Este trabalho faz uma análise do reconhecimento da receita tributária no Brasil de acordo com o princípio contábil da Competência. Para atingir esse objetivo, foi utilizada a metodologia de pesquisa exploratória, com estratégia bibliográfica. Inicialmente, é abordado o conceito de receita. São trazidas as definições do Pronunciamento Conceitual Básico, publicado pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), da International Public Sector Accounting Standard 23 (IPSAS 23), publicado pela International Federation of Accountants (IFAC), e do Manual de Contabilidade Aplicado ao Setor Público, publicado pela Secretaria do Tesouro Nacional. Em seguida, são apresentadas três entidades importantes para o processo de adoção do regime de competência para as receitas tributárias, e seus entendimentos sobre o tema: a IFAC, a STN e o Tribunal de Contas da União (TCU). Mais adiante, são abordados alguns conceitos do direito tributário: tributos, fato gerador e lançamento. Finalizando a apresentação dos conceitos iniciais, é feito um estudo do Princípio de Competência. Num segundo momento do desenvolvimento do trabalho, é feita a análise do reconhecimento da receita tributária, em que são abordados aspectos como o fato gerador e lançamento tributário como momentos para reconhecimento, tratando-se de questões como lançamento por homologação e tributos com fato gerador continuado, substituição tributária e repartição de receitas entre os entes. Com o estudo, pode-se concluir que o regime de competência é o ideal para  o reconhecimento das receitas tributárias, pois, só por meio desse princípio é possível evidenciar o patrimônio na sua integralidade. Tem-se como conclusão o fato de que as receitas podem ser registradas no momento do lançamento, e não necessariamente na ocorrência do fato gerador. Além disso, conclui-se que há duas possibilidades para efetuar o registro das receitas com lançamento por homologação: por estimativa e pelo uso de obrigações acessórias. Quanto aos tributos com fato gerador continuado, é preciso analisar a essência da ocorrência do fato gerador, para efetuar o registro da receita integralmente na ocorrência do fato gerador, ou reconhecê-la mensalmente, pela baixa do passivo. Já para o fenômeno da substituição tributária, é preciso levar em consideração se a operação se trata de substituição progressiva ou regressiva antes de efetuar o registro. Finalmente, para o reconhecimento das receitas que são arrecadadas por um ente e repartidas a outros, o ente que transfere deve reconhecer como receita somente a parcela do recurso que lhe compete, registrando a outra parte como uma provisão para transferência. O ente que recebe a transferência deve, no momento da arrecadação pelo ente transferidor, reconhecer a receita contra um ativo de créditos a receber.

 

DAVIES, Nícholas.  Avaliação dos Procedimentos para Contabilização de Receita e Despesa em Educação Contidos nos Manuais 1 a 8 da Secretaria do Tesouro Nacional. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Tópicos Especiais de Finanças Públicas. Niterói (RJ).

Resumo: O artigo examinou os manuais 1 (de 2001) a 8 (de 2008) da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) para a elaboração do relatório resumido da execução orçamentária da União, DF, Estados e Municípios e chegou às seguintes conclusões. A principal é que, apesar de conterem pontos positivos e um maior detalhamento e aperfeiçoamento ao longo dos anos, apresentaram omissões, equívocos e inconsistências. Outra é que, segundo o Tribunal de Contas da União, a própria STN não seguiu, pelo menos em alguns anos, as orientações dos manuais por ela editados nas prestações de contas do governo federal. Com relação à contabilização da receita, os manuais apresentaram várias fragilidades, como: (1)  pouca clareza na definição das transferências constitucionais e legais da União para Estados, DF e Municípios e que resultou em equívocos apontados pelo TCU; (2) o rendimento financeiro com o FUNDEF não contabilizado em nenhum dos manuais 1 a 6, só passando a ser contabilizado com o manual 7 (o primeiro do FUNDEB); (3) a complementação federal para o FUNDEF só constou do manual 3 em diante; (4) os rendimentos financeiros com receitas integralmente vinculadas à educação (salário-educação, operações de crédito, por exemplo) só passaram a ser incluídos no manual 8, tendo sido omitidos nos manuais 1 a 7; (5) várias informações erradas sobre o salário-educação. Na contabilização das despesas, os manuais apresentaram deficiências como: (1) presumiram que manutenção e desenvolvimento do ensino (MDE) seja sinônimo da função orçamentária Educação, um erro, pois MDE é definida pela LDB (Lei 9.394/96), ao passo que a Educação é prevista pela lei do orçamento público, a 4.320; (2) a falta de definição de MDE, que pode ter resultado na inclusão equivocada de despesas, como merenda e inativos, sendo as dos inativos só excluídas explicitamente a partir do manual 7; (3) os manuais 1 e 2 não especificam que o percentual mínimo de 25% dos impostos vinculados à MDE não podem ser usados pelas prefeituras em níveis ulteriores ao ensino fundamental (ensino médio, ensino superior, ensino profissional) mesmo quando a demanda na educação infantil e no ensino fundamental tiver sido plenamente atendida pelas prefeituras, equívoco corrigido a partir do manual 3; (4) inconsistência na definição dos beneficiáveis com o percentual mínimo de 60% do FUNDEF, sendo ora professores, ora profissionais do magistério; (5) inconsistência dos manuais 1 a 6 na destinação dos 60% dos 25% (ou 15%) dos impostos vinculados ao ensino fundamental, empregando-se ora a expressão equivocada “recursos aplicados”, ora a expressão correta “receita de impostos”; (6) oscilação e pouca clareza na redação da vinculação do equivalente a 30% dos 18% dos impostos da União para a manutenção do ensino fundamental e a erradicação do analfabetismo,  prevista na EC 14; (7) não-previsão de procedimento de controle para obrigar os governos a cumprirem o § 4º do art. 69 da LDB, que estipula que o montante equivalente a 25% dos impostos não aplicado num trimestre seja corrigido e aplicado no trimestre seguinte.

 

OLIVEIRA, Leonardo Santos de; BORJA, Cristina Fróes de; COSTA, Letícia Magalhães da.  Carga Tributária Estadual Comparada: diferentes medidas. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Tópicos Especiais de Finanças Públicas. Rio de Janeiro (RJ).

Resumo: Esta monografia investiga os componentes da carga tributária bruta (CTB) do estado do Rio de Janeiro (ERJ), comparando-a com outros estados de PIB per capita similar, para os anos de 2005 e 2006. O objetivo é entender detalhadamente o perfil da carga tributária, analisando-a setorialmente para compreender o fato de ela ser vista como a segunda maior do Brasil, com o propósito de contribuir para a avaliação acurada sobre o ambiente de investimentos no ERJ. A metodologia utilizada se baseia na da Receita Federal, mas parte-se para avaliações inovadoras para a análise de CTB estadual, lembrando que não há instituição pública ou privada que calcule as cargas tributárias de forma sistemática no país, portanto não existe uma referência consensual. Utilizam-se diversas bases de dados fidedignas, provenientes, por exemplo, da Receita Federal, Tesouro Nacional, Previdência Social, COTEPE, a base de dados do ERJ de arrecadação, entre outras. Conclui-se que a carga tributária do ERJ é alta principalmente pelo fato do Rio de Janeiro ser sede de grandes empresas. No que tange à carga efetivamente estadual, i.e., o ICMS, a relação entre arrecadação e PIB estadual é a menor dentre os estados com nível de desenvolvimento similar. Os quocientes entre ICMS e consumo domiciliar, renda domiciliar, e consumo residencial de energia também são baixos no ERJ, comparado a outros estados. A baixa carga tributária se explica, em parte, por importantes segmentos econômicos do estado não serem alcançados pelo ICMS fluminense, particularmente o setor de petróleo e grande parte dos serviços.

 

 ORAIR, Rodrigo Octávio; ALENCAR, André Amorim. Esforço Fiscal dos Municípios: indicadores de condicionalidade para o sistema de transferências intergovernamentais. Brasília: ESAF, 2010. Monografia premiada com o primeiro lugar no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Tópicos Especiais de Finanças Públicas. Brasília (DF).

Resumo: Esta monografia apresenta estimativas inéditas para o esforço fiscal dos municípios brasileiros com o objetivo de utilizá-las como indicador para a estruturação de um sistema de equalização de receitas balizado em um conceito consagrado na literatura de federalismo fiscal – o de capacidade fiscal. A importância deste conceito reside em que, numa federação, a transferência de recursos do governo central para os governos locais é fundamental para suprir a lacuna entre a capacidade e a necessidade de prover serviços públicos de modo uniforme para todos os cidadãos. O fato, por exemplo, de existirem municípios com arrecadação própria per capita inferior a outros não lhes deve assegurar obrigatoriamente, por este enfoque teórico, o direito de receber transferências redistributivas. Isto porque um mecanismo de transferência incondicional para governos com fraca arrecadação tende a gerar desincentivos à arrecadação própria. O Índice de Esforço Fiscal (IEF) estimado nesta monografia supre esta lacuna, ao possibilitar o referenciamento das transferências numa Proxy do que seria o verdadeiro hiato fiscal dos municípios. O índice foi obtido a partir da comparação entre a arrecadação tributária efetiva dos municípios e a estimada por meio dos parâmetros de uma regressão cross-section, controlada por vários fatores econômicos, institucionais e localizacionais que explicariam a receita própria dos municípios. Os resultados mostram que 41% dos municípios apresentaram em 2007 IEF abaixo da unidade, isto é, grau de esforço fiscal abaixo da média. Um exercício com as regressões estimadas sugere que, caso esses municípios obtivessem arrecadação de acordo com o “esforço médio“ e informatizassem os cadastros de ISS e do IPTU, o sub-total de sua arrecadação tributária aumentaria de R$ 12,8 bilhões para R$ 16,3 bilhões. O aumento potencial de cerca de R$ 3,6 bilhões pode não ser tão grande no agregado, mas significa um crescimento de 28% na arrecadação própria da amostra de municípios com “esforço abaixo da média”. Os testes de significância estatística também confirmam a hipótese de que as transferências têm uma influência negativa sobre a arrecadação própria, o que fortalece a idéia de utilizar o IEF como elemento condicionante de um sistema de equalização de receitas. Por outro lado, a análise da evolução das receitas municipais entre 2000 e 2009 mostra que houve incremento importante na arrecadação de ISS dos municípios, mas queda na arrecadação de IPTU. Como o aumento do ISS foi maior entre os pequenos municípios, que geralmente também são os mais pobres, os seus índices de concentração sofreram melhora nos anos recentes, mas com impacto limitado sobre o índice de desigualdade global, dado peso predominante das transferências, cujo perfil distributivo é muito fraco no Brasil. Destaca-se que a construção de um painel de dados das receitas municipais exigiu técnicas de cluster e extrapolação, além da complementação por fontes de informações adicionais, que, até onde sabemos, constitui um trabalho inédito e de relevante utilidade para outros estudos aplicados.

 

PALERMO, Patrícia Ullmann; PORSSE, Alexandre Alves; PORTUGAL, Marcelo Savino  Impactos Econômicos da Reforma Tributária no Rio Grande do Sul: análise com um modelo inter-regional de equilíbrio geral computável. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Tópicos Especiais de Finanças Públicas. Porto Alegre (RS).

Resumo: Alterações na legislação tributária sempre motivaram profundas discussões políticas e acadêmicas. Isso ocorre porque mudanças dessa natureza promovem realocação dos fatores de produção, alterando a produção de setores e regiões, e, consequentemente, a receita arrecadada pelos governos. Essa última é alterada por variações nas alíquotas e na própria base tributária. O sistema tributário brasileiro, ao longo do tempo, passou por constantes reformulações buscando torná-lo mais moderno e adequado às condições econômicas e políticas vigentes. Entretanto, atualmente, diferentemente do que ocorreu no passado, não é mais possível prover reformas tributárias lastreadas no aumento da carga, uma vez que essa já assume patamares elevados e incompatíveis com o grau de desenvolvimento do País. Nesse cenário, apresenta-se a PEC nº 233/08, a mais recente proposta de reforma tributária que, buscando manter inalterada a carga tributária no patamar atual, propõe, entre outras mudanças, modificações relevantes na legislação do ICMS. Esse projeto de emenda constitucional propõe a harmonização da legislação do ICMS e a preservação do sistema misto de apropriação do imposto entre origem e destino, aumentando significativamente, porém, a apropriação pelo destino. Dada a necessidade de uma abordagem empírica para as discussões, esse trabalho tem o objetivo o objetivo de avaliar os impactos decorrentes dessa proposta de reforma sobre o ICMS numa perspectiva empírica e quantitativa, utilizando um modelo de equilíbrio geral computável inter-regional denominado B-MARIA-RS-TAX (ano-base 2004) que compreende as relações econômicas entre o Rio Grande do Sul e o Restante do Brasil e as contas fiscais dos governos regionais e federal. A partir desse modelo, procedeu-se a realização de um experimento de simulação da aplicação da PEC nº 233/08 com foco nas mudanças propostas para a legislação do ICMS. Neste experimento, assume-se que a harmonização do ICMS se dará através da assimilação da alíquota efetiva média para cada produto, vigente no País como um todo. Os resultados mostraram que tal harmonização leva a um aumento relevante da alíquota efetiva média no Rio Grande do Sul, com impactos negativos sobre o PIB e o emprego, porém com aumento significativo da arrecadação (com resultados opostos no Restante do Brasil). Esse aumento da receita do Estado tem seu efeito diminuído em virtude da mudança do regramento de apropriação do ICMS. Ainda assim, mesmo que potencialmente menor, o resultado revela, no caso do Rio Grande do Sul, um incremento na arrecadação em comparação com o nível de arrecadação corrente antes da reforma. Contudo, é provável que isso não se materialize integralmente em ganhos de caixa para o Estado dado que a reforma prevê mecanismos de compensação entre “ganhadores” e “perdedores”. A temporalidade e os próprios mecanismos da reforma não atentam para questões econômicas, mas apenas fiscais. Os resultados da análise de equilíbrio geral computável mostram que a reforma pode gerar efeitos perversos sobre a atividade econômica gaúcha e ainda prejudicar as finanças públicas do Estado se os mecanismos de compensação de receita exaurirem o potencial ganho fiscal identificado no experimento de simulação. Neste caso, o Rio Grande do Sul perderia duplamente no processo de reforma.

 

PARODE, Estevan Moura; MARTINS, Alessandro Castilhos; COLLAZIOL, Adi. Estudo de Modelos de Equalização Alternativos ao Fundo de Participação dos Estados. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Tópicos Especiais de Finanças Públicas. Porto Alegre (RS).

Resumo: Em virtude da extinção do Fundo de Participação dos Estados (FPE), prevista para 31 de dezembro de 2012, este trabalho objetivou, principalmente, a estimação de um modelo de transferências substituto ao FPE. Assim, dividiu-se o trabalho, primeiramente, em um apanhado teórico dos modelos de equalização fiscal; depois, apresentaram-se as experiências internacionais mais bem sucedidas; mais adiante, analisou-se a atual situação fiscal dos estados brasileiros; e, finalmente, fizeram-se duas simulações para o Brasil, com suas respectivas avaliações comparativas sobre equidade. Teoricamente, há dois tipos de modelos de transferências, a saber: os de Partilha e os de Equalização. Percebe-se que os Modelos de Equalização Fiscal promovem a equidade fiscal entre as unidades subnacionais e, por causa disso, são considerados mais eficientes e modernos em relação aos de simples Partilha. Nesse sentido, apresentou-se a experiência internacional canadense, alemã e australiana. Verificou-se que a experiência mais moderna e eficiente é a australiana. Contudo, devido às especificidades brasileiras, tal modelo não poderia ser adaptado para o Brasil. Então, adotou-se a metodologia de equalização da receita efetiva nos moldes canadenses. Todo o arcabouço teórico deste estudo está baseado no trabalho desenvolvido por Prado (2008), mas com um enfoque alternativo quanto ao cálculo da receita efetiva e à avaliação dos Modelos. Cunhou-se, então, o termo Receita Efetiva Potencial e, por meio dela, fez-se a simulação do Modelo 1. Já o Modelo 2 foi estimado através da metodologia de partilha, por meio do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Em ambos os modelos, as transferências são estimadas de forma per capita. Com relação à situação fiscal, verificou-se que o atual FPE tem grande impacto na constituição da Receita Corrente Líquida Econômica dos estados do Norte e Nordeste. Todavia, os repasses do atual FPE favorecem demasiadamente a Região Norte. Para analisar a eficiência dos Modelos, utilizou-se o Coeficiente de Variação e o Índice de Gini. Em todos os indicadores, o Modelo 1 foi superior. Assim, os resultados calculados para o coeficiente de variação foram de 0,46 para o atual FPE; 0,34 para o Modelo 1; e, 0,49 para o Modelo 2. Já para o Índice de Gini, foram de 0,38 para o atual FPE; 0,03 para o Modelo 1; e, 0,08 para o Modelo 2 (praticamente perfeita igualdade). Todavia, a adoção do Modelo 2 levaria a uma redução dos repasses à Região Norte (orçamentariamente dependente do atual FPE) e não haveria repasse para a maioria dos estados do Sudeste, Sul e Centro-Oeste (apenas para Goiás e o Paraná). Recomenda-se a adoção do Modelo 1, o qual transferirá mais recursos para a Região Nordeste, aumentando a equidade de todo o sistema. Dessa forma, entende-se que a adoção de qualquer modelo de equalização não resolverá todos os problemas fiscais dos estados. Tal panaceia não existe. Deve-se seguir no caminho da reforma tributária, somente ela garantirá a sustentabilidade do pacto federativo e, consequentemente, mitigará a desigualdade fiscal, econômica e social entre os estados

 

PEARCE JÚNIOR, Silvan.  Análise da Correlação entre o Grau de Desenvolvimento Humano dos Municípios e o seu Nível de Inadimplência quanto ao Atendimento dos Requisitos para a Obtenção de Transferências Voluntárias Oriundas da União. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Tópicos Especiais de Finanças Públicas. Sobradinho (DF).

Resumo: O presente trabalho tem por escopo avaliar a influência que o nível de desenvolvimento humano dos municípios no Brasil exerce no grau de inadimplência destes quanto ao cumprimento das exigências para obtenção de transferências voluntárias oriundas do Governo Federal e, ainda, mensurar essa influência, mediante o cálculo da correlação existente entre as variáveis envolvidas. A hipótese é de que o menor desenvolvimento humano dos municípios implica maior dificuldade destes em cumprir os requisitos para a obtenção das referidas transferências, o que acaba por prejudicar exatamente aqueles municípios mais carentes, menos desenvolvidos, para os quais esses recursos provavelmente fazem mais falta. Os resultados dos testes realizados nesta pesquisa confirmaram a hipótese levantada, indicando que as variáveis analisadas, quais sejam o quantitativo de itens pendentes de atualização pelos municípios no Cadastro Único de Convênio (CAUC) e os correspondentes índices municipais de desenvolvimento, estão acentuada e inversamente correlacionadas, ou seja, quanto maior o nível de desenvolvimento de um município, menor tende a ser o grau de inadimplência deste quando ao cumprimento dos requisitos para o recebimento das referidas transferências. Isto significa que, da forma como é gerido atualmente, o mecanismo das transferências voluntárias, em lugar de ser um meio de atuação do Estado no sentido da diminuição das disparidades sócio-econômicas entre regiões, estados e municípios, acabam por agravar essa situação de desigualdade.

 

POLITI, Ricardo Batista; MATTOS, Enlinson Henrique Carvalho de. Interações Verticais e Horizontais em uma Federação: uma análise das relações fiscais nos mercados de cigarro e gasolina no Brasil. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Tópicos Especiais de Finanças Públicas. São Paulo (SP).

Resumo: Em uma Federação, como no caso do Brasil, decisões em torno da estrutura fiscal podem ser influenciadas simultaneamente pelas escolhas dos governos dos Estados e pelas escolhas do governo Federal. Por essa razão, interações nas estratégias tributárias podem dar origem a dois tipos de externalidade: horizontal e vertical. A tributação de cigarros e de combustíveis no Brasil são exemplos de coexistência da base fiscal. Enquanto no primeiro caso o Governo Federal recolhe o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no segundo caso o governo recolhe a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE). Já os Estados definem as alíquotas do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações (ICMS). Desta forma, este trabalho investiga o efeito dos tributos federais nas políticas tributárias estaduais (competição vertical) para cigarro e gasolina levando em conta as políticas adotadas pelos Estados vizinhos na decisão tributária local (competição horizontal). Com efeito, esta monografia preenche uma lacuna na literatura aplicada ao Brasil ao tratar simultaneamente de competição vertical e horizontal e, além disso, considera-se micro-dados de setores importantes na arrecadação tributária, tais como gasolina e cigarro. De forma a estimar consistentemente os parâmetros estruturais desta interação fiscal entre governos estaduais e o federal, utiliza-se econometria espacial em um painel com dados anuais referentes aos 26 Estados brasileiros para o período de 1995 a 2007. Adicionalmente, controla-se a correlação serial da variável dependente bem como a presença de fatores socioeconômicos. Duas limitações devem ser discutidas. A primeira diz respeito à definição da matriz de pesos dos Estados Vizinhos que segue critérios geográficos, sem, no entanto possuir critérios rígidos de escolha. A matriz de pesos geralmente adotada na literatura considera como jurisdições vizinhas, os Estados que apresentam fronteira geográfica entre si, ou seja, os Estados contíguos, hipótese adotada neste estudo. Segundo, ignora-se neste estudo o papel do setor informal nestes mercados, principalmente pela ausência de dados disponíveis. Os bens analisados neste trabalho sofrem concorrência importante do setor informal, seja de bens contrabandeados de outros países, caso do cigarro, ou de bens adulterados, caso da gasolina. Nossos resultados sugerem haver competição vertical no mercado de cigarro. Um aumento de 1% na alíquota de IPI (tributo federal) está associado a um aumento significante de 1,75% na alíquota do ICMS (tributo estadual) para o cigarro. Por outro lado, para o mercado de gasolina, nossas estimações apontam para a relevância de competição horizontal. Um aumento de 1% na alíquota de ICMS de Estados vizinhos está associado a um aumento em sua própria alíquota em 0,34%. Estes resultados indicam que tanto os governos estaduais como o governo federal devem levar em conta a resposta, em termos de política tributária, dos outros entes federativos quando da imposição de tributo em uma base tributária comum a todos os estes da federação.

 

RÊGO, Andressa Guimarães Torquarto Fernandes; LOCHAGIN, Gabriel Loretto; NETO, Michel Haber. Federalismo Fiscal e os Fundos de Participação Brasileiros: uma discussão acerca da constitucionalidade dos critérios atuais. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Tópicos Especiais de Finanças Públicas. São Paulo (SP).

Resumo: Este trabalho trata dos critérios de partilha de recursos na federação brasileira por meio dos fundos de participação dos Estados e dos Municípios. Buscará identificar, dentre os critérios adotados atualmente pela legislação em vigor, seus pontos mais problemáticos e perquirirá novas alternativas para que tais instrumentos alcancem sua finalidade de maneira mais eficiente e adequada aos desígnios constitucionais de reduzir as desigualdades regionais. Para isso, uma primeira parte do trabalho se dedicará a seus aspectos metodológicos mais importantes, de modo que a questão possa ser adequadamente enfrentada. Tratando-se um sistema de federalismo fiscal de área tão propensa a múltiplas influências do pensamento jurídico e econômico, convém distinguir as especificidades de cada uma dessas racionalidades particulares. O primeiro capítulo será dedicado ao importante tema das noções metodológicas empregadas, direcionando-se a esclarecer o que se entende por uma análise do sistema normativo, do ponto de vista do direito posto; a elucidar as relações deste sistema com outros ramos do conhecimento; e a abrir espaço para uma posterior análise normativa do ponto de vista econômico, com vistas à melhoria do atual sistema.  Importantes princípios serão tratados nesta primeira parte, tais como os princípios da igualdade e da federação, que permeiam a ordem constitucional brasileira.  O federalismo fiscal permeia toda a discussão que se desenvolverá posteriormente, abrangendo tanto as recomendações de um sistema federal que propicia a eficiência da prestação de serviços públicos como a correção dos desequilíbrios regionais, que é um problema central na agenda de toda federação. Sob esta óptica, noções tais como federalismo cooperativo e correção de desequilíbrios serão abordadas para introduzir a forma como a Constituição de 1988 trata da matéria.  Numa parte mais específica, o trabalho tratará, em suas particularidades, dos critérios adotados pelo principal instrumento de partilha de recursos na Federação brasileira, que são os Fundos de Participação dos Estados e dos Municípios. O tema será aproveitado para que se analisem melhores critérios, que levem em conta a eficiência administrativa e o esforço fiscal, exemplificando-se com o FUNDEB algumas questões pertinentes. Por fim, considerando os raciocínios anteriormente tratados, discutir-se-á a inconstitucionalidade dos critérios atuais, tendo em vista a necessidade dinâmica de constante atualização dos critérios e a busca efetiva da redução das desigualdades regionais.

 

RIBEIRO, Ana Carolina Borges Marques. Fundo Soberano do Brasil: caracterização e implicações macroeconômicas. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Tópicos Especiais de Finanças Públicas. Porto Alegre (RS).

Resumo. A Economia Mundial de 2002 a 2007 experimentou um período de crescimento acelerado. Os déficits gêmeos dos Estados Unidos aliado aos superávits comerciais dos países asiáticos e exportadores de petróleo propiciaram um acúmulo de reservas gigantesco. Neste contexto o número de fundos soberanos cresceu, o Brasil, em 2008 criou seu fundo soberano com finalidade mitigar os efeitos dos ciclos econômicos e de promover investimentos em ativos no Brasil e no exterior. Este trabalho tem como objetivo caracterizar os fundos soberanos relatando o histórico de criação, políticas de investimento e gestão bem como normas, princípios existentes e razões macroeconômicas para sua criação. Ao final apresenta-se o modelo que o Brasil vem utilizando para operacionalizar o seu fundo soberano e os diversos objetivos que este fundo poderá ter conforme evolução da Economia Brasileira. A conclusão que se chega é que o Fundo Soberano do Brasil pode ser um ótimo instrumento de política fiscal e monetária, mas que sua operacionalização ainda está sendo moldada para que ele auxilie na condução da política econômica do país, neste primeiro momento o Fundo Soberano do Brasil auxiliará o Banco Central da contenção da apreciação cambial.

 

 SALES, Jó Bezerra de.  Transferências Intergovernamentais: a desigualdade na repartição da cota-parte do ICMS no Pará - 1998 a 2008. Brasília: ESAF, 2010. Monografia premiada com o terceiro lugar no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Tópicos Especiais de Finanças Públicas. Belém (PA).

Resumo:  Estuda a distribuição da cota-parte do ICMS analisando o nível de desigualdade e concentração no Pará. Investiga o seu padrão equitativo a partir das características da economia paraense identificando elementos que produzem influência na alteração do princípio devolutivo dessa dotação fiscal, bem como, examina até que ponto estas alterações produzem distorções que contribuam para o agravamento dos desequilíbrios nas proporções das cotas transferidas entre os municípios paraenses. Analisa o sistema de transferências intergovernamentais, procurando identificar suas respectivas funções, competências e importância no sistema de partilha brasileiro. Caracteriza as transferências do tipo “Revenue Sharing” no Brasil, especialmente a cota-parte do ICMS, buscando demonstrar a sua relevância aos governos subnacionais. Os resultados do Coeficiente de Gini da cota-parte do ICMS indicam elevado padrão de desigualdade, apesar da redução da concentração ocorrida nos dez anos analisados (em 1998 o Gini foi de 0,764 e em 2008 reduziu-se para 0,682). As distorções se agravam com a alteração do princípio devolutivo, pois, o elevado grau de desoneração fiscal da economia paraense, em decorrência da Lei Kandir e incentivos fiscais concedidos, produz um hiato fiscal ou “free tax gap” entre o valor arrecadado de ICMS e o Valor Adicionado Fiscal (VAF), que compõe a base de cálculo da distribuição da cota-parte aos municípios. Este “free tax gap” era, em 1997, de 7,37% e atingiu 11,35% em 2007. Isso provocou a redução do valor médio de ICMS repartido entre os municípios e beneficiou as cidades produtoras de semielaborados, especialmente os de base mineral, em prejuízo, principalmente, de Belém e cidades de porte médio com baixo potencial extrativista-exportador. A elevada desigualdade desta dotação fiscal também se confirma na análise comparada entre os estados de Minas Gerais e Ceará, bem como, na comparação com o FPM.

 

SANTOS, José Henrique Almeida.  O Princípio Federativo e a Isenção do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços por Tratados Internacionais.  Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Tópicos Especiais de Finanças Públicas. São Paulo (SP).

Resumo: A soberania é um poder político supremo na ordem interna, e independente na ordem internacional. Somente a República Federativa do Brasil goza de soberania. A Carta Magna assegura apenas autonomia aos Estados-Membros, concedendo-lhes a capacidade de auto-organização, de autolegislação, de autogoverno e de auto-administração. Por este motivo, os Estados-Membros não mantêm relação com Estados estrangeiros, nem com organismos internacionais. Tendo em vista que o art. 151, III da CF veda à União instituir isenções de tributos da competência dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, surge a controvérsia sobre a possibilidade de que um tratado internacional, cuja celebração é de competência da União, isente tributos de outros entes federativos, mais especificamente o Imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicações (ICMS). Por meio de uma consistente pesquisa bibliográfica, concluiu-se pela impossibilidade de isenção do ICMS pela União na celebração de tratados internacionais, sem que haja convênios representando o consentimento das Casas Legislativas de cada um dos Estados-Membros.

 

 SIQUEIRA, Rozane Bezerra de; NOGUEIRA, José Ricardo Bezerra; SOUZA, Evaldo Santana de.   Alíquotas Efetivas e a Distribuição da Carga Tributária Indireta entre as Famílias no Brasil. Brasília: ESAF, 2010. Monografia premiada com menção honrosa no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Tópicos Especiais de Finanças Públicas. Recife (PE).

Resumo: Sob o argumento de que, em um sistema tributário indireto tão complexo e distorcido quanto o brasileiro, as alíquotas legais dos tributos tendem a divergir substancialmente das alíquotas efetivas, este trabalho estimou as alíquotas efetivas do ICMS, do IPI e dos demais tributos indiretos, a as aplicou em uma análise da distribuição e progressividade da carga tributária sobre as famílias. As estimativas das alíquotas efetivas foram realizadas através um modelo de incidência tributária multissetorial baseado na Matriz de Insumo-Produto do Brasil, de 2005. Tal modelo utiliza a receita efetivamente arrecadada pelo governo, por setor de atividade e incorpora os efeitos multissetoriais dos tributos, a cumulatividade e a sonegação. A análise da distribuição da carga tributária foi feita adotando-se a despesa total de consumo como o indicador do bem-estar (ou padrão de vida) das famílias e utilizando-se os microdados de gastos familiares da POF de 2002/2003. Os resultados indicam que mais de um terço dos tributos indiretos no Brasil ainda incidem sobre insumos, e que as alíquotas efetivas sobre o consumo das famílias variam enormemente entre produtos. Enquanto a alíquota efetiva média é de 18% (calculada na MIP), os produtos de algumas atividades têm alíquotas efetivas acima de 40%, como energia elétrica e comunicação (cujas alíquotas estão no mesmo patamar da alíquota sobre fumo).  Quando aplicadas ao consumo das famílias na POF (via um minucioso trabalho de compatibilização com a MIP), essas alíquotas geram um perfil de distribuição da carga tributária quase proporcional (avaliado com base na despesa total de consumo). Mas, esse perfil resulta da combinação de incidências altamente regressivas com incidências altamente progressivas, cujos efeitos distributivos acabam se anulando no cômputo global. Entre os tributos mais regressivos estão aqueles sobre alimentos básicos (‘cesta básica’), combustível doméstico (gás), energia elétrica, vestuário e fumo. As incidências mais progressivas são sobre combustível automotivo, transporte, educação, recreação e bebidas alcoólicas. Dos tributos analisados individualmente, o IPI é o único que apresenta alguma progressividade, mas sua participação na carga indireta total é muito pequena para reverter a regressividade dos demais. O estudo alerta que a ‘solução’ mais óbvia para tornar o sistema tributário indireto progressivo, ou seja, reduzir a tributação mais regressiva e aumentar a tributação mais progressiva, pode não ser eficaz, além de tornar o sistema ainda mais caótico e ineficiente. Isso porque, pelos cálculos do estudo, 40% da incidência final de tributos sobre alimentos (primeiro candidato a redução de alíquota) provem da tributação de insumos produtivos, entre os quais se destacam transporte e combustível automotivo (primeiros candidatos a aumento de alíquotas).

SÖTHE, Ari; SCARPIN, José Eduardo.  Diretrizes do IFAC para o Regime de Competência: impactos nos resultados contábeis dos governos municipais da microrregião de São Miguel do Oeste – SC. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Tópicos Especiais de Finanças Públicas. Iporã do Oeste (SC).

Resumo: As mudanças no cenário contábil internacional e busca da harmonização das práticas locais com os padrões internacionais no setor privado, desencadeou o início desse processo no setor público. Este estudo objetiva analisar os impactos das mudanças no reconhecimento e mensuração decorrentes da alteração do regime misto para o regime de competência proposto pelo Estudo n° 14 do IFAC nas contas públicas dos governos municipais da microrregião de São Miguel do Oeste – SC. A metodologia aplicada na pesquisa é descritiva, com coleta de dados documentais, de abordagem quantitativa e de corte transversal. O estudo foi realizado com os governos municipais que integram a microrregião de São Miguel do Oeste – SC, em uma amostra de cinco municípios, nos exercícios de 2004 a 2008. O marco teórico destaca que o processo de convergência das Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público (NBCAPS) aos Padrões Internacionais de Contabilidade do Setor Público (International Public Sector Accounting Standard – IPSAS) iniciou-se em 2008 com conclusão prevista para 2012. Permitindo, a partir dessa data, a implantação do regime de competência proposto pelo International Federation of Accountants (IFAC) no setor público brasileiro. Os resultados do estudo demonstram que os impactos foram menores no indicador fiscal de despesa com pessoal. No entanto, foram significativos nos indicadores de educação e saúde. Na estrutura patrimonial os impactos foram significativos em todos os grupos analisados, compreendidos pelo ativo permanente, passivo financeiro, passivo permanente e saldo patrimonial. Na estrutura de resultados os impactos foram limitados nas receitas e expressivos nas despesas e resultado do exercício. A análise dos impactos da alteração do regime contábil por meio do teste das hipóteses aceitou oito e rejeitou duas hipóteses especificas do estudo, demonstrando que os impactos foram significativos na maioria dos indicadores fiscais, na estrutura patrimonial e de resultados.

 

SOUZA, Marcio Roberto Alves de; BUGARIN, Mauricio Soares. Evasão e Cidadania Fiscal: análise do programa nota fiscal paulista. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Tópicos Especiais de Finanças Públicas. Porto Alegre (RS).

Resumo: Este trabalho tem por objetivo contribuir com a literatura relacionada à evasão fiscal, a partir da análise do programa de estímulo à cidadania fiscal Nota Fiscal Paulista (NFP), implantado pelo Governo do Estado de São Paulo, que transfere parte da receita tributária aos consumidores que exigem o documento fiscal. Para atingir este objetivo, lança-se mão inicialmente de uma modelagem teórica, complementada por um estudo econométrico. O estudo teórico modela uma extensão da moderna literatura sobre evasão fiscal incluindo-se duas novidades fundamentais. Em primeiro lugar, além do governo e da firma que paga impostos, inclui-se um agente adicional, o consumidor, que tem a escolha entre exigir ou não a nota fiscal no momento da aquisição de um bem ou serviço. Em segundo lugar, admite-se um mecanismo adicional de incentivo à disposição do governo, qual seja, a transferência ao consumidor de parte do imposto arrecadado quando este exige a nota fiscal. Portanto, neste modelo, o governo possui dois instrumentos de controle da evasão fiscal: a fiscalização e a transferência direta aos consumidores. O modelo teórico revela os trade-offs entre esses dois mecanismos, mostrando que a escolha ótima do governo requer o uso de ambos os mecanismos. Ou seja, tanto algum nível de fiscalização como algum percentual de restituição de impostos aos consumidores deve ser escolhido em equilíbrio. Em particular, é ótimo para o governo devolver parte do imposto arrecadado aos consumidores que, ao exigirem a nota fiscal, inibem a possibilidade de sonegação. Este resultado confirma teoricamente os benefícios do programa NFP. Além disso, sugere que o sistema anterior, em que não havia restituição de impostos aos consumidores, não era eficiente.  Adicionalmente, o modelo teórico sugere um aumento no nível de preços de setores mais sonegadores quando um mecanismo de incentivo à cidadania fiscal via transferências aos consumidores é implantado. O estudo empírico, por outro lado, testa se de fato houve um aumento estatisticamente significante da receita tributária do governo de São Paulo com a introdução do programa NFP. A conclusão é que houve aumento significante apenas no setor de serviços, sugerindo ser esse setor mais propenso à sonegação. Tal aumento não foi estatisticamente comprovado no setor secundário. Um segundo estudo econométrico confirma que, de fato, houve inflação significativamente maior justamente no setor de alimentos fora do domicílio (restaurantes, bares e similares), o que pode ser visto como um efeito adverso do programa. Esse efeito se explica pelo fato de que, uma vez que as empresas do setor estariam sonegando menos, repassariam parte do aumento correspondente de custo aos preços. Apesar de inflacionário, esse efeito corrige um diferencial competitivo desleal que talvez existisse em setores mais propensos à sonegação, tornando a tributação mais abrangente e uniforme. Portanto, este trabalho sugere que o programa NFP trouxe de fato um benefício ao governo paulista e que, por essa razão, possa ser positivamente aproveitado, tanto por outros estados, quanto pela União. No entanto, seu benefício é concentrado justamente nos setores que possuem maior potencial de sonegação. Portanto, a restituição deve também ser mais focada nesses setores.

 

SOUZA, Saulo Santos de.  De Federalismo, Austeridade e Oportunismo: notas modernas sobre um antigo dilema. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Tópicos Especiais de Finanças Públicas. Caruaru (PE).

Resumo: O presente trabalho revisita o comportamento fiscal dos estados pós–2000, sob o argumento central de que as regras fiscais e arranjos institucionais não eliminam o oportunismo fiscal motivado por incentivos de natureza política. A hipótese é que o oportunismo fiscal persiste nos estados brasileiros pela via de mecanismos de escape que garantam a mobilidade alocativa, não obstante o maior rigor das regras e instituições que se destinam a promover a disciplina fiscal.  Para o teste da hipótese, devotamos atenção aos agregados de gastos dos estados, apresentados em série temporais representativas dos anos que se seguem à estabilização fiscal. A investigação inclui um estudo de caso das contas públicas de uma amostra de estados, recorrendo à disponibilidade de caixa no final do exercício financeiro. É feito, por fim, um teste empírico das variáveis selecionadas a partir das observações preliminares e da literatura nacional e internacional especializada.  Com base nos resultados obtidos, chegamos a duas principais conclusões: 1) Há evidência de oportunismo fiscal nos estados uma vez que as variáveis políticas se correlacionam positivamente com a insuficiência de caixa. Dada a presença de regras de austeridade fiscal, tal oportunismo se viabiliza por meio da contabilidade criativa. 2) Na medida em que os tribunais de contas não sejam imunes a influência política, há evidência de que a baixa autonomia desses TCEs esteja associada ao uso mais constante de contabilidade criativa.   A análise é das finanças estaduais apenas. O comportamento fiscal dos municípios, e as relações destes com os estados e a União, ainda que forneçam um quadro mais completo do papel dos diferentes níveis de governo, não são contempladas. Contudo, o foco nos estados é essencial para a compreensão do federalismo fiscal brasileiro na década de 2000, visto ter eles o maior peso no resultado fiscal agregado. Além disso, o corte empírico concentra-se no comportamento de determinados itens de gasto, visto que as regras fiscais vigentes impedem grandes alterações na magnitude do resultado fiscal. Posto que a amostra de estados é representativa do conjunto da Federação, as conclusões podem se reportar ao comportamento de quaisquer deles em particular. A monografia está organizada em cinco seções. A primeira identifica o problema que motiva o trabalho, senta as bases do seu argumento e define os métodos de investigação. Na segunda são apresentados os fundamentos teóricos da análise. A terceira aborda o tema das regras e seus efeitos nos indicadores de comportamento fiscal dos estados. A quarta testa empiricamente a hipótese de oportunismo fiscal vis-à-vis os mecanismos de controle e sumariza os achados. A última seção procede às apreciações finais. Trata-se de esforço promissor, visto que o circuito acadêmico é falto de estudos empíricos que conjuguem a problemática do oportunismo fiscal dos governantes com o papel das instituições de controle externo, tudo sob o tacão das atuais regras de austeridade fiscal. O presente trabalho propõe-se a avançar neste campo.

 

TORRES, Wagner Cunha e.  O Impacto da Proposta da Emenda Constitucional 406/09 na Sustentabilidade no Equilíbrio Macroeconômico do Brasil. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Tópicos Especiais de Finanças Públicas. Maceió (AL).

Resumo: O presente estudo mensura a aprovação da PEC 406/2009, ao qual está em tramitação na Câmara, que objetiva aumentar o percentual das transferências dos municípios aumentando de 25% para 30% do total arrecadado do Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), impactando significativamente na geração dos superávits primários dos estados, pois estas têm uma correlação direta com os repasses aos Municípios. Além disso, reduziria o espaço fiscal dos Estados comprometendo a capacidade de realização de investimentos. E como as transferências constitucionais têm uma relação direta com a Receita Líquida Real (RLR), portanto os repasses do ICMS aumentando reduziriam o serviço da dívida, implicando no aumento do endividamento público dos estados em longo prazo e comprometendo a sustentabilidade macroeconômica do país. O Brasil após o acordo com Fundo Monetário Internacional (FMI), desde 1999, vem adotando uma política econômica consubstanciada em uma política cambial flutuante num regime de meta inflacionaria em ambiente de desequilíbrio fiscal, haja vista os sucessivos déficits nominais gerados entre 1999 a 2009. Apesar dos sucessivos superávits primários implementados nos últimos anos e de uma relativa estabilidade da razão dívida líquida/PIB, o país ainda apresenta uma trajetória e perfil da dívida pública preocupante quando analisada a relação dívida bruta/PIB. Se considerarmos a trajetória desta e aliado ao cenário da dívida pós Grécia, o qual aumentou a percepção de risco dos investidores e, ainda mais, agravada pela restrição de fluxo de financiamento internacional em face da perda de trilhões de dólares da riqueza mundial, aumentando ainda mais o risco da aprovação da PEC 406/09. Além disso, a geração de superávits primários, no período de 1999 a 2009, foi obtida com elevações da carga tributária total do setor público consolidado e da despesa corrente. Ao avaliar o comportamento fiscal dos municípios e que segundo estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) muitos destes são totalmente dependentes das transferências do ICMS e do FPE e, ainda, analisando a fragilidade do sistema federativo brasileiro ao permitir que através de emendas constitucionais sejam solucionados os desequilíbrios gerados pelos municípios, evidencia-se o risco da sustentabilidade do equilíbrio macroeconômico do país. Esta monografia analisa ainda a arrecadação do ICMS, no período de 1995 a 2009, e os impactos em relação ao Produto Interno Bruto, nos resultados primários consolidados obtidos dos estados e no endividamento medido pela Dívida Consolidada Líquida (DCL)/ Receita Corrente Líquida (RCL). E tomando como base a arrecadação do ICMS, em 2009, avalia o impacto individualmente em cada estado na geração dos superávits primários e no acréscimo do endividamento (DCL/RCL) tendo como base se a alusiva PEC já tivesse sido aprovada. 

 

VAZQUEZ, Daniel Arias.  Execução Local sob Regulação Federal: uma avaliação das reformas institucionais nas políticas de educação e saúde. Brasília: ESAF, 2010. Monografia inscrita no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Tópicos Especiais de Finanças Públicas. Santos (SP).

Resumo: Este estudo analisa as reformas institucionais das políticas de educação e saúde implantadas a partir da segunda metade dos anos 1990, as quais definiram um modelo de execução local das políticas descentralizadas, sob diretrizes definidas centralmente. A partir da análise das reformas nas políticas de educação e saúde, procurou-se verificar a eficácia da regulação federal em relação à ampliação do gasto municipal nestas áreas e pela redução das desigualdades horizontais no financiamento destas políticas. Os mecanismos de regulação federal utilizados foram: a vinculação de receitas, a criação de fundos para financiamento de políticas específicas e a utilização de transferências condicionadas à oferta dos programas. Cada instrumento de regulação levou em conta as especificidades das políticas em relação ao financiamento, à competência pela execução, às necessidades de expansão da oferta e de estímulo à descentralização, além de definir quais mecanismos de redistribuição dos recursos e de compatibilização entre receita e oferta seriam mais adequados para cada política. Na educação, criou-se um fundo específico composto por subvinculações de receitas estaduais e municipais (Fundef e, posteriormente, o Fundeb), cujos recursos são redistribuídos dentro de cada UF, de acordo com o número de matrículas nas respectivas redes de ensino. Na saúde, a adequação entre recursos disponíveis e a oferta de programas foi feita por meio das transferências condicionadas do SUS, normatizadas por portarias ministeriais. Ambas as políticas ainda contam com a vinculação de receitas para cobrir os custos de oferta dos programas.  Para avaliar os resultados, analisou-se: 1-) a evolução dos gastos municipais nas políticas em questão, com o intuito de demonstrar se a introdução dos instrumentos de regulação federal alterou a trajetória do gasto municipal nas funções correspondentes a estas políticas; 2-) a ampliação da oferta municipal das matrículas de ensino fundamental e das ações de atenção básica de saúde, visando avaliar a eficácia dos mecanismos de regulação em promover a efetiva descentralização da oferta destes serviços; 3) a trajetória dos valores médios percapita aplicados pelos municípios nas áreas de educação e saúde, a fim de verificar se as novas regras de financiamento promoveram uma tendência convergente dos valores médios aplicados em cada estado e se foram capazes de reduzir as desigualdades horizontais, mensuradas partir do cálculo do coeficiente de Gini. As conclusões deste estudo demonstram que as reformas institucionais tiveram sucesso em relação à ampliação do gasto municipal e da oferta das políticas de educação e saúde, executadas localmente, mas cujas diretrizes são definidas centralmente. Além disso, observou-se uma significativa redução das desigualdades horizontais no financiamento destas políticas, em função do patamar mínimo de gasto próprio estabelecido e das regras que vincularam receitas adicionais à ampliação da oferta municipal das políticas reguladas.

 

 VIEIRA, Laercio Mendes.  Nova Contabilidade Governamental Brasileira e a Evidenciação Integral do Valor dos Passivos no Balanço Patrimonial Federal: o caso dos restos a pagar não-processados, das despesas de exercícios anteriores e dos passivos reconhecidos por insuficiência de crédito. Brasília: ESAF, 2010. Monografia premiada com o segundo lugar no XV Prêmio Tesouro Nacional – 2010: Homenagem a Joaquim Nabuco. Tópicos Especiais de Finanças Públicas. Brasília (DF).

Resumo: O objetivo geral deste trabalho é apresentar as diferenças entre os modelos de apresentação de informações contábeis - o nacional, de viés orçamentário-financeiro, vis-a-vis o modelo internacional, de base contábil-patrimonial, as vantagens de modificação do modelo atual e os desafios que devem ser enfrentados nesse contexto. Como objetivo específico, se pretende compreender, no tocante aos passivos do Setor Público, o que poderia ser diferente em termos de disclosure caso as regras de contabilização atualmente utilizadas fossem alteradas. A escolha de passivos públicos como objeto de estudo está intrinsecamente relacionado, entre outros, ao risco de ocorrência de crises fiscais decorrentes de aumento do endividamento público. A partir do estabelecimento de referenciais normativo-descritivos, são demonstradas as vantagens de uma evidenciação integral de passivos (na ótica das prescrições contábeis-patrimoniais) comparativamente às prescrições de evidenciação parcial (na ótica dos de natureza orçamentário-financeira), em termos de melhoria de estruturas de governança no Setor Público e incremento de accountability. O resultado da análise promovida sobre itens selecionados - restos a pagar, despesas de exercícios anteriores e passivos reconhecidos com insuficiência de crédito orçamentário - alguns integrantes do balanço patrimonial e outros extrabalanço demonstrou que há casos incontestes de subavaliação de passivos nos balanços patrimoniais federais atualmente apresentados. A subavaliação é fruto das discrepâncias entre as óticas orçamentário-financeira e contábil-patrimonial e se constitui no núcleo central dos desafios para transição e implementação do novo modelo.